Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

José Saramago

Completam-se hoje 10 anos (18-06-2010) que morreu José Saramago, o nosso segundo prémio Nobel, o primeiro da Literatura. Saramago foi um dos génios da Literatura Portuguesa, como Luiz de Camões e Fernando Pessoa.

Nesta vida tão curta que se leva, tudo começou aqui …
Adaptação teatral de “Memorial do Convento”, de José Saramago. Foi exibido  no Palácio Nacional de Mafra (PNM). Uma co-produção da ÉTER-Produção Cultural e PNM.


A  Academia Real das Ciências da Suécia, anuncia a atribuição do “Prémio Nobel da Literatura de 1998” a José Saramago.


A SIC entrevistou José Saramago no dia do anúncio da atribuição do Prémio Nobel, 8 de Outubro de 1998.


Ensaio Sobre A Cegueira (introdução).


José Saramago fala do seu novo romance “Caim” à agência espanhola de notícias EFE


… e tudo terminou aqui

Pequeno documentario exibido pela SIC no dia 18/06/2010. Morreu o grande escritor português José Saramago. Foi um escritor que esteve sempre do lado dos mais desfavorecidos , como se pode ler nos seus primeiros livros. Foi um lutador por um Mundo melhor e mais justo, era militante do PCP e foi o único escritor de lingua portuguesa a ganhar o Prémio Nobel da Literatura…. E eu acrescento, embora tivessem havido mais um ou dois que o mereciam !

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Guerra na Pele de João Cabral Pinto

Companheiro recente de outras guerras, o bilhar às três tabelas, o João Cabral Pinto escreveu um livro que pelos vistos começou a ser projectado e criado há muitos anos.

Pequeno excerto da entrevista efectuada pela Maria Miguel Cabo, no link da TSF, aqui !

O vídeo lá mais abaixo !

Entrevista extraida daqui !... entrevistado por Miguel Morgado

“AMOR DE MÃE, ANGOLA”. AS TATUAGENS QUE CONTAM A HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL

Moda, estatuto, para casar, alienação, dor ou porque beberam um copo antes. Estas são algumas das razões dos desenhos feitos nos antebraços de quem foi para a guerra colonial. A história contada em livro pela subcultura dos homens que, em teatro de guerra, não se envergonharam de escrever no corpo a palavra Mãe. Um registo fotográfico que resgata a memória coletiva de um povo no qual as imagens valem mil testemunhos. “Guerra na pele. As tatuagens da guerra colonial”, uma memória escrita.

No início eram tatuagens. Agora são retratos de tatuagens. No início era a guerra colonial. Agora são as memórias que ficaram. Ficam. Cravadas na pele. No corpo. Na mente. Na alma. Bem fundo. Para sempre. Por causa da Pátria. Pela Pátria.

As imagens, essas, não saem da cabeça, por mais esbatidas que estejam no corpo. Passaram anos. Décadas. Na pele, a maioria apresenta-se descolorida. Quase que desapareceram. Por isso, há quem tenha feito a versão 2.0 do “Amor de Mãe”, a frase icónica de quem foi para África. Porque não querem esquecer. Não podem esquecer por mais que, muitos deles, procurem não falar. Sobre o que foram lá fazer e aquilo que estamparam. Porque recuam ao tempo da guerra. E, se o fizerem, dizem: “Não durmo. Se eu lhe contar, eu já não durmo esta noite...”.

A guerra colonial está ainda bem presente na memória coletiva de um país. Pelo menos, em grande parte dele. João Cabral Pinto quis resgatar a história de Portugal pelas imagens dos desenhos nos corpos de quem foi e voltou. Depois de hesitações e negações de editoras, decidiu avançar para uma edição de autor. “Guerra na Pele – As tatuagens da guerra colonial” é o nome do livro apresentado hoje na Biblioteca Natália Correia, em Carnide, Lisboa. É mais do que um conjunto de palavras. É um registo histórico.

