Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Será que o meu blogue valerá a pena ?... penso que não !

 Vivemos tempos tristes em que o interesse se foca na vida de cada um de nós, como se isso fosse a solução para coisas reais, a Natureza e o Planeta.

Os canais de televisão, nomeadamente os privados, e outros, procuram incessantemente aquilo que vende notícias, isto é, a vida privada daqueles que a querem divulgar e são muitos.

Que interesse terá para o comum dos mortais, saber que o/a fulano/a ABC teve um bebé azul or cor-de-rosa ?

Será que isso vai melhorar a trajectória funesta do planeta Terra e da humanidade ? Claro que não !!!

Então o que estamos nós a fazer, para que isso melhore ?

Na realidade, acho que muito pouco. O homem desde que é homem, somente se preocupou com o seu próprio umbigo. As coisas que faz e que cria, são sempre em função dele próprio, e nunca em benefício da Natureza ou do Planeta que habitamos. Estamos numa de descobrir, através de satélites artificiais, outros planetas, porque este já foi, por nós, demasiadamente conspurcado.  Há quem tente fazer alguma coisa, mas aqueles que detêm o poder e que poderiam com a sua influência no mundo, mover a humanidade no bom caminho, estão preocupados com o lucro, o dinheiro, o poder.

Infelizmente, eu penso, que não estamos sequer preparados para aquilo que nos vai acontecer, brevemente. Nem sequer nos estamos a aperceber disso. 

Estamos ligados por redes sociais onde somente nos preocupamos com o cor-de-rosa e com a nossa necessidade pessoal de comunicar com os outros contando as histórias da nossa própria vida, que se pensarmos um pouco, a poucos poderá interessar. 

As notícias baseiam-se em grandes negócios e em desgraças. É muito triste o tempo em que agora vagueamos !!!

O meu blogue que tenta trazer algumas das coisas boas que o Homem fez/faz, é somente um paliativo para nos lembrarmos que fomos/somos bons em muitas coisas, mas infelizmente não são elas que influenciam o caminho da humanidade.

Obrigado a quem me visita e a quem me continuará a visitar. Regressarei, apesar de tudo o que penso, em 2022. Devagar, retomarei as rúbricas que já exibia.

Um Bom 2022 para Todos e não se esqueçam que a nossa verdadeira casa é o Planeta Terra !!!

sábado, 6 de novembro de 2021

O Poeta Bocage (8)

Vou trazer aqui em dez publicações, trinta sonetos de Manuel Maria Barbosa du Bocage (Elmano Sadino), pseudónimo adoptado em 1790, quando da sua adesão à Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia. Bocage é um dos nossos melhores poetas, embora não lhe seja reconhecida a sua genialidade, visto ser basicamente conhecido pelas suas anedotas obscenas ou ousadas. Escolhi trinta sonetos, dez da poesia lírica, dez de poesia satírica e outros dez da poesia erótica.

Alguns links sobre a poesia de Bocage, bem como onde poderão encontrar  alguns livros editados do poeta:

https://www.bertrand.pt/autor/bocage/9129

https://www.wook.pt/livro/poesias-eroticas-bocage/223553

https://www.fnac.pt/Antologia-de-Poesia-Erotica-de-Bocage-Bocage/a1320322

Na RTP

Entrevista a Daniel Pires, presidente do Centro de Estudos Bocagianos sobre a obra satírica e erótica do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, com visita à exposição "2005 Ano Bocage", Comemorações do Bicentenário da Morte de Bocage, patente no Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal realizada por Henrique Félix.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/poesia-erotica-e-satirica-de-bocage/

Na TSF

https://www.tsf.pt/programa/o-livro-do-dia/emissao/antologia-de-poesia-erotica-de-bocage-8963082.html

No Município de Setúbal

https://www.mun-setubal.pt/livro-valoriza-poesia-erotica/

Sobre a artista plástica Dina de Sousa:

http://artistasportugueses.weebly.com/dina-de-sousa.html


Lírica

Das faixas infantis despido apenas,

Sentia o sacro fogo arder na mente-,

Meu tenro coração inda inocente,

Iam ganhando as plácidas Camenas

 

Faces gentis, angélicas, serenas,

De olhos suaves o volver fulgente,

Da ideia me extraíam de repente

Mil simples, maviosas cantilenas.

