A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

sábado, 26 de abril de 2014

Lisboa (XIII) – Rossio e Estação

(In Wikipédia ou em “site” indicado - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

A Praça de D. Pedro IV, mais conhecida pelo seu antigo nome de Rossio, tem constituído o centro nevrálgico de Lisboa desde há seis séculos. Assistiu a touradas, festivais, paradas militares e também a autos-de-fé durante a Inquisição.
Hoje assiste a ocasionais comícios políticos, e os seus sóbrios edifícios pombalinos, estão ocupados por lojas de recordações, joalharias e cafés.
Em meados do século XIX a praça foi calcetada a preto e branco, com padrões ondulantes. Foi um dos primeiros desenhos desse tipo a decorar os pavimentos da cidade. No lado norte da praça fica o Teatro Nacional D. Maria II, que recebeu o nome da filha de D. Pedro, D. Maria II.
Estátua de D. Pedro IV - No centro da praça, ergue-se a estátua de D. Pedro IV, vigésimo oitavo rei de Portugal e primeiro imperador do Brasil independente. Na sua base, as quatro figuras femininas são alegorias à Justiça, à Sabedoria, à Força e à Moderação, qualidades atribuídas ao Rei-Soldado.
Criou-se uma lenda urbana de que a referida estátua de D. Pedro IV na verdade teria sido, originalmente, concebida para o imperador Maximiliano do México. Como o imperador mexicano foi fuzilado em 1867, pouco antes do término da estátua, prontamente teria sido essa reaproveitada para o projecto de revitalização do Rossio, o que explicaria as – supostas – semelhanças da estátua do rei português com a figura do imperador mexicano. Vários estudiosos, como o historiador José Augusto França em A arte em Portugal no século XIX, já se demonstravam contra essa teoria, visto que a peça apresenta claros sinais de se tratar duma figura nacional portuguesa: os escudos nos botões, o colar da Torre e Espada e a Carta Constitucional. Recentes descobertas na base da estátua em meados de 2001, durante obras de restauro, reafirmam tratar-se da figura de D. Pedro IV - dois frascos de vinte centímetros cada, contendo documentos e uma fotografia revelada em albumina, que estão a ser analisados pelo Instituto Português de Conservação.
Estação Ferroviária do Rossio - É uma estação da linha de Sintra da rede de comboios suburbanos de Lisboa. Fica situada entre o Rossio e a Praça dos Restauradores, em Lisboa.
Foi autor do projecto o arquitecto José Luís Monteiro, por encomenda da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses. A obra teve início, em 1886, tendo sido adjudicada a uma empresa belga, e incluiu, além da construção da estação, a escavação do túnel ferroviário, a ligação rodoviária à Calçada do Carmo e a construção do Hotel Palace.
Foi inaugurada em 23 de Novembro de 1890, com o nome de Estação da Avenida.
Durante muitos anos o Rossio foi a estação central de Lisboa, estação terminal de comboios nacionais e internacionais, que a ela chegavam pelas Linha de Cintura e Linha do Oeste.
Com o aumento de tráfego da linha de Sintra, a estação do Rossio passou a estar apenas destinada ao tráfego suburbano de passageiros, sendo os restantes comboios transferidos novamente para a estação de Santa Apolónia (com a excepção, durante alguns anos, dos comboios da linha do Oeste).
A linha de acesso à estação foi electrificada em 1956, pondo fim aos problemas ligados ao fumo dentro do túnel.

O tema escolhido para ilustrar musicalmente estas fotografias é o tema de António Pinho Vargas, “La Corázon”, do álbum “Os Jogos do Mundo” de 1989, com a presença de APV (Yamaha grande piano), José Nogueira (saxofone  alto e saxofone Selmer), Mário Barreiros (bateria Pearl e pratos Sabian), Pedro Barreiros (contrabaixo), Quico (sintetizadores Roland D-50, Júpiter 8, MKS-80, S-550) e Rui Júnior (tablas e percussão)

António Pinho Vargas (1951-20xx) – Nascido em Agosto em Vila Nova de Gaia, tem uma carreira musical longa e rica de experiências. Funda em 1970, a “Associação de Música Conceptual”, conjuntamente com Carlos Zíngaro e Jorge Lima Barreto. Licenciado em História pela Faculdade de Letras do Porto, enfrenta alguns anos de dificuldade pessoal por querer ser músico de “jazz”. Malpertuis, Bambu, Faces, Fora de Moda, Ritual, são álbuns de outros músicos com quem participa. Em 1983 estreia-se com o álbum “Outros Lugares”. Depois não pára e compõe e edita outros álbuns, tais como: Cores e Aromas; As Folhas Novas mudam de Cor; Os Jogos do Mundo; Selos e Borboletas. No teatro e cinema, com bandas sonoras: “Hamlet”; Tempos Difíceis;  Aqui na Terra, Cinco Dias, Cinco Noites. Também música erudita e ópera, com “Os Dias Levantados”.
E nunca mais parávamos de falar de APV, este excelente compositor e intérprete que é mais uma pérola do tão abandonado panorama musical português.

4 comentários:

  1. Este teu post é uma espécie de 3 em 1, Ricardo. Excelente!
    O vídeo deves tê-lo feito no movie maker a partir de fotos tuas.
    Não conheço muito da velha Lisboa, e o Praça do Rossio creio que lá não vou desde que foi restaurada. A calçada portuguesa nesses efeitos ondulados é lindíssima.
    Muito elucidativo o texto que expões e creio que fazes uma apologia ao talento de António Pinho Vargas, numa homenagem merecida e justa.
    Gostei imenso da composição de APV, que usaste como música de fundo.
    Mostras-nos, em pouco mais de 5 minutos, muito da riqueza da nossa história arquitectónica e cultural, dessa Lisboa que amas!:)

    Um beijo.

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    1. Pena que as fotos, como já disse uma, carregadas no WMMaker perdem qualidade e depois ainda perdem mais um bocado, com o carregamento do video para o Youtube. De qualquer maneira o Rossio e a estação de caminhos de ferro são arquitectura muito rica e bonita da capital.
      O António Pinho Vargas é mais riqueza, a nível musical, do património português. Embora eu queira vê-los por cá, a projecção mundial que muitos deles teriam se tivessem nascido noutro país, onde a cultura é desenvolvida e onde a educação das pessoas desde a mais tenra idade é direccionada para ouvir, ler, escutar, tudo o que de belo e interessante se faz.Seriam de certeza conhecidos a nível do nosso planeta. Hoje confunde-se muito arte e cultura com formas menores e quiçá de somenos importância, vidé o futebol.

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  2. A zona da minha cidade que mais calcorreei... Muitas saudades.
    Obrigada.

    Beijinhos e boa semana.

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    1. Ias comer um "duchesse" à pastelaria Suiça, deixa-me adivinhar !? :)
      Obrigado pela visita

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.