O objetivo? “Resgatar e preservar para memória futura um conjunto de imagens de tatuagens realizadas por militares das Forças Armadas Portuguesas durante o período da guerra colonial em África de 1961 a 1974”, lê-se nas poucas páginas do livro que merecem conteúdo escrito.

O resto são as imagens que falam por si: 146 imagens de tatuagens que representam uma síntese das 350 fotografadas, resultantes de mais de 230 entrevistas a ex-combatentes, num total de cerca de 600 abordados. Hoje, dos entrevistados, “metade já morreu”, aponta João Cabral Pinto. “As fotografias das tatuagens são a sua memória”.

O trabalho começou há 20 anos. “Os primeiros cincos foram perdidos numa avaria informática, não consegui recuperar e foi tudo ao ar”, recorda. Não desistiu. Seguiram-se 15 anos a andar “nos encontros de militares, nas celebrações dos 10 de junho, em praias, nos autocarros, a mudar o meu trajeto porque via alguém”, sempre atento a uma tatuagem que apontasse para a presença nas ex-colónias.

“Não durmo. Se eu lhe contar, já não durmo esta noite... Só de falar já estou todo a tremer”

A abordagem foi tirada a fotocópia: “Olá, sou o João Pinto, estou a fazer um trabalho sobre a guerra colonial e pergunto se posso tirar uma fotografia à sua tatuagem”.Tal como um filme, seguiu o guião em que queria respostas ao porquê?, quando?, quem?, onde (zona geográfica)?, onde (zona do corpo)?, como? e quantas?. Já as entrevistas “não foram programadas”. Não podiam ser.

João Cabral Pinto compreende quem não participou e quem não respondeu à totalidade das perguntas. Em alguns casos a resposta traduziu-se em pouco mais do que fotografar a tatuagem. “Muitos dos antigos combatentes sofrem stress pós-traumático. Diziam 'vai dar uma curva'. Ou mesmo, 'tira lá a foto, mas não digo mais nada'". O nada explica-se numa frase repetidamente escutada pelo autor: “Não durmo. Se eu lhe contar, já não durmo esta noite... Só de falar já estou todo a tremer”.

“Vaidade”. Esta uma das razões para registar no braço a ida para a guerra. Ou apenas “exibicionismo”, explica João Cabral Pinto. “Uma mulher, nessa altura, que casasse com um militar tinha uma boa vida. Era um chamariz para casar”, pisca o olho.

Há razões mais fundas. “A saudade, revolta, dor, luto”, solta na ponta da língua. Mas não só. O “orgulho” de pertença aos paraquedistas ou fuzileiros, a “vontade de servir o país”, a "moda” e o “todos faziam”. Por situações de morte de companheiros ou medo. “Uns explicaram que o fizeram quando estavam junto da fronteira com o Senegal. Pensavam que iam morrer”, e outros por momentos de pura “alienação”, “desespero” ou “raiva”. Ou mesmo, uma simples “recordação”, enumera o autor.

Não fugimos ao desejo da curiosidade: e o "Amor de Mãe, Angola 1969"? Essa evocação materna que fez parte do imaginário pela adolescência fora deste (48 anos) que vos escreve. “É uma expressão que já vem da 2.ª Guerra Mundial”, informa João Cabral Pinto.

“Nas situações de guerra, em que estás a morrer, aflito, por quem é que tu chamas? Por quem? Pela mãe. Não chamas pelo pai. Ai, mãe. Ai, minha mãe...”, o autor recorda uma partilha feita por um dos fotografados. Um nome tantas vezes repetido que deu em música, de Oliveira Muge. “A mais célebre da guerra colonial: Mãe. Foi do mais conhecido na altura”, sublinha o autor do livro “Guerra na pele”.

Para além do Amor de Mãe e de juramento a outros amores, há outros símbolos (o calote e o grifo), siglas (JNRJ, de Jesus da Nazaré Rei dos Judeus), profissões e frases que ficam para a eternidade: “Sangue, Suor e Lágrimas”, que aparece, por vezes, como “SSL”, em abreviatura. Há mapas de Angola, Cabinda, Guiné ou Moçambique, datas de incorporação, “corações com a flecha do Cupido”, frases avulso como “Adeus, África”, “Deus me guie”, “A Pátria Honrai, que a Pátria vos contempla” e “Fui e Voltei”.

