Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vida dura de Treinador de Futebol

- Senhores ouvintes, junto a nós, o treinador da equipa de futebol profissional, do A.R.E.A.B., Associação Recreativa e Entretenimento de Alguidares de Baixo, Pancrácio Fagundes.
Conte-nos Mister Pancrácio o que aconteceu para que a sua demissão de treinador do futebol de Alguidares de Baixo se efectivasse esta manhã ?

- Bem, você sabe não é. Já viu algum jogador ser despedido ou pedir a demissão ?

- Pois isso é verdade, nunca foi visto.

- Sabe como é. A gente dá o litro e o meio-litro. Chegamos tarde a casa, com o perigo de levarmos nos “cornos” da patroa, para passarmos mais tempo com os “gajos”. Vamos para as “boites” com eles, por causa das aventuras com as “alternadeiras”. Preferimos ser nós os prejudicados. Eles não se podem desgastar fisicamente, connosco não faz diferença. Mandamos os tipos para a cama bem cedo, por volta das 3 da matina é o recolher obrigatório. Nós lá para as cinco chegamos a casa, muitas vezes cansados depois de levar as “piquenas” a casa.
Pé ante pé, vamos deitar para não a acordar. Você percebe ?

- Sim, mas afinal o que se passou desta vez ?

- Desta vez foi complicado. De há três meses para cá não fazia outra coisa senão ir à mesma “boite” com a equipa. Eles já queriam mudar faz muito tempo, mas andava lá uma miúda muita jeitosa, a fazer-me olhinhos. E eu, macho que sou, na semana passada deitei-lhe “os garfos”. Ela pelos vistos sabe comer com talher, gostou e pronto, a coisa deu-se.
           
- Mas foi isso que o fez apresentar a demissão ?

- Não nada disso ! Ontem ela ligou-me e disse-me que ia editar um livro, com as nossas histórias. Porra, disse eu ! Quais histórias ?
Estás a querer fazer concorrência a alguém ? Olha que eu não sou um qualquer treinador. Sou um tipo honesto, vivo muito com a família, nunca enganei a minha mulher, o que é que tu pretendes ?
Fui-me encontrar com ela, e dei-lhe um par de lambadas, em plena via pública...

- E depois ?

- Mal sabia eu que ela já tinha sido companheira do presidente da Associação, fez-lhe queixas minhas que eu lhe batia por “dá cá aquela palha”, e o Sr. Malacueco obrigou-me a apresentar a demissão. Uma chatice !
Agora estou desempregado e sem fundo de desemprego, ... mas vou fazer uma “manif” para a porta da Federação alegando assédio sexual da dita cuja.

- E é assim ouvintes da R.R.A.B. Rádio Regional de Alguidares de Baixo para a Rádio Nacional, em directo, e em colaboração com o “Subversivo da Treta”, despede-se Abelino Eucarário e o sonoplasta Albuquerque Caramelo, uma boa tarde para todos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O Jacaré vegetariano

A tendência é para ser humorista com este “Subversivo da Treta”. “Treta”, obviamente, em homenagem aos cómicos António Feio e ao José Pedro Gomes.         
À boa maneira de muitas notícias mediáticas que abundam pelos nossos meios de comunicação (imprensa, rádio e tv), onde o banalismo impera e onde nos dão aquilo que querem e interessa dar, mantendo-nos na completa ignorância daquilo que é importante numa sociedade.    
Será que é no fundo, o que nós gostamos de ouvir ?

Na freguesia de Olhameparaisto fugiu da propriedade do sr. Evaristo Papaléguas, um jacaré doméstico, que tinha sido trazido de África, em bébé, quando da última visita feita pelo casal Papaléguas a Moçambique. Após entrevista ao casal, foi-nos que se tratava de um animal vegetariano e que a sua alimentação se baseava em fruta de todo o tipo, tomates e grelos. A fruta que comia com mais satisfação eram melancias e melões. Três a quatro melancias ou melões diários. Abria a boquinha e de uma dentada…

Vivia em conjunto no espaço da quinta, com os outros animais. Porcos, bezerros e aves de capoeira, numa sã convivência, o “Pretinho”, como lhe chamavam os Papaléguas, não fazia mal a uma mosca.