 

O tempo me soprou fervor divino,

E as Musas me fizeram desgraçado,

Desgraçado me fez o deus menino.

 

A Amor quis esquivar-me, e ao dom sagrado:

Mas vendo no meu génio o meu destino,

Que havia de fazer ? Cedi ao fado.

 

Satírica

Rapada, amarelenta cabeleira;

Vesgos olhos, que o chá e o doce engoda;

Boca que à parte esquerda se acomoda

(Uns afirmam que fede, outros que cheira);

 

Japona, que da Ladra andou na feira;

Ferrugento faim, que já foi moda

No tempo em que Albuquerque fez a poda

Ao soberbo Hidalcão, com mão guerreira;

 

Ruço calção que espipa no joelho,

Meia e sapato, com que ao lodo avança,

Vindo a encontrar-se co’o esburgado artelho;

 

Jarra, com apetites de criança;

Cara com semelhança de besbelho;

Eis o bedel do Pindo, o doutor França.

 

Erótica

Soneto do velho escandaloso

 

Tu, ó demente velho descarado,

Escândalo do sexo masculino,

Que por alta justiça do Destino

Tens o impotente membro decepado!

 

Tu, que, em torpe furor incendiado

Sofres de ímpia paixão ardor maligno,

E a consorte gentil, de que és indigno,

Entregas a infrutífero castrado!

 

Tu, que tendo bebido o menstruo imundo,

Esse amor indiscreto te não gasta

De ímpia mulher o orgulho furibundo!

 

Em castigo do vício, que te arrasta,

Saiba a ínclita Lísia, e todo o mundo

Que és vil por génio, que és cabrão, e basta. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Roland Fiddy (9)

Roland John Fiddy é um famoso “cartonista” inglês. Nasceu em Plymouth, Devon, no sudoeste da Inglaterra, em 17 de Abril de 1931. Foi casado com a artista dinamarquesa Signe Kolding de quem tem um filho e uma filha. Morreu em Hastings, East Sussex, em 3 de Julho de 1999.

Estudou no College of Art de Bristol. Tem “cartoons” publicados na Grã-Bretanha, Estados Unidos e em muitos outros países. Os seus livros incluem “The Best of Fiddy” em 1966 e uma série de 11 “Fanatic's Guides” de 1989 a 1992.

Fiddy foi muito apreciado, no Mundo inteiro, pelo seu humor e estilo. Ganhou o primeiro prémio em várias competições internacionais de banda desenhada,  incluindo entre outros, o “Knokke-Heist” na Bélgica, em 1990, “Festival de Beringen” na Bélgica, em 1984, “Festival de Cartoon” em Amesterdão, na Holanda” em 1985, Sofia, Bulgária, em 1986 e Yomiyuri Shimbun, Japão, em 1988.

Aqui fica, abaixo, o “cartoon” de hoje, do livro “Os Fanáticos dos Computadores” editado pela Publicações D.Quixote em Julho de 1992 (1.ª edição). Um livro que me foi dado por alguém especial, que já não se encontra entre nós.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Rokia Traoré – NPR Tiny Desk Home Concert (7)

A NPR Music (https://www.youtube.com/channel/UC4eYXhJI4-7wSWc8UNRwD4A) é um projecto da “National Public Radio”, uma organização de media americana sem fins lucrativos, com financiamento público e privado, lançado em Novembro de 2007, para apresentar programação musical de rádio pública e conteúdo editorial original para descoberta de música.

Parece-me um projecto interessantíssimo, principalmente, porque neste contexto de pandemia, dá-nos a possibilidade de ouvirmos grandes intérpretes e compositores a nível mundial, os quais mostram aqui, na NPR Music, a sua arte e a sua capacidade de comunicação. Por aqui vão passar, nomes conhecidos, menos conhecidos e desconhecidos. Para mim, foi e é um prazer procurar bons instrumentais e boas interpretações. As actuações poderão ser, às vezes, bastante mais extensas que o habitual, mas tentei procurar algo que possam escutar com prazer.

