Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

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sábado, 30 de abril de 2022

Alcunhas Alentejanas (18) - Ralo

 É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

 


Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto.Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Ralo (a) – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação rejeitada, alcunha de referência, classificação: física/comportamental; história: Designação aplicada a um sujeitoi que tem a barba muito rala (Aljustrel); o visado, em criança, era muito franzino (Serpa); indivíduo que anda sempre a aborrecer os outros (Serpa); o receptor adquiriu esta alcunha porque assobia com o ralo de um regador (Moura).

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

ralo | s. m.

ralo | adj.

ralo | s. m.

1ª pess. sing. pres. ind. de ralar

ra·lo 1

(latim rallum, -i)

nome masculino

1. Ralador.

2. Fundo da peneira, da joeira, do crivo, etc.

3. Espécie de crivo que se coloca no orifício de um cano para não deixar passar nada que o obstrua.Ver imagem

4. Peça metálica crivada de buracos que se adapta a uma porta de escada para ver quem chama.Ver imagem = CRIVO

5. Apêndice do regador para borrifar. = CRIVO

6. Peça com buracos ou grade em confessionários ou conventos, que se destina geralmente a ver sem ser visto.Ver imagem = CRIVO, RÓTULO

7. Grade que permite fechar uma porta ou janela, mantendo a iluminação parcial e o arejamento.Ver imagem = GELOSIA, RÓTULA

8. [Entomologia]  Insecto ortóptero, semelhante ao grilo, muito nocivo às plantas. = RELA

9. Antiga embarcação indiana.

Palavras relacionadas: 

crivacrivocrivadocrivaçãocrivarralaralete

ra·lo 2

(latim rarus, -a, -um)

adjectivo

1. Pouco denso. = RARO ≠ ESPESSO

2. Que existe em pouca quantidade.

3. Que tem espaços entre si. = ESPAÇADO, INTERVALADO

Palavras relacionadas: 

raladoralaçãoarralentararralarralaralezaralão

ra·lo 3

(francês râle)

nome masculino

1. Ruído anormal nas vias respiratórias.

2. Estertor.

Palavras relacionadas: 

raladoralezaralaralaçãoralãoarralentararralar

ra·lar - Conjugar

verbo transitivo

1. Raspar com o ralador; esmagar; moer; triturar.

2. Chatear, aborrecer; importunar; apoquentar.

3. [Figurado]  Atormentar; amofinar.

verbo intransitivo

4. [Portugal: Trás-os-Montes]  Coaxar.

5. [Brasil, Informal]  Trabalhar muito (ex.: eles ralam pesado durante a semana toda e só descansam no domingo).

Palavras relacionadas: 

ralaçãoraladoralorala, , apoquentaraporrinhar

"ralo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/ralo [consultado em 24-07-2020].

Porto Editora (online)

ralo1

ˈʀalu

nome masculino

1. peça com orifícios ou grade, colocada na abertura de uma canalização de esgotos, no fundo de banheiras, lavatórios, tanques, etc., ou ao nível do chão, para possibilitar o escoamento de águas e a retenção de detritos

2. parte do encanamento que se localiza imediatamente abaixo desta peça

3. ralador

4. fundo do crivo ou da peneira

5. tampa crivada de orifícios colocada no bico dos regadores para permitir a saída e a distribuição da água

6. peça, com buracos ou grade, que se adapta a uma porta, janela, confessionário, etc., permitindo a entrada do ar e ver para fora sem ser visto

7. ZOOLOGIA designação comum, extensiva a diferentes espécies de insectos ortópteros, da família dos Grilotalpídeos, que apresentam as patas anteriores adaptadas à escavação, sendo comuns em terras de cultura, onde destroem as raízes de diversas plantascachorro-da-areia, grilo-toupeira, raro

Do latim rallu-, «raspador»

ralo2

ˈʀalu

nome masculino

ruído produzido pela respiração das pessoas atacadas de doença nas vias respiratóriaspieira

Do francês râle, «ruído no pulmão»

ralo3

ˈʀalu

adjectivo

1. pouco denso, pouco espesso, raro

2. com intervalos, espaçado

3. que aparece ou existe em pequena quantidade

ralo4

ˈʀalu

nome masculino

NÁUTICA antiga embarcação indiana

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Alcunhas Alentejanas (17) - Quarenta

 É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.


Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto. Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Quarenta – masculino, cognome individual, designação familiar, alcunha adquirida, designação assumida/ designação rejeitada, alcunha de tratamento, alcunha de referência, passagem a apelido; classificação: comportamental; história: O visado, aos dez anos, já andava a guardar porcos numa herdade. Como não foi à escola só sabia contar até quarenta. Então, quando o patrão à noite lhe perguntava se tinha contado os porcos, ela respondia: “Sim patrão. São quarenta!” (Portalegre); sujeito que só sabia contar até 40 (Viana do Alentejo). Existe também em Barrancos, Cuba, Elvas, Grândola, Odemira, Portel, Redondo, Santiago do Cacém, Vendas Novas, Ponte de Sôr, Estremoz, Serpa e Avis.

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

qua·ren·ta

(latim quadraginta)

quantificador numeral cardinal de dois géneros plural

1. Número que se obtém quando a trinta e nove se adiciona uma unidade.

nome masculino

2. O número que representa quarenta.

3. O quadragésimo indivíduo ou objecto de uma série.

quarentas

nome masculino plural

4. Idade aproximada entre os 40 e os 49 anos (ex.: está nos quarentas e vive em casa dos pais).

Nota: forma os numerais cardinais entre 40 e 50 quando seguido da conjunção e e das unidades (ex.: quarenta e um; quarenta e dois).Palavras relacionadas: 

quadragésimotrintaquadragésimaquarentarquadragenárioquarentãoquarentena


"Quarenta", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/Quarenta [consultado em 24-07-2020].

Porto Editora (online)

qua.ren.ta

kwɐˈrẽtɐ

quantificador numeral cardinal

trinta mais dez

nome masculino

1. o número 40 e a quantidade representada por esse número

2. o que, numa série, ocupa o quadragésimo lugar

RELIGIÃO Quarenta Horas

cerimónia que consiste em expor o Santíssimo em memória das quarenta horas durante as quais Jesus esteve sepultado

Do latim quadraginta, «quarenta»

segunda-feira, 14 de março de 2022

Alcunhas Alentejanas (16) - Padrinho

É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

 


Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto.Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

 

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Padrinho – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação rejeitada, alcunha de referência, classificação: comportamental/referencial; história: Alcunha atribuída a um indivíduo que é considerado pela população um “mafioso” (Borba); sujeito que tem um padrinho para arranjar emprego (Barrancos). Existe também em Castro Verde.

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

pa·dri·nho

(latim vulgar patrinus, do latim pater, -tris, pai)

nome masculino

1. O que apresenta o neófito ao baptismo.

2. O que serve de testemunha no casamento, doutoramento ou duelo.

3. [Figurado]  Protector.

padrinhos

nome masculino plural

4. Conjunto formado pelo padrinho e pela madrinha, em relação ao afilhado.

Feminino: madrinha.

Palavras relacionadas: 

madrinhaafilhadodindinhotestemunhacompadreparaninfodindo


"padrinho", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/padrinho [consultado em 24-07-2020].

Porto Editora (online)

pa.dri.nho

pɐˈdriɲu

feminino: madrinha

nome masculino

1. aquele que serve de testemunha no baptismo, em casamento, doutoramento ou duelo

2. aquele que dá o nome a alguém ou a alguma coisa

3. figurado protector

4. figurado defensorpatrono

Do latim vulgar *patrīnu-, «idem»  

quarta-feira, 9 de março de 2022

Alcunhas Alentejanas (15) – Olhinho de Boga

É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

 

 

Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto.Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Olhinho de Boga – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação assumida, alcunha de tratamento, classificação: física/zoomórfica; história: O alcunhado tem este nome porque tem os olhos saídos para fora (Arraiolos); sujeito que tem muita falta de vista (Mértola); atribuíram esta designação ao alcunhado porque consideram que eles tem “olhos de peixe” (Campo Maior).

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003) 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Alcunhas Alentejanas (14) - Nove

É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

 


Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

 

Nove – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação assumida, designação rejeitada, alcunha de tratamento, alcunha de referência, classificação: comportamental e geográfica; história:  O receptor era analfabeto e não distinguia bem o valor dos números. Um dia, convidaram-no para fazer um trabalho e disseram-lhe que pagariam dez escudos por dia e, então ele disse: “Dez não!  Só se for por nove!” (Portel); homem que viveu num moinho com este nome (Portel). Existe também em Fronteira.

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

nove | adj. 2 g. pl. num. card. | num. ord. | s. m.

no·ve

quantificador numeral cardinal de dois géneros plural

1. Oito mais um; nono.

adjectivo numeral

2. Último numa série de nove ou que tem o número 9 ou a nona posição. = NONO

nome masculino

3. O algarismo 9.

4. Número nove.

5. Carta de jogar que tem nove pontos.

Palavras relacionadas: 

non nova, sed novenononovecentosnónuplononaeneágonoanovear

"Nove", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/Nove [consultado em 16-06-2020].