Neste revisitar das histórias de quem regressou há casos insólitos. “Um tatuou o nome da namorada, só que esta deixou-o e, por cima, escreveu: eu e um ponto de interrogação”. Outras precipitações. “Um tatuou-se com uma imagem dos fuzileiros, não entrou e foi para os comandos. Ficou com duas tatuagens”, recorda. Há também imagens que pouco têm que ver com o teatro de guerra - “Um pato Donald e um Mickey”.

O grito de libertação. "Para se libertar de tudo”

Esqueça a loja moderna de tatuagens. Na altura, “eram feitas com três agulhas e tinta-da-china. Faziam, às vezes, um esboço, um desenho a caneta”, descreve João Cabral Pinto. “As tatuagens eram feitas por camaradas de armas, destros. Diria 80%. O resto, mais ou menos em partes iguais, civis e locais. E os próprios. Daí, o lado esquerdo ser o mais tatuado”, esclarece. “O antebraço é o que está mais tatuado porque está à vista. Queriam mostrar. E no verão mostram tudo”, sorri.

Este movimento de tatuagens “acontece informalmente no território militar. Parte dos militares não se tatuou durante o período da guerra colonial”, avisa. “A totalidade dos que o fizeram foi de tal modo importante e impactante que foi considerado uma subcultura informalmente inserida na estrutura militar. Os militares nunca assumiram a tatuagem, não é oficial”, atira.

Das inúmeras imagens cravadas nos corpos de ex-combatente, duas não o deixaram indiferente. “Um homem com uma corrente quebrada no peito. Quando a mostrou apanhei um susto. Disse-me que era um grito de libertação. Um grito para se libertar de tudo”. A outra carrega o divino. “Um rapaz de 75 anos com um Cristo crucificado nas costas”, anota. “É a minha guarda. Guarda-me as costas”, disse.

“Não me meto na interpretação do desenho”, revela. "Mas sei que a cobra representava o mato africano. A faca é a luta”. Uma “caveira e ossos” é comum. “Sou mau, tenho sorte e vou lixar-vos. Estou aqui para estar na guerra”, sustenta.

A conversa decorre e aproxima-se do fim à medida que folheamos as quase duzentas páginas do livro. “Reduzi de 350 páginas para 192”, explica. Fez uma “síntese”, adianta. “Expurguei considerações políticas, militares e sociais e expurguei as ciências sociais e humanas, porque isto tem um lado sociológico”, garante João Cabral Pinto.

O mais marcante, para além da visualização das tatuagens, foi o facto de serem “intensas para o ânimo e desânimo”, frisa. “Para uns, foi uma viagem a uma fase de vida, para outros, o lado negativo. O lado do 'julgava que ia morrer, que via os camaradas a morrer e que nunca mais me vinha embora,' do 'vou ao puto', que significa ir à metrópole”, retrata. “Foram para a guerra com 18 anos. Tatuaram-se com 18 e 20 anos. Hoje são putos tatuados com 75 anos”. No fundo, é gente orgulhosa de ter servido a pátria”, analisa o autor, filho de um militar que esteve em Angola.

“Foram conversa muito intensas. Chorei a fazer isto. Não tocava há cinco anos [no projeto] e abrir o livro outra vez e começo a lembrar-me das situações emocionantes que não estão aqui partilhadas. Talvez para uma próxima”, antecipa.

“Tenho tido muitas respostas da estrutura militar. Dizem-me que é património cultural. É memória coletiva. Uma memória que não se apaga. Como as tatuagens de quem lá esteve. Não pode desaparecer. São imagens. São memórias. Que se guardam. Que ficam. Que não se podem apagar”, resume.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Concelho de Odemira

Enviaram-me hoje e agradeço-o ao meu amigo Carlos Alberto.
Já publiquei aqui há uns tempos um vídeo promocional sobre a cidade do Porto. Hoje trago-vos o concelho de Odemira num vídeo encomendado pela Câmara Municipal de Odemira.

Críticas minhas, que valem o que valem:

A narrativa não gosto. Despreocupada demais e com um timbre de voz, algo irritante (digo eu !). Uma história que poderia ser mais bem contada. De resto… Video Excelente, de mais um concelho maravilhosa do nosso querido Portugal !

Vão para fora, cá dentro !!!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O Amolador de tesouras e navalhas...

Infelizmente, no tempo em que eles tinham um “carro” todo catita, onde transportavam um pequeno equipamento de afiar as tesouras e navalhas, um chapéu-de-chuva do qual retiravam as varetas para arranjar os avariados que os clientes lhes levavam, nesse tempo, dizia eu, não haviam os meios de gravação de imagem que hoje existem, como um simples telemóvel. Foi com um que gravei este pequeno “clip” este Domingo.


Hoje e, ultimamente, tenho visto amoladores com uma bicicleta em vez do carro tradicional como este que se vê aqui.


Antigamente, dizia-se, “lá está ele a adivinhar chuva !”. Espero que não, este ano estamos um bocado farto dela e acho que já tivemos a nossa conta !

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

No São Martinho o que elas sabem bem…

O casal Ramos (Madalena e Manuel) que negoceiam em castanhas assadas, junto ao Centro Comercial das Palmeiras, em Carcavelos, têm um peculiar (?) “carro” onde as vendem.
 
 
Excelentes as suas castanhas!

No dia de São Martinho, castanhas e vinho - Penafiel 2010

Eu voto nestes habitantes de Valsousa (Penafiel). Viva o São Martinho e as castanhas !!!     
                       
       
           
Filmado pela TV de Valsousa
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Igreja de Santos-o-Velho (1147)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)   
       
Lisboa é a minha cidade, onde nasci, cresci e de onde hei-de partir. Deixo-vos algumas fotos antigas, da cidade ainda inteira, não destruída, como tem sido, pela sociedade moderna, ou por aqueles que só tem interesse em dinheiro e poder, e ignoram pura e simplesmente a cultura, a tradição e a história de uma urbe. Uma das mais antigas da Europa.  
         
(O documento em "Powerpoint" onde estas fotos existiam, tinha o nome de FCosta como sendo o seu autor. Não sei sequer se essa pessoa é o dono das mesmas. São fotos da maravilhosa cidade de Lisboa. Vou passar aqui algumas fotos que esse documento continha para mostrar a minha cidade há mais de 50 anos.)           
            
Sobre os vestígios de um presumível templo tardoromano do século IV, dedicado aos santos mártires Veríssimo, Máxima e Júlia, foi edificada nova igreja em 1147. Mas são as intervenções de 1696 pelo arquitecto João Antunes - torres sineiras, frontespício e púlpito - e as obras de restauro em 1861 e 1876 que lhe conferiram o perfil que hoje conhecemos. Trata-se de uma igreja cuja fachada principal, de um só corpo, ladeada por duas torres sineiras e rematada por frontão triangular vazado por janela iluminante, surge rasgada, a eixo, por um portal de arco abatido fechado por grade de ferro, de acesso à galilé, encimado por um relevo dos santos mártires, orago da igreja, e por um janelão emoldurado a cantaria lavrada e coroado de ática. Na galilé, para além da porta principal, temos o acesso à Capela dos Santos Mártires, onde se crê estar a sepultura dos mesmos. O interior da igreja, coberto por falsa abóboda de berço em madeira pintada e dourada, apresenta nave única aberta a 6 capelas laterais (3 de cada lado), à Capela de Nª Senhora da Conceição do lado direito do arco triunfal e à Capela do Santíssimo Sacramento. Na capela-mor profunda, evidencia-se a pedra de armas dos marqueses de Abrantes, os quais cederam o terreno para a construção da capela-mor, ficando com acesso às tribunas laterais da mesma através do seu palácio contíguo ao templo. Por sua vez, no altar-mor observa-se sobre o trono as imagens dos 3 padroeiros da igreja.
 