No Tiny Desk de hoje, vamos ouvir…

Rokia Traoré (26-01-1974)

Rokia Traoré apresentou-se no globalFEST em 2005, o segundo ano do festival de música, e é emocionante apresentar a sua actuação meditativa como parte do encontro do Tiny Desk, com o globalFEST. O seu trabalho está enraízado na tradição musical do Mali, mas desafia os limites de uma única cultura. Nascida no Mali, filha de pai diplomata, Traoré teve uma educação nómada que a expôs a uma ampla variedade de influências musicais internacionais. Ela juntou-se a nós no “Blues Faso”, um teatro dentro da  “Fundação Passerelle” no Mali, e que ela criou para apoiar artistas emergentes, da música e desde as artes cénicas, às artes visuais e à fotografia. …

Grupo:

Elisapie (vocais), Jean-Sébastien Williams (guitarra), Joshua Toal (baixo), Jason Sharp (saxofone) e Robbie Kuster (bateria)

Composições: "Qanniuguma"; "Wolves Don't Live by the Rules";  e "Arnaq"

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Alcunhas Alentejanas (14) - Nove

É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

 


Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

 

Nove – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação assumida, designação rejeitada, alcunha de tratamento, alcunha de referência, classificação: comportamental e geográfica; história:  O receptor era analfabeto e não distinguia bem o valor dos números. Um dia, convidaram-no para fazer um trabalho e disseram-lhe que pagariam dez escudos por dia e, então ele disse: “Dez não!  Só se for por nove!” (Portel); homem que viveu num moinho com este nome (Portel). Existe também em Fronteira.

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

nove | adj. 2 g. pl. num. card. | num. ord. | s. m.

no·ve

quantificador numeral cardinal de dois géneros plural

1. Oito mais um; nono.

adjectivo numeral

2. Último numa série de nove ou que tem o número 9 ou a nona posição. = NONO

nome masculino

3. O algarismo 9.

4. Número nove.

5. Carta de jogar que tem nove pontos.

Palavras relacionadas: 

non nova, sed novenononovecentosnónuplononaeneágonoanovear

"Nove", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/Nove [consultado em 16-06-2020].

Porto Editora (online)

nove

no.ve ˈnɔv(ə)

quantificador numeral cardinal

oito mais um

nome masculino

1. o número 9 e a quantidade representada por esse número

2. o que, numa série, ocupa o nono lugar

3. carta de jogar com nove pintas

prova dos nove(s)

1. verificação prática de contas que consiste na extracção dos noves

2. figurado processo para confirmar ou infirmar a veracidade de um facto

Do latim nove-, «idem» 

domingo, 31 de outubro de 2021

Faz Hoje Anos (95 e 96) – Ethel Waters e Jean-Baptiste Illinois Jacquet

Faz hoje 125 anos... Parabéns !!!

Ethel Waters (31-10-1896 – 01-09-1977), interpretando “Underneath the Harlem Moon”, em 1933.

Faz hoje 99 anos... Parabéns !!!

Jean-Baptiste Illinois Jacquet (31-10-1922 – 22-07-2004), a sua orquestra, na composição “Blues from Louisiana”. No “Grand Théâtre de Limoges”, em 31-10-1993, pelo 45.° aniversário do “Hot Club de Limoges”, no dia em que fez 71 anos

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Jacinta – Jazz Singers (54)

Jacinta (26-05-1971) - Jacinta deu os seus primeiros passos artísticos através do estudo da música clássica em piano e composição, percurso pouco comum numa cantora de jazz. Integrou vários grupos como cantora e instrumentista, chegando a liderar um grupo de rock sinfónico. É no entanto no mundo do jazz que a sua energia musical encontra plena expressão.

My Baby Just Cares for Me, composta por Walter Donaldson e Gus Kahn e foi celebrizada por Nina Simone. Aqui ao vivo no C.C. de Ílhavo.

Redemption Song, composição de Bob Marley.

Jailhouse Blues

They Can't Take That Away From Me, composição de George e Ira Gershwin. Aqui o dueto "Recycle Swing", com Michele Ribeiro (piano). Gravado ao Vivo no auditório da Academia de Espinho.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Cruzadas (2)

Palavras cruzadas simétricas, assimétricas ou brancas, sempre com a mesma medida, de 9x9.

