Ele era um lápis de grafite fina e tinha o
condão de conseguir mudar de côr, a fazer lembrar um arco-íris. Filho de um
lápis de carvão e de uma lapiseira de 5mm. Cedo, quando nasceu, se deu conta do
dom que ele possuía. Mal começou a gatinhar em cima de uma folha de papel, o
seu rasto mudou de cor, repetidamente. A Mãe e o Pai assustaram-se e
consultaram um Professor Doutor de Tinta Permanente, contando-lhe o sucedido.
Ele disse que já não era a primeira vez que isto acontecia e que dessem graças
a Deus pelo dom do pequeno lápis que um dia ele iria querer ser diferente de
todos.
Cresceu e um dia decidiu falar com os
Pais sobre o seu futuro, e disse:
“Olhem quando crescer não vou querer ser
um lápis de um mero fiel de armazém que passa o dia a subir uma escada,
a fazer contagens e a debitar números no seu caderno de notas; Também não quero
ser propriedade de um desenhador a lápis de cor que se me ponha a fazer
desenhos de núvens
e chuva, em folhas de papel cavalinho; Não vou querer estar num restaurante e
limitar-me a ver o empregado a colocar um prato e um talher na mesa, inúmeras vezes, e depois
a escrevinhar-me fazendo as contas das refeições, no seu bloco de recibos; E
muito menos quero estar dentro de uma pasta escolar para fazer aqueles desenhos
infantis que se aprendem na escola.
O que eu quero mesmo, é partir na bolsa
de um oceanógrafo, numa exploração pelos mares e chamar a atenção da
necessidade de proteger as faunas e floras dos Oceanos, e a defender os
mamíferos maiores do nosso planeta Terra, que são as baleias !”
O Pai virou-se para a Mãe e disse:
