Lisboa ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços, não tem risos nem esplanadas, não tem passos, nem raparigas nem rapazes de mãos dadas, tem praças cheias de ninguém, ainda tem Sol mas não tem nem gaivota de Amália nem canoa, sem restaurantes, sem bares, nem cinemas, ainda é fado, ainda é poemas, fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa, cidade aberta, ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste, e em cada rua deserta, ainda resiste

Manuel Alegre, 20 de Março de 2020


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Woodstock (16) – Richie Havens

Por aqui pelo “Pacto”, durante algum tempo, as músicas que encantaram, ou não, a juventude nascida nos finais dos anos 40 e na década de 50, durante o grandioso “Festival de Woodstock”, realizado nos Estados Unidos, na fazenda de Max Yasgur, cidade de Bethel, estado de New York, entre 15 e 18 de Agosto de 1969.
Encontraremos grupos e composições que muitos de nós reconhecerão como agradáveis e de imediato, e outras nem tanto assim, como algumas de género Rock Psicadélico, Hard Rock, Blues Rock, Acid Rock, Blues, R&B (Rhythm and Blues). O exemplo mais flagrante deste conjunto de géneros, será o guitarrista Jimi Hendrix, considerado por muitos, um dos melhores do Mundo e de sempre.
Este Festival foi, principalmente, um levantar de questões à sociedade, à liberdade de expressão e à guerra entre os povos. Isto tudo, tendo como base os problemas da sociedade americana da altura e as suas condições sociais, e ainda, a famigerada guerra do Vietnam que deixou marcas indeléveis nos EUA.
Tal como o Vietnam, as guerras são meramente negócio para alguns, não trazem absolutamente nada de benéfico para a humanidade. Isso todos os portugueses puderam comprovar, cronologicamente antes, com a guerra das Colónias, guerra em África ou guerra do Ultramar, consoante o quadrante politico de cada um de nós.

Hoje ouviremos, já aqui em baixo:

Richie Havens - Handsome Johnny



Richie Havens - Freedom


8 comentários:

  1. Desconhecia este cantor, gostei da tua explicação.
    Se percebi bem é um cantor com músicas de intervenção que transmitem uma mensagem numa altura conturbada do nosso mundo.
    Muito obrigada pela partilha Ricardo.

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    1. Na altura do Woodstock, a guerra do Vietnam e a liberdade e o racismo na sociedade americana, eram temas muito "quentes"!!!
      Obrigado Manuela

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  2. Bom dia amigo Ricardo
    Agradeço o teu abraço que retribuo com outro à minha maneira. Por aqui vamos travando a luta de cada dia.
    Gosto de música e foi bom ter passado aqui. Felicidades.

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  3. A arte foi sempre e será sempre uma forma de expressão pessoal e a música é uma das formas mais reveladoras. Mensagens duras e sofridas suavizadas com melodias inocentes ou estridentes chegam aos ouvidos como mosca no azeite.

    Boa abordagem de uma época Ricardo.
    Sempre em forma aqui no teu Pacto Português! :)
    Beijinho.

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    1. A música é a única linguagem universal, por isso sem ela não consigo viver. Também se reflectem aqui tempos da guerra nas colónias que somente serviram, como todas as guerras, para destruir o que o Homem faz de bem, dando lugar aquele homenzinho mesquinho e indigno deste planeta em que vivemos.
      Obrigado mz



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  4. Quando vi o nome Ritchie Havens, fiquei pensativo: «Conheço este nome de algum lado...». Assim que comecei a ouvi-lo, lembrei-me logo dele. Ritchie Havens foi um dos artistas afro-americanos lançados pela etiqueta Tamla Motown, juntamente com muitos outros que, esses sim, atingiram o estrelato: Otis Redding, Ike and Tina Turner, Diana Ross and The Supremes, Stevie Wonder, Jackson Brothers (incluindo um miúdo chamado Michael Jackson), etc. A Motown foi um verdadeiro monumento à música popular negra norte-americana e Ritchie Havens foi um dos definidores do inconfundível som Motown.

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    1. A "Tamla Motown" foi uma das etiquetas que causou mais sucessos nas suas edições. Basicamente ou totalmente creio, com artistas afro-americanos. O Richie Havens também era uma das suas estrelas, menos ouvida, pelo menos por nós portugueses do que muitos outros que aqui citaste !
      Obrigado Fernando

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Eu fiz um Pacto com a minha língua, o Português, língua de Camões, de Pessoa e de Saramago.