5 dias completos para resolver o problema.

Quem quiser participar, agradeço, por favor, que coloquem a solução no quadro das palavras cruzadas. Uma sugestão para ser tornar mais simples, é utilizarem o Excel, se o tiverem, para construirem o quadro.

Quando solucionado o problema, enviem-mo para o meu endereço de mail (ricardosantos1953@gmail.com) até à meia-noite do 5.º dia.

1.º dia - Publicação do problema, hoje dia 28 de Outubro, às 00:00;

Continuarei a publicar “posts” e ao 5.º dia, publicarei as soluções e os participantes, neste caso dia 2 de Novembro, às 00:00.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Benjamin Britten (18)

Benjamin Britten (22-11-1913 – 04-12-1976)

Four Sea Interludes de "Peter Grimes", opus 33a (1945), com os seguintes andamentos: I. Dawn; II. Sunday Morning; III. Moonlight; e IV. Storm.

Orquestra Sinfónica de Cincinnati (EUA), dirigida por Paavo Järvi.

Phantasy Quartet, opus 2, de 1932. Gernot Schmalfuß (oboé), Andreas Krecher (violin), Niklas Schwarz (viola) e Armin Fromm (violoncello).

Young Person's Guide to the Orchestra, de 1945, com a “YouTube Symphony Orchestra” em 2011, dirigida por Michael Tilson Thomas.

Simple Symphony, opus 4, de 1933/1934 e executada pela Orquestra de Câmara da Academia de Música de Dniepropetrovsk, dirigida por Maria Emez. 

Andamentos: Boisterous Bourrée; Playful Pizzicato; Sentimental Sarabande e Frolicsome Finale.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Tremeloes – Festas de Garagem (4)

Na minha juventude diverti-me imenso nas “festas de garagem”. Um levava o gira-discos portátil, outros levavam uns quantos discos. Haviam sempre umas sandes e uns refrigerantes. Dançávamos a tarde inteira e às vezes a entrar pela noite. Ora música para os “pulos”, ora música para dançar agarrados, às vezes “agarradinhos”, mas sem abusar 😊, porque as mães delas eram algumas vezes nossas conhecidas, e tínhamos imenso respeito por elas.

São apenas duas músicas por intérprete. Em alguns deles, duas canções, irão saber a pouco. Naquela época, a “Pop” e a “Rock” anglo-saxónica dominava. Grupos ingleses e americanos, eram aqueles que passavam na rádio, e era neles, onde gastávamos algum dinheiro das nossas mesadas, para comprar os seus discos.

Hoje na 4.ª festa de garagem trago-vos

Tremeloes (1958)

Donos de alguns sucessos na época, o grupo era querido nas festas. Pudera música romântica 😊 !!!

Silence is Golden, inicialmente gravada pela banda “The Four Seasons”, foi com os Tremeloes que ela teve mais sucesso.

Hello World, escrita por Tony Hazzard e lançada pelo grupo em 1969. Aqui numa interpretação no célebre programa da televisão alemã (RFA), chamado “Beat-Club”, (https://www.youtube.com/channel/UCYyFEZ-3Hy4pdLFctDtRu3w). Ver no Youtube !

domingo, 24 de outubro de 2021

Beatles (20)

Última Publicação !!!

 

Foram aqueles que, para além do seu talento, tiveram a sorte comercial do lado deles, mas também Brian Epstein como patrão do grupo que os acompanhou até à sua morte, e ainda George Martin como produtor de muitos dos seus discos e êxitos.

Que sorte temos/tivemos de os poder escutar e se calhar, quando do seu aparecimento. Tudo se modificou em termos populares musicais. Os Beatles foram/são/serão, inquestionavelmente, a banda que mais foi/é/será falada na história da música “pop”. Uma homenagem aqui a dois deles já desaparecidos.. Ao John Lennon e ao George Harrison, um agradecimento dos muitos trechos musicais que escreveram para todos nós e que nos ajudaram nos momentos bons e maus, das nossas vidas.