Melody Gardot – Lisboa       
          

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pat Metheny e mais dez baladas …(XIV)

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,       
           
Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,      
           
No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.      
          
José Saramago, “Intimidade”, in “Os Poemas Possíveis”         
           
Don't forget (Renato's theme), do álbum “Passagio per il paradiso” de 1996, para a etiqueta Geffen.     
        
          
          
Antonia, do álbum “Secret Story” de 1992, para a etiqueta Geffen.      
           

domingo, 20 de outubro de 2013

Pat Metheny e mais dez baladas …(XIII)

Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes
Batendo as asas leves, irisadas,
Poisam nos meus, suaves e cansadas
Como em dois lírios roxos e dolentes...   
      
E os lírios fecham... Meu Amor, não sentes?
Minha boca tem rosas desmaiadas,
E as minhas pobres mãos são maceradas
Como vagas saudades de doentes...      
          
O Silencio abre as mãos... entorna rosas...
Andam no ar carícias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando...     
          
E a tua boca rubra ao pé da minha    
É na suavidade da tardinha
Um coração ardente palpitando...       
         
Florbela Espanca, “Crespúsculo”, in “Livro de Soror Saudade”        
           
Sueño con Mexico, do álbum “New Chautauqua” de 1979, para a etiqueta ECM.      
           
       
             
Sisters, do álbum “A Map of the World” de 1999, para a etiqueta Warner Bros.. 
       

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pat Metheny e mais dez baladas …(XII)

Assim que te despes
as próprias cortinas
ficam boquiabertas
sobre a luz do dia     
      
Os teus olhos pedem
mas a boca exige
que te inunde as pernas
toda a luz do dia      
     
Até o teu sexo
que negro cintila
mais e mais desperta para a luz do dia       
         
E a noite percebe
ao ver-te despida
o grande mistério
que há na luz do dia
            
David Mourão-Ferreira, “Assim que te despes”, in “O corpo iluminado”      
         
Farmer's trust, do álbum “Travels I” de 1983, para a etiqueta ECM.     
            
        
           
The Falcon, do álbum “The Falcon and the Snowman” de 1985, para a etiqueta EMI America.        
         

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pat Metheny e mais dez baladas …(XI)

Flor de acaso ou ave deslumbrante,
Palavra tremendo nas redes da poesia,
O teu nome, como o destino, chega,
O teu nome, meu amor, o teu nome nascendo
De todas as cores do dia!       
         
Alexandre O’Neill, “O teu nome”, in “No Reino da Dinamarca”        
          
Hermitage, do álbum “New Chautauqua” de 1979, para a etiqueta ECM.    
        
        
            
Marta's stag story, do álbum “Passagio per il paradiso” de 1996, para a etiqueta Geffen.       
    

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Pat Metheny e mais dez baladas …(X)

As baladas são sempre o encontro do Amor e da Paixão, e são a escolha de inúmeros artistas para levarem mensagens aos seus ouvintes, leitores e espectadores. Pat Metheny não é um compositor diferente dos outros. Ouçam a beleza destas duas primeiras.    
           
Más allá (beyond), do álbum “First Circle” de 1984, para a etiqueta ECM.  
          
         
         
Always and Forever, composição dedicada aos seus Pais, e do álbum “Secret Story” de 1992, para a etiqueta Geffen.      
          

sábado, 5 de outubro de 2013

Estádio José de Alvalade (1956)

 
(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)    

 
Lisboa é a minha cidade, onde nasci, cresci e de onde hei-de partir.
Deixo-vos algumas fotos antigas, da cidade ainda inteira, não destruída, como tem sido, pela sociedade moderna, ou por aqueles que só tem interesse em dinheiro e poder, e ignoram pura e simplesmente a cultura, a tradição e a história de uma urbe. Uma das mais antigas da Europa.    
         
