Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Histórias de ontem (II) – A Pedinchona do LIDL

Vou ao LIDL todos os sábados para fazer as compras semanais. Dia 18, quando cheguei à fila para pagar, (gosto mais de dizer bicha!... que mania que temos de nos censurarmos a nós próprios, no correcto português vernáculo!). Dizia eu, quando cheguei à caixa, estavam três pessoas na minha frente e mesmo à minha frente, uma senhora aí dos seus 35 anos, não se calava com o "Gang dos Frescos" e que queria fazer a colecção toda e "rebéubéubéu pardais ao ninho" e dizia:

- Eu cá sou muito pedinchona se as pessoas não quiserem eu fico-lhes com os selos para mim. Esta semana então, tenho vindo ao LIDL todos os dias e ando na pedincha. Sou muito pedinchona !

Já chateava o monólogo, era "pedinchona" para a esquerda "pedinchona" para a direita e ela nunca mais se calava. Ainda se riu para mim, a falar sobre o tema, mas eu, embora sendo conversador emérito, não estava para alimentar aquela conversa da pedinchiche e da pedinchona. Grande azar o meu ...

Quem estava na caixa para pagar lá mais à frente, disse:

- Eu não quero os selos !
- Se não quer, eu fico com eles para mim, eu sou uma pedinchona!

Grrrrrrrrr !!!!

Lá ficou com os selos dessa pessoa e da outra a seguir, antes da vez dela de chegar à caixa. Mais conversa com a menina da caixa, sobre os selos e a "pedinchona". Finalmente, pagou. Mas em vez de sair, dirigiu-se à caixa multibanco, logo à saída das caixas, que o LIDL costuma ter nas suas lojas, para os utentes se utilizarem.

- Uffffffffff !!! - respirei eu.

Tinha terminado a conversa dos selos para os bonecos do "Gang dos Frescos" e da "pedinchona", pensei eu. Quando ia pagar, pergunta-me a empregada:

- O senhor não quer os selos para o "Gang dos Frescos" ?
- Não, muito obrigado!

E pasmem!... Uma vozinha esganiçada, veio do lado da Caixa Multibanco:

- Se esse senhor não quer, eu fico com eles para mim !...

Ao que eu retorqui em voz alta e logo de seguida, sem a deixar dizer mais nada:

- EU NÃO ME IMPORTO, PORQUE A SENHORA É UMA MESMO UMA PEDINCHONA !!!

Risota geral na fila da caixa e nas outras caixas à volta, de quem já tinha assistido à conversa da pedinte. Veio ter comigo, agradeceu os selos, e mais uma vez a palavra trunfo da conversa, foi redita duas ou três vezes.


Dia 18, saí cansado do LIDL e com duas vontades em mente. Ou queimo os peluches do "Gang dos Frescos" ou faço a colecção completa !!!

Isto é História dos Transportes, com a célebre banda da Carris (1951)

domingo, 26 de janeiro de 2014

Os Festivais das Canções (1979)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Vou andar por aqui a mostrar um pouco da música dos Festivais da Canção, o da RTP e o da Eurovisão. Ouvirão e verão, sempre que haja vídeo no Youtube , os três primeiros lugares de cada um deles.

Euro Festival 1979, em 31 de Março, Jerusalém (Israel).

1º. Gali Atari (29-12-1953) e Milk and Honey (1979 – 1989) - Hallelujah


2º. Betty Missiego (16-01-1945) - Su canción


3º. Anne-Marie David (23-05-1952) - Je suis l'enfant soleil


Festival RTP da Canção de 1979, em 23 de Fevereiro, no Teatro Monumental.

1º. Manuela Bravo (07-12-1957) - Sobe, sobe, balão sobe


2º. Gabriela Schaaf (1960) – Eu Só Quero


3º. SARL (1974-????) - Uma Canção Comercial


sábado, 25 de janeiro de 2014

Jazz Standards (CIX)

(Dados Biográficos In Wikipédia e In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

(Sobre o tema em questão, algumas palavras retiradas de “in
http://www.jazzstandards.com/compositions/index.htm” - adaptação e tradução por Ricardo Santos)

Exactly Like You (#113) - Música de Jimmy McHugh e Letra de Dorothy Fields
Harry Richman e Gertrude Lawrence apresentou "Exactly Like You”, no musical “Revue Internacional” de Lew Leslie, em 25 de Fevereiro de 1930, no ”Majestic Theater”, em New York. Depois de 95 exibições o espectáculo encerrou, no entanto, as duas composições de Dorothy Fields e Jimmy McHugh, "On the Sunny Side of the Street " e "Exactly Like You", foram um êxito e tornaram-se “standards”.

