Teus olhos contas escuras, são duas Avé Marias, dum rosário d’amarguras, que eu rezo todos os dias. - Fernando Pessoa

domingo, 21 de outubro de 2018

Belo Canto e Vozes (III) – Barítono e Baixo

(In Wikipédia - Todos os excertos foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos) e ainda (In http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx).

Esta a terceira de três publicações que fiz para o meu anterior blogue “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” (já apagado!), irão passar aqui de seguida. Deveriam ter vindo antes das que fiz sobre ópera, mas como “mais vale tarde que nunca”. E vamos começar por uma breve introdução e explicação.

Não sou ignorante em termos de música, mas não aprendi teoria sobre o belo canto, e sobre uma das disciplinas/artes mais bonitas que existem que é o culto da voz  humana.
Não sei muito e pesquisei sobre o belo canto e as suas vozes, para vos levar, e aí sim, é esse o meu principal intuito, a conhecer e a frequentarem, pelo menos uma vez, uma ida ao teatro para ouvirem e verem um espectáculo de ópera.

Primeiro que tudo vamos aprender o termo tessitura que é importante para continuarmos esta explicação:

Tessitura substantivo feminino
1. Música -  Disposição das notas musicais para se acomodarem a certa voz ou instrumento.
2. Figurado - Contextura; organização.

Barítono  substantivo masculino
1. Cantor cuja voz medeia entre a do baixo e a do tenor.
2. Instrumento metálico de sopro.

Baixo adjectivo
adj.
11. Cantor que dá as notas graves.
12. Corda (de instrumento) que dá sons graves.
13. Mar. Parte exterior do navio abaixo da linha de água.

Então vamos ver como se definem os barítonos e os baixos, as vozes médias e graves, respectivamente, que os homens podem ter:

Barítono Ligeiro - é o timbre mais leve entre os barítonos, de grande extensão aguda e cor clara, possui grande agilidade e é flexível dinamicamente, é conhecido no repertório francês em operetas e óperas escritas para a voz de Jean-Blaise Martin – “Barítono Martin” que criou diversos papéis em operetas e um estilo de técnica anasalada que torna o timbre mais claro e menos volumoso, o idioma francês ajuda na emissão anasalada e nas palavras pronunciadas. Sua tessitura usual é do Sol1 ao Sib3 (Dó4).

Barítono Lírico - é o timbre típico do barítono: É expressivo, igualmente timbrado, de sonoridade melódica e harmónica, dinamicamente flexível. Possui uma cor escura e aveludada, a agilidade não é espontânea, mas não é impossível. Sua tessitura usual é do Sol1 ao Sol3.

Barítono Dramático - é o timbre mais pesado dos barítonos, mais escuro e mais metálico, um timbre igualado em ambos os registos com grande amplidão sonora, com generosidade em interpretações dramáticas. Sua tessitura usual vai do Fá1 ao Sol3.

Barítono Alto ou de Carácter - é o um tipo de Barítono Dramático mais intenso e com um registo agudo seguro, é expressivo, muito metálico de grande amplidão sonora, é o barítono típico do reportório de Verdi, cheio de dramatismo e vigor. Sua tessitura usual é do Sol1 ao Lá3.

Baixo Ligeiro - é o timbre mais leve entre os baixos é mais raro e muito brilhante usado bastante em papéis “buffos” (1) ou de coloraturas em operetas francesas. O timbre é semelhante ao Baixo-Barítono, mas é mais leve de dicção clara, muito ágil e com agudos mais leves e brilhantes. Sua tessitura usual é do Fá1 ao Fá3,raramente vai do Lá3

Baixo Cantante - é o timbre típico do baixo: Igualmente timbrado em toda gama, rico em harmónicos, notavelmente expressivo e capaz de maior vocalização que o Barítono. Sua tessitura usual é do Mib1 ao Fá3.

Baixo Profundo - é o timbre mais grave e mais pesado entre todas as vozes. Muito intenso consequentemente menos igual, que atinge no registo grave uma sonoridade cavernosa e no registo agudo uma qualidade enérgica e um pouco áspera. Sua tessitura usual é do Sib-1 ao Mi3.

Baixo Superprofundo - é o timbre mais grave masculino, com um registo raríssimo, que abarca cerca de duas oitavas abaixo da media, alcançando notas muito graves, o timbre é uma continuação do baixo profundo com um registo grave muito extenso. Sua tessitura usual é do Dó-1 ao Dó3.