Aqui, periodicamente, trarei duas músicas, algumas menos conhecidas. Serão à roda de 20 êxitos que aqui exibirei, mas muitas delas, não vão ser aquelas que foram Nº. 1, a nível dos “Tops” mundiais, e que constam de um CD, editado em Portugal para a etiqueta “EMI Records Ltd.” em 2000. A escolha irá ser a minha. Os que são “amantes” deste grupo vão conhecê-las todas de certeza, os que são/foram meros ouvintes do grupo, acredito que hajam algumas que não conheçam.

Canção: Oh! Darling

Autor: Paul McCartney

Álbum: Abbey Road

Ano: 1969

Paul McCartney desejava criar uma balada de “Rock & Roll” estilo “anos 50". Deveria ser algo semelhante aos vocais de "Kansas City" e "Long Tall Sally" e parecido, segundo depoimento posterior dele, à voz de alguém que estivesse há uma semana cantando ao vivo. Para gravar esta canção vocal ele foi durante alguns dias de madrugada, aos estúdios Abbey Road, quando não havia nenhum outro “beatle” por lá, até conseguir o efeito que queria na sua voz. Ele acreditava que as primeiras horas do dia eram melhores para um canto alto, forte e agudo.

Oh! Darling (Paul McCartney)

Oh! Darling, please believe me

I'll never do you no harm

Believe me when I tell you

I'll never do you no harm

 

Oh! Darling, if you leave me

I'll never make it alone

Believe me when I thank you, ooo

Don't ever leave me alone

 

When you told me

You didn't need me anymore

Well you know I nearly broke down and cried

When you told me

You didn't need me anymore

Well you know I nearly broke down and died

 

Oh! Darling, if you leave me

I'll never make it alone

Believe me when I tell you

I'll never do you no harm

Believe me darling

 

When you told me

You didn't need me anymore

Well you know I nearly broke down and cried

When you told me

You didn't need me anymore

Well you know I nearly broke down and died

 

Oh! Darling, please believe me

I'll never let you down

Oh, believe me darling

Believe me when I tell you, ooo

I'll never do you no harm

 

Canção: Only A Northern Song

Autor: George Harrison

Álbum: Yellow Submarine

Ano: 1969

A letra mostra o descrédito de Harrison para com a própria música, concluindo cada verso com a frase "It's only a Northern song" ('É apenas uma canção do Norte'), que Harrison explicou referir-se tanto à cidade natal dos Beatles, Liverpool, que fica no noroeste da Inglaterra, como à companhia de publicações Northern Songs (George ainda não tinha formado sua própria companhia de publicação; 'Northern Songs' era a companhia de publicação de Lennon e McCartney). A música às vezes é interpretada como uma zombaria à dupla Lennon e McCartney, fazendo referência às letras e músicas psicadélicas que os dois faziam na época, e como uma reacção às atitudes de menosprezo de Lennon e McCartney para com as composições de Harrison, com ele cantando indiferentemente "It doesn't really matter what chords I play/What words I say or time of day it is/As it's only a Northern song" ('Não importa realmente que acordes eu toco/Que palavras eu digo ou que hora do dia é/Já que é apenas uma canção do norte'). 

Only A Northern Song (George Harrison)

If you're listening to this song

You might think the chords are going wrong

But they're not; we just wrote them like that

When you're listening late at night

You may think the band are not quite right

But they are, they just play it like that

It doesn't really matter what chords I play

What words I say or what time of day it is

As it's only a Northern song

It doesn't really matter what clothes I wear

Or how I fare or if my hair is brown

When it's only a Northern song.

If you think the harmony

Is a little dark and out of key

You're correct, there's nobody there.

And I told you there's no one there.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Jazz Standards (207)

(Sobre o tema em questão, algumas palavras retiradas de “in

http://www.jazzstandards.com/compositions/index.htm” - adaptação e tradução por Ricardo Santos)

Blues in the Night (#207) - Música de Harold Arlen e Letra de Johnny Mercer

"Blues in the Night" foi escrita pelo compositor Harold Arlen e pelo letrista Johnny Mercer, para um filme de 1941, originalmente intitulado “Hot Nocturne”, que se tornou “Blues in the Night” devido ao próprio apelo da música. A canção, foi nomeada para um prémio da Academia, e foi apresentada no filme, como música de fundo, num instrumental tocado pela banda diante das câmeras e cantada por William Gillespie.

... 