Na quinta do casal, havia um cultivo adicional de melancias, melões, tomates e grelos que eram a base alimentar do “Pretinho”. Com cerca de 4 metros de comprimento, desde o focinho até à ponta da cauda, o réptil é uma animal afectuoso. Come fruta à mão, para quem tiver coragem de lha dar. Possivelmente, poderá ter sido alguém que gostaria de ter um jacaré em casa, como animal de estimação, que o raptou dos Papaléguas.

Responde ao nome dele, com um urro grave e fundo, dando marradinhas nas pernas de quem o chama, e tem duas manchinhas brancas, por cima dos dois olhos.

A PJ começou a investigar o rapto, e a procurar nos hipermercados, mercearias a compra anormal de melancias, melões, tomates e grelos, que são a alimentação base do bichinho.
Dão-se alvíssaras para quem o encontrar.

O “Subversivo da Treta” publicou a foto do animal e está a ajudar na procura do dito.

"Ei-lo aqui quando ainda era pequenino, nas mãos do senhor Papaléguas. Reparem nas manchinhas brancas!".

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Galos violadores

A tendência é para ser humorísta com este “Subversivo da Treta”.
“Treta”, obviamente, em homenagem aos cómicos António Feio e ao José Pedro Gomes.          
À boa maneira de muitas notícias mediáticas que abundam pelos nossos meios de comunicação (imprensa, rádio e tv), onde o banalismo impera e onde nos dão aquilo que querem e interessa dar, mantendo-nos na completa ignorância daquilo que é importante numa sociedade.     
       
Será que é no fundo, o que nós gostamos de ouvir ?
…         
         
Na freguesia de QUEMANDAQUI o autarca responsável pela junta foi confrontado, com um habitante que era contra a bigamia galinácea, e no seu quintal tinha 20 aves de capoeira, 10 galos e 10 galinhas.           
                               
Acontece que no passado fim de semana, aconteceram confrontações sangrentas entre os galos do dito habitante que se estavam a borrifar para a galináceogamia e além de se envolverem em rixas de capoeira (luta brasileira, proibida no nosso país, somente autorizada a galos de origem brasileira !), desataram a violar as galinhas dos vizinhos. Uma autêntica batalha campal que obrigou à chamada do “piquete” policial local que a tiros de pistola para o ar, conseguiu terminar com o desacato.            
               
Anteontem de manhã, o dito habitante, o Sr. Artício Valdevinos, foi presente no tribunal da comarca. Sentado no banco dos réus, respondeu à acusação, e aos queixosos, os vizinhos que viram as suas galinhas violadas.
                  
Foi considerado culpado, e sujeito à pena de 25€ por cada galinha violada, à obrigatoriedade do uso de preservativos por parte da sua população galinácea masculina, e a desenvencilhar-se dos nove galos prevaricadores, visto que um só capão dá perfeitamente para as suas 10 galinhas.
                  
Os nove galos já foram sujeitos ontem a análises sanguíneas em virtude de terem tido relações com galinhas estranhas. Os rastreios deram, felizmente, todos negativos, em relação ao vírus HIV e a outra qualquer DST.
                  
Como notícia de última hora chegada há pouco à nossa redacção, sobre o relatado acontecimento, soubemos, via telefónica, pela voz do Sr. Presidente da Junta de Freguesia QUEMANDAQUI, o digníssimo Sr. Jeromenho Soueu que no próximo fim-de-semana será efectuado um arraial, desta vez sem ser de porrada, com os 50 habitantes da povoação. Haverá um repasto, e como prato forte serão cozinhados à boa maneira da D. Carolídia Valdevinos, esposa do réu, um  “arroz de cabidela”, com os nove “violadores” de penas.
                
O “Subversivo da Treta” foi convidado a tomar parte da dita festa.