(1) “Buffos” são papéis de ópera característicos e de uma tipologia caricata em toda a história da opera buffa napolitana e de suas congéneres desde o “singspiel” de Hamburgo até o “vaudeville” e a “zarzuela”, os cantores buffos são primeiramente actores com “gags” e “cacoetes” que deriva da mais pura tradição da comédia “dell’ arte”, todavia, é também uma voz capaz de inflexões grotescas ou até ridículas assim como os acentos expressivos, nas mais rigorosas linhas do Bel Canto. Não exige grande extensão e beleza vocal, mas deve possuir agilidade fácil e riqueza de matizes.

Vamos aos exemplos de barítonos e baixos, dois de cada, penso ser suficiente.

Começamos com os dois para as vozes de barítonos. Primeiro da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, de Gioacchino Rossini (1792-1868), a ária “Largo Al Factotum”, interpretada pelo Barítono John Rawnsley, no papel de Fígaro, o barbeiro.

John Rawnsley (14-12-1950) – Barítono britânico. Estudo no “Royal Northern College of Music” em Manchester, e fez a sua estreia com a ópera “Der Freischültz”, de Carl Maria von Weber (1786-1826) com a Glyndebourne Touring Opera em 1975. Cantou no papel de “Masetto” em Glyndebourne, em 1977, retornando a “Marcelo” (La Bohême), a “Fígaro” (O Barbeiro de Sevilha), e a Fígaro (Bodas de Fígaro) com a Ópera Nacional Galesa, em


Em segundo lugar, da opera “Carmen” de Georges Bizet (1838-1875), a célebre ária “Toreador”, interpretada pelo Baixo Ruggero Raimondi, no papel de Escamillo, Espada vindo da cidade de Granada.

Ruggero Raimondi (03-10-1941) - Barítono italiano. Raimondi nasceu em Bolonha, Itália. Aos quinze anos de idade ele foi ouvido por Francesco Molinari-Pradelli, que o encorajou a seguir com uma carreira de cantor lírico. Começou a estudar canto com Ettore Campogalliani e foi aceite no Conservatório Giuseppe Verdi , em Milão, aos dezesseis anos de idade. Continuou os seus estudos em Roma, sob as instruções de Teresa Pediconi e do maestro Piervenanzi. Depois de ter vencido o prémio da Competição Nacional de Novos Cantores de Ópera em Spoleto, fez sua estreia em ópera na mesma cidade, no papel de “Colline” da ópera de Giacomo Puccini “La Bohème”, no Festival dos Dois Mundos. Subsequentemente, teve oportunidade de cantar no Teatro da Ópera em Roma, quando ele foi chamado para ser substituto na papel de “Procida” da ópera “I Vespri Siciliani”. Conseguiu um enorme sucesso, sendo aclamado pelo público e pela crítica. O jovem cantor era muito tímido e acanhado, mas os directores, rapidamente, o ajudaram, tornando-se um actor de ópera.


Da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, de Gioacchino Rossini (1792-1868), a ária “La calunnia e un venticello”, “a calúnia começa como um pequeno vento”, interpretada pelo Baixo Robert Lloyd, no papel de D. Bartolo, médico tutor de Rosina.

Robert Andrew Lloyd (Southend-on-Sea, Essex, 02-03-1940) - Educado no “Keble College”, em Oxford, estudou em Londres com o barítono Otakar Kraus, e fez a sua estreia profissional no “University College Opera” em 1969, como D. Fernando, da ópera “Leonore”, a versão mais recente de “Fidelio”. De 1969 a 1972, ele detinha o papel principal de baixo na “Sadler’s Wells Opera Company”, actualmente “English National Opera”, e de 1972 a 1982, tornou-se membro da “Royal Opera Covent Garden”.


Da ópera “O Elixir de Amor” de Gaetano Donizetti (1797-1848), a ária “Udite, O rustici !”, interpretada pelo Baixo Ildebrando D'Arcangelo  , no papel de Dr. Dulcamara.

