Lisboa ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços, não tem risos nem esplanadas, não tem passos, nem raparigas nem rapazes de mãos dadas, tem praças cheias de ninguém, ainda tem Sol mas não tem nem gaivota de Amália nem canoa, sem restaurantes, sem bares, nem cinemas, ainda é fado, ainda é poemas, fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa, cidade aberta, ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste, e em cada rua deserta, ainda resiste

Manuel Alegre, 20 de Março de 2020


domingo, 22 de novembro de 2020

Alcunhas Alentejanas (4) - Desinça

É uma nova rúbrica, baseada no livro de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva, intitulado “Tratado das Alcunhas Alentejanas” (3.ª edição, Fevereiro de 2003), editado pela “Edições Colibri, Lda.”, Faculdade de Letras de Lisboa.

Pedi autorização à editora Colibri e o sr. Fernando Mão de Ferro escreveu-me e autorizou-me no dia 9 deste mês (Sem problemas. Parabéns pelo projecto.Fernando Mão de Ferro) que avançasse com estas pequenas publicações. Dos autores, tentei contactar com um deles, visto que o outro, infelizmente, já faleceu, mas até agora não obtive qualquer resposta. Os textos  que publicarei não irão plagiar o livro. Irei tratar os textos de outra maneira e de algum modo publicitarei o “Tratado das Alcunhas Alentejanas”, através destes “posts”. É, como já frisei, um livro/tratado extremamente interessante e digno que figurar numa prateleira de uma biblioteca pessoal. Nele foram tratadas cerca de 20.000 alcunhas, por todo o Baixo e Alto Alentejo.

Esta publicação terá 52 números (2 voltas ao alfabeto de 26 letras) porque queremos apenas chamar à atenção dos leitores sobre a importância e o trabalho realizado. Escolheremos as alcunhas a tratar, uma por cada letra do alfabeto português, de A a Z. Foram também incluídas, as letras K, W e Y.

Tratado das Alcunhas

Desinça – masculino, cognome individual, alcunha adquirida, designação assumida/designação rejeitada, alcunha de tratamento/alcunha de referência, classificação: comportamental; história: Denominação outorgada a um indivíduo que tem tendência para danificar os objectos em que mexe (Castro Verde); o alcunhado adquiriu esta alcunha porque é um caçador bem sucedido (Portel e Vendas Novas); sujeito que sabe de todas as novidades (Portel).

(In Tratado das Alcunhas Alentejanas”, 3.ª edição, Fevereiro de 2003)

Priberam (online)

de·sin·çar - Conjugar

verbo transitivo

1. Livrar (do que é prejudicial, molesto ou numeroso).

2. Desinfestar.

Palavras relacionadas: 

desenxameardesinço

"Desinça", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/Desin%C3%A7a [consultado em 15-06-2020].

Porto Editora (online)

desinçar

de.sin.çar dəzĩˈsar

conjugação

verbo transitivo

1. limpar ou desembaraçar de coisas, pessoas ou animais que prejudicam ou incomodam

2. desinfectarexpurgarextinguir a praga de sevandijas em

De des-+inçar

8 comentários:

  1. Essa alcunha não a conhecia eu.
    Segundo a tua explicação acerca da origem da palavra, na minha terra quem tem propensão para estragar tudo a que deita a mão é um "Estraga Albardas" e até havia lá um indivíduo com esse 'mau-nome'. «Desinça», é nunca tal ouvi, mas lá está, aprender até morrer...

    Bom Domingo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A explicação é a que consta do "Tratado daa Alcunhaa Alentejanas", não é minha.
      Janita obrigado

      Eliminar
  2. Respostas
    1. São perto de 20.000 no Alentejo, por isso !... :)
      O último fecha a porta, obrigado

      Eliminar
  3. Desconhecia essa alcunha, estamos sempre a aprender.

    ResponderEliminar

Eu fiz um Pacto com a minha língua, o Português, língua de Camões, de Pessoa e de Saramago.