Porto Editora (online)

nove

no.ve ˈnɔv(ə)

quantificador numeral cardinal

oito mais um

nome masculino

1. o número 9 e a quantidade representada por esse número

2. o que, numa série, ocupa o nono lugar

3. carta de jogar com nove pintas

prova dos nove(s)

1. verificação prática de contas que consiste na extracção dos noves

2. figurado processo para confirmar ou infirmar a veracidade de um facto

Do latim nove-, «idem» 

domingo, 19 de setembro de 2021

Alcunhas Alentejanas (13) - Machacão

É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.  

Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto.Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Machacão – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação rejeitada, alcunha de referência, classificação: comportamental e linguística; história: O alcunhado bebia muito e, quando estava embriagado dizia: “Cá o machacão é valente!”, pretendendo dizer: “Cá o machão é valente!” (Mora).

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Alcunhas Alentejanas (12) - Lagarto

 É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto. Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal.

Esta publicação terá somente 26 números (alfabeto) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Lagarto (a) (s) – masculino ou feminino, cognome individual, designação familiar, alcunha adquirida, alcunha herdada, designação assumida, designação rejeitada, passagem a apelido; classificação: zoomórfica / comportamental / filiação / física; história: O alcunhado adquiriu esta alcunha porque muda de pele com muita frequência (Beja); indivíduo que gosta muito de vestir roupa verde (Aljustrel, Avis, Fronteira, Campo Maior e Grândola); o receptor tem uma forma de andar e mover a cabeça que se assemelha a um largarto (Grândola); trata-se de uma alcunha herdada de seu pai, que faz praia numa barragem (Mora); o alcunhado adquiriu esta alcunha porque tem o hábito de andar atrás de lagartos (Cuba, Portel e Viana do Alentejo); o visado tem uma grande paixão pelo Sporting (Portalegre e Moura); o nomeado tem esta alcunha porque era muito hábil na ginástica, quando cumpriu o serviço militar (Santiago do Cacém). Existe também em Estremoz, Alcácer do Sal, Alter do Chão, Évora, Barrancos, Castro Verde, Cuba, Alandroal e Moura.

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

la·gar·to

(latim lacertus, -i)

nome masculino

1. [Zoologia]  Réptil sáurio, de cabeça oval e corpo quase cilíndrico, muito ágil, e de muita utilidade para a agricultura, por se alimentar de insectos.

2. Sardão.

3. [Ictiologia]  Peixe dos Açores.

4. Polpa da perna.

5. [Portugal]   [Culinária]  Tira de carne suína retirada da zona entre o lombo e o entrecosto (ex.: lagartos de porco preto grelhados). [Mais usado no plural.]

6. Aparelho com que se apertam as rolhas de cortiça.

7. [Marinha]  Passadeira com tiras de gacheta.

8. [Informal]  Adepto do Sporting Clube de Portugal. = Sportinguista

9. [Brasil]  Tendão.

 

lagarto do braço
• Parte carnuda entre o cotovelo e o ombro.

Palavras relacionadas: 

lagartasáurioaligátor-saurocobrasardãolagarteira

"lagarto", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/lagarto [consultado em 16-06-2020]. 

Porto Editora (online)

Lagarto la.gar.to

lagarto1lɐˈɡartu

nome masculino

1. ZOOLOGIA designação comum, extensiva a diferentes répteis sáurios, que geralmente apresentam cabeça ovalada, pálpebras móveis, corpo escamado, de formato alongado e com patas curtas e cauda longa, fina e pontiaguda

2. ICTIOLOGIA (Synodus saurus) peixe comum em águas açorianas, que se destaca pelo padrão cromático do dorso, composto por manchas escuras características, que contribuem para a sua camuflagem nos fundos rochosos em que habitualmente se encontra

3. popular designação de alguns dos músculos do braço e da perna

4. DESPORTO popular adepto do Sporting Clube de Portugalsportinguista

5. CULINÁRIA plural tiras de carne de porco extraídas da região entre o lombo e o entrecosto do animal

lagarto, lagarto!

esconjuro para afastar uma ideia má

Do latim vulgar *lacartu-, por lacertu-, «idem»

lagarto2lɐˈɡartu

nome masculino

Guiné-Bissau crocodilo

Do crioulo guineense lagártu, «idem», do português antigo lagarto, «crocodilo»