Ildebrando D’Arcangelo (14-12-1969) – É um baixo italiano. Nativo da cidade de Pescara, Abruzzo. D’Arcangelo começou os seus estudos em 1985 no Conservatório Luisa D’Annunzio em Pescara, debaixo da orientação de Maria Vittoria Romano. De 1989 a 1991 ele cantou no Concurso Internacional “Toti dal Monte” em Treviso, onde se estreou a cantar “Cosi Fan Tutte” e “D. João” de Amadeus Mozart. Ele cantou de várias regências dos maestros, tais como, Claudio Abbado, Valery Gergiev, Christopher Hogwood, Georg Solti, Bernard Haitink, Riccardo Muti, John Elliot Gardiner, Riccardo Chailly, Myung-Whun Chung, Nikolaus Harnoncourt e Seiji Ozawa.
Cantou já no “Metropolitan Opera” em New York, no “Royal Opera House Covent Garden” em Londres, na “Opéra National” (Bastilha) em Paris, na “Lyric Opera of Chicago” em Chicago, no “Staatsoper” e no “Theater an der Wien” em Viena de Áustria, e no “Salzburger Festspielen” em Salzburgo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Censurados (17) O Que Faz Falta

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Músicas do CD Duplo “Os Filhos da Madrugada” editado em 27 de Abril de 1994, onde o Grande José Afonso, foi homenageado pelos artistas das principais bandas portuguesas. É também a minha homenagem a esta figura IMPORTANTÍSSIMA na vida musical portuguesa e no respeito que demonstrava e defendia pela liberdade de todos os cidadãos.

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (Aveiro, 02-08-1929 – Setúbal, 23-02-1987)


 Desenho meu, feito a lápis de carvão, no ano de 1988, após a morte do Artista

Censurados (1988)



Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta
Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta
Quando um cão te morde uma canela
O que faz falta
Quando a esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta
Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta
Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta dar poder à malta
O que faz falta

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Quem és tu - Interacção Humorística (176)

Em 14-11-2012. Obrigado.

Quem és tu ?

A barriga do padre crescia cada vez mais. Descartada a hipótese de cirrose, os médicos concluíram por uma cirurgia exploratória, já que não havia razão para aquilo. A cirurgia mostrou que era mera acumulação de líquidos e o problema foi sanado.

Estudantes resolveram intervir e quando o padre estava a acordar da recuperação pós-cirúrgica colocaram-lhe um bebé nos seus braços.

O padre, espantado, perguntou o que era aquilo e os rapazes disseram que era o que ele tinha na barriga.

Passado o espanto e tomado de ternura, o padre abraçou a criança e não quis mais se separar dela. Como se tratava de um filho de mãe solteira que morrera durante o parto, os rapazes envidaram todos os esforços para que o padre ficasse com a criança.

Os anos passaram e a criança transformou-se num homem que se formou em medicina. Um dia o padre, já velhinho e sentindo que estava chegando sua hora de partir, chamou o rapaz e disse:

"- Meu filho! Tenho o maior segredo do mundo pra te contar, mas tenho medo que fiques chocado".

O rapaz, que já havia intuído de que se tratava, disse compreensivo:

"- Já sei. Adivinhei há muito tempo. O senhor vai dizer-me quem é meu pai".

"-Não, eu sou tua mãe! Teu pai é o bispo de Leiria".

Charada 7.º Arte - Werner Herzog (2)

Fotos e nomes correctos: Isabelle Adjani e Klaus Kinski

1- Janita: Isabelle Adjani, O Fantasma da Noite; Klaus Kinski, Woyzek

2- Catarina: Isabelle Adjani e Klaus Kinski, Nosferatu, O Vampiro da Noite 

3- Teresa: Isabelle Adjani e Klaus Kinski, Nosferatu, O Fantasma da Noite 

4- Rui Espírito Santo: Isabelle Adjani e Klaus Kinski, Nosferatu, O Fantasma da Noite 

5- Afrodite: Isabelle Adjani, Nosferatu the Vampyre; Klaus Kinski, Aguirre, the Wrath of God

6- Manuela: Isabelle Adjani, Nosferatu; Klaus Kinski, Aguirre a Cólera dos Deuses

7- Pedro Coimbra: Isabelle Adjani, Nosferatu; Klaus Kinski, My Best Fiend

Muito Obrigado a Todos Vós pela participação e pelos acertos, que todos conseguiram. A ideia não é ser difícil, mas sim despertar as pessoas a verem bom cinema. Abraço !!!

Próximo realizador, o brasileiro Anselmo Duarte, dia 2 de Novembro! 

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Charada 7.ª Arte – Werner Herzog


Realizador Werner Herzog


O que têm de fazer:


Ajudas: O número de letras do nome a encontrar, e uma foto um pouco alterada.

