Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

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terça-feira, 19 de maio de 2020

Palavras Nossas (2)


Texto que recebi dia 1 de Maio de 2020, da Rosélia Bezerra:

É   PRIMAVERA !

Carregando minha Cruz,

Sentida deveras,
Eis que surge Jesus!

Sua dor dilacerante,
Outrora sentida,
Dá sentido à minha vida,
Sou mais confiante...

Sou vida nova,
Sou igreja viva,
Exulto e canto,

Sou comunhão.

É feliz meu coração

Em floridos prados, 
Acontece a Ressurreição,
Ao arado, ofereço minhas mãos.

domingo, 10 de maio de 2020

Palavras Nossas (1)

Texto que recebi dia 30 de Abril de 2020, da Maria Lino:

Uma nuvem pesada invadiu o meu Céu

Uma nuvem pesada assolou o meu Céu.

Não contei o tempo, não abri as janelas, não dei pelo sol, nem senti a chuva.

Entregue às horas perdidas, enrolei-me em vidas emaranhadas e pedaços de tristeza.

Pensei que as estrelas me protegeriam dos pesadelos e  brilhariam todas as noites.

Uma nuvem pesada invadiu o meu céu.

E perguntei às gaivotas sobre a tempestade no mar.

Surpreendentemente, pipilaram em meu redor para logo voarem em bando, bem longe de mim.

A tempestade ainda não chegou. Já é primavera, as rosas não floriram, andorinhas esboçam novos céus e nos rios correm torrentes de nuvens pesadas...

No meu céu, já encontro o caminho!

M.L.