(O documento em "Powerpoint" onde estas fotos existiam, tinha o nome de FCosta como sendo o seu autor. Não sei sequer se essa pessoa é o dono das mesmas. São fotos da maravilhosa cidade de Lisboa. Vou passar aqui algumas fotos que esse documento continha para mostrar a minha cidade há mais de 50 anos.)
        
O Estádio José Alvalade, inaugurado em 1956, foi o sexto principal campo de jogos do Sporting Clube de Portugal, servindo o clube durante quase metade da sua história. Sendo um estádio multidesportivo, foi utilizado não apenas em jogos de futebol como casa do Sporting Clube de Portugal, mas também em eventos de ciclismo, atletismo e outros eventos incluindo inúmeros concertos musicais. Chegou a ter capacidade para 75.000 pessoas.
O estádio foi edificado segundo projecto do arquitecto Anselmo Fernandez, posteriormente técnico da conquista da Taça das Taças. A necessidade de construção de um recinto de proporções monumentais surgiu de problemas de lotação registados nos anteriores estádios. A caminho do cinquentenário, o clube iniciou a construção do novo estádio, com instalações de raiz e muito maior lotação.     
A construção foi financiada em parte pelos sócios do clube, incluindo as comissões Central do Estádio, do Cimento e das Festas, e do Concurso Publicitário. Através de rifas e donativos, obtiveram-se 7.716.539 escudos.   
     
Datas importantes da construção:    
        
18/12/1954: Aprovação do Projecto de Construção;
27/03/1955: Início da Construção;
10/06/1956: Inauguração do Estádio.           
      
Desde os finais dos anos 80 e anos 90 que Alvalade é o palco dos grandes concertos em Portugal. Nomes como: “Pink Floyd”, “Metallica”, “Prince”, “Genesis”, “Phil Collins”, “Tina Turner”, “Whitney Houston”, “U2”, “The Cure”, “The Rolling Stones”, “Depeche Mode”, “Joe Cocker”, “Bryan Adams”, “GNR”, “David Bowie”, “Guns N' Roses”, “AC/DC”, “Bruce Springsteen”, já marcaram presença em Alvalade. Antes de o estádio abrir as portas a estes nomes mundiais (excepto os GNR), Portugal não fazia parte da rota das grandes tours. Desde então Alvalade passou a fazer parte da agenda dessas e de outras bandas.   
 



Maria José Valério – Hino do Sporting Clube de Portugal  
     

sábado, 21 de setembro de 2013

Rua do Alecrim

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos) 
        
Lisboa é a minha cidade, onde nasci, cresci e de onde hei-de partir.
Deixo-vos algumas fotos antigas, da cidade ainda inteira, não destruída, como tem sido, pela sociedade moderna, ou por aqueles que só tem interesse em dinheiro e poder, e ignoram pura e simplesmente a cultura, a tradição e a história de uma urbe. Uma das mais antigas da Europa.  
        
(O documento em "Powerpoint" onde estas fotos existiam, tinha o nome de FCosta como sendo o seu autor. Não sei sequer se essa pessoa é o dono das mesmas. São fotos da maravilhosa cidade de Lisboa. Vou passar aqui algumas fotos que esse documento continha para mostrar a minha cidade há mais de 50 anos.)      
           
É uma rua da cidade de Lisboa que vai “desaguar” ao Largo de Camões (Praça Luís de Camões). Liga o Cais do Sodré (em parte aqui na foto), subindo sempre, em direcção à dita praça.         

 
Oficina de Música – Alecrim    
          

sábado, 7 de setembro de 2013

Praça do Município (19??)

Lisboa é a minha cidade, onde nasci, cresci e de onde hei-de partir.
Deixo-vos algumas fotos antigas, da cidade ainda inteira, não destruída, como tem sido, pela sociedade moderna, ou por aqueles que só tem interesse em dinheiro e poder, e ignoram pura e simplesmente a cultura, a tradição e a história de uma urbe. Uma das mais antigas da Europa. 
       
