O Santuário lá vai andando e navegando através dos anos, com mais ou menos pessoas que o visitam, com mais ou menos desenvolvimento tecnológico. Agora com um pequeno écran à entrada da Basílica antiga que dá as horas das missas e de outras actividades no Santuário, em várias línguas. No recinto grande e na zona da entrega das velas, também uma nova e tecnológica ideia, com as novas velas “eléctricas” de 50 cêntimos, que aceita moedas desde os 5 cêntimos aos 2 euros, e que mediante a introdução da moeda acende uma vela eléctrica que se mantém acesa consoante o valor introduzido.
Apesar da crise, tudo continua a correr, de vento em popa, baseado na história dos três pastorinhos que foram visitados por Nossa Senhora. História essa que a igreja católica sobre aproveitar e transformar em negócio e que fisicamente, fez desenvolver uma imensa estrutura, como aquela que podemos visitar em Fátima, agora com uma nova basílica. E se os templos estão bem tratados e limpos, é porque existe dinheiro e vontade para o fazer. Muita diferença existe entre o que se passa em Fátima e o que se passa na cidade de Lisboa, onde praticamente tudo o que é monumento está “sujo”, mal tratado pela intempérie e às vezes também pelo vandalismo.
Então qual a diferença ?
Como poderemos nós ter uma cidade tratada e limpa tal qual o que se passa em Fátima ?
Será que teremos de eleger as nossas cidades a santuários ?
Será que é preciso dizer ou mostrar que algo é sagrado para tratarmos as coisas como deve de ser ?
Em Fátima todos contribuímos, voluntariamente, e queremos ver esta terra preservada. Aqui podemos vir, periodicamente, libertarmo-nos “cinicamente” dos nossos pecados, para que depois possamos praticá-los de novo, nas nossas cidades, ao vandalizá-las e ao destruí-las, à vontade.
O Homem perdeu a noção dos valores, daquilo que é importante e deve ser preservado e respeitado por todos. Nas mais pequenas coisas podemos constatar isso e cito somente duas, tão banais, que são comuns na “nova” e caduca sociedade em que vivemos. Um bom exemplo é a saudação.
Quem dá hoje os “bons-dias” ?
Pequenas coisas como esta indicam-nos que a crise está nos valores que já não temos, que perdemos há muito, como referência. Aqueles que nos tornavam diferentes, como seres humanos.
Agora é mais importante ganhar dinheiro à custa seja do que for, mesmo que seja, do abuso e da escravidão de outro ser humano. Por isto tudo, nós continuaremos a precisar de ir a Fátima expiar os nossos pecados, a troco de deixarmos lá uma moeda, e voltar tudo ao início, como se passássemos uma esponja sobre tudo de mau que fizemos anteriormente.
Muito poucos de nós encaram e respeitam Fátima, como ela deve ser respeitada. Independentemente de tudo, é um lugar de oração e no qual devemos pensar porque motivo continuamos a fomentar ideias “apocalipseanas”, dentro de uma sociedade desigual, na qual não nos sabemos sequer, respeitar.
(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)
A acompanhar estas fotos, o tema “Forgiving”, de Pat Metheny, do álbum “A Map Of The World”, música para o filme, de 1999, com o mesmo nome, de Scott Elliot, com Sigourney Weaver, Julianne Moore, David Strathairn e Arliss Howard.
Pat Metheny (12-08-1954 - 20xx) – Nascido em Kansas City. Começa pelo trompete com 8 anos e passa para a guitarra aos 12. Aos 15 já toca regularmente com os melhores músicos de Jazz de Kansas City. Em público num Festival de Jazz em Kansas, pela primeira vez em 1974. Primeiro álbum em 1975 (Bright Size Life). Prémios para o “Melhor Guitarrista de Jazz” são incontáveis. Grammy Awards ganhou-os 16 vezes. Sete consecutivos para sete álbuns. Desde 1974, são 120 a 240 espectáculos por ano.