Algures
pelas terras circundantes em Santarém
O nosso grupo. Em cima: Eu, Alves, e o Apolinário; Em baixo:
Cabaço, Sardinha e o Valadeiro
O Alves, o Alegria e eu, na semana de campo em Vale de
Cavalos
O 5.º Pelotão, do 3.º Esquadrão. 4.ª recruta do CSM de
1974 (Outubro, Novembro e Dezembro).
“Meus senhores isto aqui a Cavalaria é outra
tropa. Aqui vocês são dois dedos acima de polícia, três abaixo de cão !”… já
nem me lembro quem disse isto. Ao mesmo tempo ainda bem que me enganei na estação e em vez de sair em Santarém
saí em Torres Novas, uns bons quilómetros à frente. Logo no primeiro dia
fartei-me de gastar dinheiro. Um carro de aluguer para me levar de retorno a
Santarém, à EPC, Escola Prática de Cavalaria (Destacamento), onde penso que
hoje, ainda é o quartel da GNR ou da PSP, já não me lembro. Também já não paro
nesta cidade escalabitana há alguns anos. O destacamento fechou ao terminar
esta recruta de instruendos do CSM (Curso de Sargentos Milicianos) e, logo de
seguida, quando da descolonização veio a alojar ex-colonos, os polemicamente
chamados de "retornados". Como costumo dizer, andei a fechar quartéis.
Um na recruta e outro na especialidade.
A Escola Prática de Cavalaria também já fechou.
Lembro-me das palavras da minha Mãe, quando a guerra em África começou –
“Quando chegar a tua altura de ires à tropa, a guerra já acabou !” – estávamos
nessa época, a meio da década de 60. A verdade é que, passados 10 anos, ainda
estive mobilizado para Angola e acabei por ir formar batalhão em Santa
Margarida, o Bcaç (Batalhão de Caçadores) 4513, no Verão “quente” de 1975.
O táxi parou à porta de armas do destacamento. Paguei e entrei. Mostrei os meus
documentos. Com o cabelo por cortar, esperavam-me na cauda da fila, um grupo de
três alentejanos. Era dessa fila de mancebos que se ia alimentando a feitura
dos pelotões, para os dois esquadrões possíveis.
- Ò nosso instruendo !!!… - dizia o Cabaço com entoação alentejana - cabelinho
comprido hem ??!! Valadeiro e Sardinha riam. No dia seguinte esperava-me o
corte do dito, no “Gasolinas”, que era o cabo responsável pelo combustível e
que fazia um biscate de barbeiro.
Ao final da tarde, estavam formados dois esquadrões de recrutas, com 5 pelotões
cada, e com mais ou menos 35 homens por pelotão. Tudo isto era o Curso de
Sargentos Milicianos do 4.º Turno de 74, em Santarém. Nas Caldas e em Tavira
também sairiam recrutados futuros sargentos milicianos neste mesmo turno. O 25 de Abril já tinha acontecido, estávamos em Outubro. A EPC tinha feito
história nessa data, com a sua coragem e audácia, liderada por homens como o
Capitão Salgueiro Maia e o alferes Maia Loureiro.O alferes era por sinal o comandante do 4.º Esquadrão que ali se tinha acabado
de formar. O meu esquadrão, o 3.º, era comandado pelo Tenente Miguéis.