(O documento em "Powerpoint" onde estas fotos existiam, tinha o nome de FCosta como sendo o seu autor. Não sei sequer se essa pessoa é o dono das mesmas. São fotos da maravilhosa cidade de Lisboa. Vou passar aqui algumas fotos que esse documento continha para mostrar a minha cidade há mais de 50 anos.)     
          
A Praça do Município é uma praça localizada em Lisboa. Fica a Oeste da Praça do Comércio, na rua do Arsenal. Alberga o edifício dos Paços do Concelho, sede da Câmara Municipal de Lisboa. À varanda da Câmara Municipal de Lisboa, no dia 5 de Outubro de 1910, foi proclamada a república perante milhares de pessoas nesta praça. Ainda hoje, as comemorações da Implantação da República lá se realizam. No seu centro localiza-se o pelourinho de Lisboa.
 

João Braga – Fado de Lisboa            
             

sábado, 24 de agosto de 2013

Praça Dom Pedro IV / Rossio / Rocio (século XII, reconstruída em 1755)

Lisboa é a minha cidade, onde nasci, cresci e de onde hei-de partir.
Deixo-vos algumas fotos antigas, da cidade ainda inteira, não destruída, como tem sido, pela sociedade moderna, ou por aqueles que só tem interesse em dinheiro e poder, e ignoram pura e simplesmente a cultura, a tradição e a história de uma urbe. Uma das mais antigas da Europa.  
           
(O documento em "Powerpoint" onde estas fotos existiam, tinha o nome de FCosta como sendo o seu autor. Não sei sequer se essa pessoa é o dono das mesmas. São fotos da maravilhosa cidade de Lisboa. Vou passar aqui algumas fotos que esse documento continha para mostrar a minha cidade há mais de 50 anos.) 
         