Amy Winehouse (Londres, Inglaterra, 14-09-1983 - Londres, Inglaterra, 23-07-2011).

Julie London (Santa Rosa, EUA, 26-09-1926 - Encino, EUA, 18-10-2000).

Louis Armstrong (New Orleans, EUA, 04-08-1901 — New York, EUA, 06-07-1971).

Ray Charles (Albany, Geórgia, EUA, 23-09-1930 - Beverly Hills, Califórnia, EUA, 10-06-2004).

Letra

 

My mama done tol' me,

When I was in pig tails

My mama done tol' me,

Hon! A man's gonna sweet talk

And give ya the big eye;

But when the sweet talkin's done,

A man is a two face

A worrisome thing

Who'll leave ya t'sing

The blues in the night

Now the rain's a fallin',

Hear the train a callin'

Whoo-ee (my mama done tol' me)

Hear that lonesome whistle

Blowin' cross the trestle,

Whoo-ee (my mama done tol' me)

A whoo-ee-duh-whoo-ee, ol' clickety clack's

A echoin' back th' blues in the night

The evenin' breeze'll start the trees to cryin'

And the moon will hide its light

When you get the blues in the night

Take my word, the mockin' bird'll

Sing the saddest kind o' song

He knows things are wrong and he's right

Oh oh

From Natchez to Mobile,

From Memphis to St. Joe,

Wherever the four winds blow,

I been in some big towns,

I heard me some big talk,

But there is one thing I know

A man is a two face,

A worrisome thing

Who'll leave ya t'sing

The blues in the night

Oh oh

My mama was right, my mama was right

There's blues in the night

Lamento, algumas eventuais falhas nas letras, encontradas na Internet, devido à própria improvisação dada pelos seus intérpretes, e muitas vezes de difícil entendimento. (Ricardo Santos).

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O Poeta Bocage (7)

Vou trazer aqui em dez publicações, trinta sonetos de Manuel Maria Barbosa du Bocage (Elmano Sadino), pseudónimo adoptado em 1790, quando da sua adesão à Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia. Bocage é um dos nossos melhores poetas, embora não lhe seja reconhecida a sua genialidade, visto ser basicamente conhecido pelas suas anedotas obscenas ou ousadas. Escolhi trinta sonetos, dez da poesia lírica, dez de poesia satírica e outros dez da poesia erótica.

Alguns links sobre a poesia de Bocage, bem como onde poderão encontrar  alguns livros editados do poeta:

https://www.bertrand.pt/autor/bocage/9129

https://www.wook.pt/livro/poesias-eroticas-bocage/223553

https://www.fnac.pt/Antologia-de-Poesia-Erotica-de-Bocage-Bocage/a1320322

Na RTP

Entrevista a Daniel Pires, presidente do Centro de Estudos Bocagianos sobre a obra satírica e erótica do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, com visita à exposição "2005 Ano Bocage", Comemorações do Bicentenário da Morte de Bocage, patente no Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal realizada por Henrique Félix.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/poesia-erotica-e-satirica-de-bocage/

Na TSF

https://www.tsf.pt/programa/o-livro-do-dia/emissao/antologia-de-poesia-erotica-de-bocage-8963082.html

No Município de Setúbal

https://www.mun-setubal.pt/livro-valoriza-poesia-erotica/


Sobre a artista plástica Dina de Sousa:

http://artistasportugueses.weebly.com/dina-de-sousa.html

Lírica

Nascemos para amar; a humanidade

Vai tarde ou cedo aos laços da ternura.

Tu és doce atractivo, ó formosura,

Que encanta, que seduz, que persuade.

 

Enleia-se por gosto a liberdade;

E depois que a paixão n’alma se apura,

Alguns então chamam-lhe desventura,

Chamam-lhe alguns então felicidade.

 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,

Qual em suaves júbilos discorre,

Com esperanças mil na ideia acesas.

 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;

E, segundo as diversas naturezas,

Um porfia, este esquece, aquele morre.

 

Satírica

Havia mais de um mês que o bom Lizeno

Fechar sequer um olho não podia.

Subemtido à fatal sabedoria

Do respeitável médico pequeno

 

Hipocrates daqui, dali Galeno

Revolvia o tacão na livraria;

Remédios contra a insónia requeria,

Porém cada receita era um veneno.