Somente aceitarei os nomes correctos com as fotos.

Têm 48 horas para "matar a charada" e três palpites por actriz e outros três por actor.

Depois de amanhã, dia 18, pelas 20:00 publico a solução, bem como os seus participantes.


Actriz, duas palavras (14 letras):
_ _ _ _ _ _ _ _   _ _ _ _ _ _














Actor, duas palavras (11 letras):
_ _ _ _ _    _ _ _ _ _ _













Obrigado

domingo, 14 de outubro de 2018

7.ª Arte - Werner Herzog

Breves palavras sobre o que é para mim, o Cinema.

Durante os anos da minha juventude houve algo que me despertou o interesse e fez com que a minha ligação com os audiovisuais se tornasse, desde então, preponderante na minha vida. Esse algo foi o Cinema. A chamada 7.ª arte (arte da imagem) que quando dado o nome e na minha modesta opinião, ela reflectia somente a realidade do cinema mudo, por isso “arte da imagem”. Posteriormente a 7.ª arte tornou-se em algo muito mais complexo. A obra/filme tornou-se num conjunto de várias e ricas variáveis: a imagem, o texto, a cenografia, o som, o guarda-roupa, a interpretação, etc.. Tudo isso conglomerado e orientado de alguma maneira, por uma pessoa na arte de dirigir, o realizador.

Um bom filme, é como uma boa música ou um bom livro, é algo que deve ser visto mais que uma vez, para que nos apercebamos de coisas que numa só, é impossível. Um amante de cinema vê um filme duas, três vezes, para que nele possa visualizar todas essas variáveis de que falei anteriormente.

Vão passar por aqui alguns realizadores que fizeram e fazem parte do meu imaginário de cinéfilo. Nessa época, quando frequentei as salas de cinema em Lisboa, as filmografias de eleição eram: a italiana, a francesa, a alemã, a sueca, a espanhola, a nipónica, a americana. Mas passarão também, e obviamente, realizadores brasileiros e portugueses

Esta nova publicação intitulada 7.ª Arte, será muito de uma pequena mostra do que se via cinematograficamente em Lisboa, nos finais da década de 60 e 70, mas não só, porque teremos filmes muito mais actuais !!!
Tal qual, como todos vós, me reconhecem como um melómano amador, eu também sou um cinéfilo amador. O que vou trazer aqui foram/são obras que gostei/gosto e vi/revejo, e as minhas escolhas são apenas opiniões e gostos, livres de qualquer pretensiosismo !!!

No nome do realizador (se estrangeiro) e na maioria dos títulos dos filmes existem “links” para a Wikipedia (versão inglesa), por ser a plataforma mais abrangente e mais completa. Se pretenderem, na coluna esquerda dessas mesmas páginas, em baixo, tem normalmente, a escolha da tradução para a língua portuguesa.

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In Imdb - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Do cinema alemão trago-vos Werner Herzog (05-09-1942), realizador com uma obra notável. O realizador do Novo Cinema Alemão. Com 64 películas (longas, curtas, documentários, séries de televisão) e uns quantos galardões. Dele escolhi 3 filmes marcantes que vi, mas tem uma vasta obra para ser descoberta.

(1972) Aguirre, der Zorn GottesAguirre, o Aventureiro. Outro que também tenho a certeza ter visto no Consulado Alemão, por volta de 73.


(1979) Nosferatu: Phantom der NachtNosferatu: O Fantasma da Noite


(1979) WoyzecWoyzec


(2012) Entrevista com Werner Herzog

sábado, 13 de outubro de 2018

Faz Hoje Anos (42) – Art Tatum e (43) Lee Konitz

Faz hoje 109 anos... Parabéns !!!

Art Tatum (13-10-1909 – 05-11-1956) – a composição “Someone to Watch Over Me” composta musicalmente por George Gershwin, com letra de Ira Gershwin, seu irmão.


Faz hoje 91 anos... Parabéns !!!

Lee Konitz (13-10-1927) – No Heineken Concerts 1999, Teatro Alfa, São Paulo, com Lee Konitz e Zimbo Trio (Lee Konitz – saxofone; Amilton Godoy – piano; Luiz Chaves – contrabaixo e Rubens Barsotti – bateria). A composição é “Samba de Uma Nota Só”  de António Carlos Jobim e Newton Mendonça