A Praça de D. Pedro IV, é uma praça da Baixa de Lisboa, mais conhecida pelo seu antigo nome de Rossio e antes Rocio, tem constituído o centro nevrálgico da cidade. No período romano aqui existiu um hipódromo. Esta zona baixa da cidade, antes do século XII, era navegável. Era chamada Valverde, devido a um afluente do rio Tejo. O imundo caneiro do Rossio foi coberto ainda na Lisboa de quatrocentos. Era uma praça irregularmente esguelhada mas foi sempre um espaço amplo onde se realizavam feiras e mercados. 
Ainda na Idade Média começou a ser rodeado de edifícios de vária natureza. No século XV, a este, estabeleceu-se o Hospital de Todos os Santos, construído nos reinados de D. João II e de D. Manuel I, que assentava sobre 25 arcos ogivais de pedraria, tendo a meio o templo, de esplêndida arquitectura manuelina, em cuja fachada se abria um pórtico em gótico floreado com os emblemas dos fundadores. Sob a arcaria ficava a ermida da Senhora do Amparo, na altura em que se acha hoje a rua com esse nome, para o lado da Betesga a roda dos enjeitados. Ao norte do Hospital, levanta-se o Convento de São Domingos de Lisboa, fundado em 1242 pelo rei D. Sancho II, acrescentado depois por D. Afonso III e novamente aumentado por D. Manuel I. O terramoto de 1531 arruinou-o muito, o que obrigou a nova reedificação em 1536. Era notável a sua riqueza em alfaias preciosas, havendo uma imagem de prata maciça, que saía em procissão num andor do mesmo metal, alumiada por lâmpadas também de prata. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a capela-mor, mandada fazer por D. João V e riscada pelo arquitecto João Frederico Ludovice. A velha Igreja de São Domingos ficava junto à ermida de Nossa Senhora da Escada, também conhecida por Nossa Senhora da Corredoura, por ficar próximo do sítio deste nome, actualmente a Rua das Portas de Santo Antão, e cuja construção datava dos princípios da monarquia. Em antigos tempos, quando os reis viviam no Palácio dos Estaus, servia de capela real. O terramoto causou-lhe grande destroço, sendo arrasada em 1834 para edificação do prédio que torneia do Rossio para o Largo de São Domingos. No topo norte da praça, onde se abre hoje o Largo D. João da Câmara, ficava o Palácio dos Estaus com as suas torres de três andares, edificada em 1449 pelo infante D. Pedro, o regente, para hospedar as pessoas da corte sem residência própria e os monarcas e embaixadores estrangeiros. Neste paço habitou D. João III desde 1540, recebendo ali nesse ano São Francisco Xavier, e aí se realizaram muitas festas de corte. Foi aí que morreu D. Duarte, filho de D. João III , e que D. Sebastião recebeu das mãos do cardeal D. Henrique o governo do reino. Em 1571 nele se instalou o Tribunal e a Sede da Inquisição, sendo então oficialmente designado por Casa de Despacho da Santa Inquisição. Pelo terramoto de 1755 ficou muito arruinado, sendo reedificado sob a direcção de Carlos Mardel e pelo arquitecto Manuel Caetano de Sousa (1738-1802). Para o lado de Santo Antão ficavam outros dois palácios e para o lado oposto o Palácio dos Faros, que veio a pertencer aos Duques do Cadaval, e ocupava pouco mais ou menos o sítio onde se eleva hoje a Estação do Rossio. O centro da praça era de terra batida, ficando a oeste, quase em frente a S. Domingos, o famoso chafariz do Rossio, fonte monumental adornada por um Neptuno de pedra, construído no fim do século XVI e derrubado em 1786.
Após o terramoto de 1755, a praça foi reconstruída segundo o plano de Carlos Mardel pois poucos edifícios lhe resistiram, renascendo uma praça rectangular de 166 m comprimento x 52 m largura. No lugar do Palácio dos Estaus, em 1807, passou a instalar-se o Paço da Regência e, em 1826 a Câmara dos Pares, sendo também ali instalada a Academia Real de Fortificação, a Secretaria da Intendência da Polícia, a Escola do Exército e o Tesouro Público. Em 1836, funcionando nele o Tesouro, ardeu completamente. No seu lugar, foi construído o Teatro Nacional D. Maria II, inaugurado em 1846.
Assistiu esta praça a touradas, festivais, feiras, revistas e paradas militares, festas cortesãs, revoluções populares e também a autos-de-fé durante a Inquisição ou execuções capitais. Foi no Rossio que se deram os tumultos populares depois da morte de D. Fernando e que foi abandonado o cadáver do bispo D. Martinho, precipitado das torres da Sé de Lisboa. Aí foi queimado vivo Garcia Valdez, autor de uma conspiração contra o Mestre de Avis, e aí foram decapitados em 26 de agosto de 1641, o Duque de Caminha, o Marquês de Vila Real e o Conde de Armamar, réus do mesmo crime em relação a D. João IV. Finalmente, nas lutas liberais e miguelistas, foi aqui o teatro do sufocado pronunciamento constitucional de infantaria 4, em 22 de agosto de 1831, em que morreram para cima de 300 homens.
Entre 1846 e 1849 na praça é construído o Teatro D. Maria II, a praça é arborizada, as fontes monumentais colocadas, a estátua de D. Pedro IV inaugurada, o pavimento é calcetado com mosaico português, a preto e branco, com padrões ondulantes. Foi um dos primeiros desenhos desse tipo a decorar os pavimentos da cidade.
Onde são hoje os números 22-25 e 27-29, ficavam no princípio do século XIX os celebérrimos botequins do Nicola e das Parras, onde se reuniam os literados do tempo, Manuel Maria Barbosa du Bocage, Nuno Álvares Pato Moniz, Francisco Joaquim Bingre, João Vicente Pimentel Maldonado, etc.. Ali improvisou Manuel Maria Barbosa du Bocage muitos dos seus sonetos e das suas mais famosas sátiras.
Hoje assiste a ocasionais comícios políticos, e os seus sóbrios edifícios pombalinos, já muito alterados, estão ocupados por lojas de recordações, joalharias e cafés.
 

Júlio Pereira – Chula de Lisboa