 

Eis do Franco lhe lembra em-continente

Cada verso, mais duro do que um tronco,

E recipe de alguns forma ao doente:

 

Em curta dose aplica o metro bronco;

Receitou-lhe um terceto: eis de repente

Começa a bocejar, e prega um ronco!

 

Erótica

Soneto da Dama a cagar

 

Cagando estava a dama mais formosa,

E nunca se viu cu de tanta alvura;

Porém ver cagar a formosura

Mete nojo à vontade mais gulosa!

 

Ela a massa expulsou fedentinosa

Com algum custo, porque estava dura;

Uma carta de amor de limpadura

Serviu àquela parte malcheirosa;

 

Ora mandem à moça mais bonita

Um escrito de amor que lisonjeiro

Afetos move, corações incita;

 

Para o ir ver servir de reposteiro

À porta, onde o fedor, e a trampa habita,

Do sombrio palácio do alcatreiro! (rabo).

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Max Richter – NPR Tiny Desk Home Concert (6)

A NPR Music (https://www.youtube.com/channel/UC4eYXhJI4-7wSWc8UNRwD4A) é um projecto da “National Public Radio”, uma organização de media americana sem fins lucrativos, com financiamento público e privado, lançado em Novembro de 2007, para apresentar programação musical de rádio pública e conteúdo editorial original para descoberta de música.

Parece-me um projecto interessantíssimo, principalmente, porque neste contexto de pandemia, dá-nos a possibilidade de ouvirmos grandes intérpretes e compositores a nível mundial, os quais mostram aqui, na NPR Music, a sua arte e a sua capacidade de comunicação. Por aqui vão passar, nomes conhecidos, menos conhecidos e desconhecidos. Para mim, foi e é um prazer procurar bons instrumentais e boas interpretações. As actuações poderão ser, às vezes, bastante mais extensas que o habitual, mas tentei procurar algo que possam escutar com prazer.

No Tiny Desk de hoje, vamos ouvir…

Max Richter (1966)

Tom Huizenga | January 22, 2021

Há uma dissonância distinta entre o cenário bucólico desta adorável apresentação de Max Richter no NPR Tiny Desk (em sua casa) e a realidade a que ele se refere após sua apresentação.

"Ansioso pelo tempo em que os espectáculos possam voltar e nós possamos fazer isso realmente", diz o compositor, deixando-nos com um desejo que é confirmado em sua música tranquila e investigadora.

Esta meia dúzia de peças curtas pode oferecer dois modos de experiência muito diferentes. Filmado em preto e branco artístico, a sua simplicidade e beleza convidam-nos para um mundo como um dia o conhecemos, onde o ar fresco sopra por portas abertas e os cães dormem pacificamente (participações especiais dos seus cães Evie e Haku, deitados a ouvir a sua música) sob o sol do final do verão no sul da Inglaterra.

Max Richter (piano)

Composições: "Vladimir's Blues", "Origins", "Infra 3", "Horizon Variations", "Prelude 6" e "Fragment".

domingo, 17 de outubro de 2021

Alberto Ribeiro – Fado (4)

O Fado é, desde Novembro de 2011, Património Cultural e Imaterial da Humanidade (UNESCO).

Não sou grande admirador, com uma excepção para o fado de Coimbra, mas reconheço o valor deste género musical que representa muito bem, alguma da Boa Música Portuguesa.

Alberto Ribeiro (1920 – 2002)

Fado Hilário, da autoria de Augusto Hilário.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Eyes Thru Glass (66) – Estremoz e à sua volta

Aqui neste blogue e no “Eyes thru Glass“ mostro aquilo que os meus olhos vêem, através da objectiva.

Aqui ficarão somente as fotos, sem texto ficcional e sem música, apenas uma breve introdução, onde são tiradas e quando, e eventualmente alguma especificação técnica.

As fotos foram tiradas com uma “Sony DSC H-300”. A minha Nikon tinha o motor avariado. Obrigado ao Luís Manuel pelo empréstimo da “Sony”.

Em Dezembro de 2019, andei por Estremoz e arredores. A mostra será em duas vezes. Fica aqui a primeira delas !

Evoramonte