"Exactly Like You" esteve várias nas tebelas dos mais vendidos:

Ruth Etting (1930, vocal, Nº. 11);
Harry Richman (1930, vocal, Nº. 12);
Sam Lanin e a sua orquestra (1930, Smith Ballew, vocal, Nº. 19);
Benny Goodman Trio (1936, Lionel Hampton, vocal, Nº. 12); e
Don Redman e a sua orquestra (1937, Nº. 14).

Broadway foi duramente atingida pela “Grande Depressão”, e muitos espectáculos, como o “Revue Internacional” terminaram após poucas exibições. Embora bem financiada e com um elenco de alto nível (Gertrude Lawrence, Harry Richman, Jack Pearl, Anton Dolin e Argentinita) com coreografia de mestre, de Busby Berkeley e músicas de McHugh/Fields, o musical tinha um mau argumento, muito longo, e, no geral, era pouco apelativo ao público e aos ou críticos.

Oscar Peterson  (Montreal, Quebec, Canadá, 15-08-1925 – Mississauga, Ontário, Canadá, 23-12-2007) e Count Basie (Red Bank, New Jersey, EUA, 21-08-1905 - Hollywood, Florida, EUA, 26-04-1984) – Em Los Angeles, Califórnia, 2 de Dezemnbro de 1974, do álbum “Satch and Josh”. Com o quinteto de Oscar Peterson, com Oscar Peterson (piano), Count Basie (piano, orgão), Freddie Green (guitarra), Ray Brown (contrabaixo) e Louis Bellson (bateria).




Diana Krall (Nanaimo, Canadá, 16-11-1964 - 20xx) – Ao vivo no Rio. Editado pela Verve em 2009, o DVD onde se encontra esta música foi filmado em Novembro de 2008, no Rio de Kaneiro, pátria da bossa-nova.


Django Reinhardt (Liberchies, Pont-à-Celles, Bélgica, 23-01-1910 - Fontainebleau, França, 16-05-1953) e Stephane Grappelli (Paris, França, 26-01-1908 — Paris, França 01-12-1997) – Do álbum “Djangology”, editado pela Capitol em 1936.


Nina Simone (Tryon, North Carolina, EUA, 21-02-1933 — Carry-le-Rouet, 21-04-2003) – Ao vivo, em Varsóvia, Polónia, a 18 de Dezembro de 1997, no “Kongresowa Hall”.


Letra

I know why I waited
Know why I've been blue
I've been waiting each day
For someone exactly like you
Why should I spend some money
On a show or two
When nobody sings these love songs
Exactly like you
You make me feel so grand
I wanna give this world to you
You make me understand
These foolish little dreams I'm dreaming
And schemes I'm scheming
Now I know why my mama
She taught me to be true
She knew just around the corner
Was somebody like you
You make me feel so grand
I wanna give this world to you
Baby you make me understand
These foolish little dreams I'm dreaming
And schemes I'm scheming
Now I know why my mama
She taught me to be true
She knew just around the corner
Yes she knew just around the corner
Was somebody like you

Lamento, algumas eventuais falhas nas letras, encontradas na Internet, devido à própria improvisação dada pelos seus intérpretes, e muitas vezes de difícil entendimento. (Ricardo Santos)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Lisboa (VIII) – Parque Mayer

Parque Mayer, os 80 anos da “Broadway” Portuguesa

Criado no início dos "loucos anos 20" com a ambição de ser um pólo teatral, o Parque Mayer impôs-se como centro do teatro de revista e feira popular moderna, sobreviveu à censura de Salazar e Caetano, à rádio e ao cinema, ao futebol, ao partidarismo da revolução, à televisão e às telenovelas. É um "sempre-em-pé", embora tenha atravessado várias crises. Fixou-se no imaginário nacional como a "catedral da revista", uma Broadway à portuguesa. A suposta decadência não evitou a gula disfarçada de propostas de remodelação urbanística, em crescendo desde finais dos anos 60. Uma boa ocasião para revisitar este palco maior, os seus fazedores, os seus espectáculos, o seu público, as propostas de remodelação.

Os Teatros:

Maria Vitória em 1922 (O único em funcionamento);
Variedades em 1926;
Capitólio em 1931;
ABC em 1956;

Em 1920, por ocasião duma partilha familiar, o Palácio Mayer foi comprado por Artur Brandão, juntamente com os seus anexos e parque. Este, por sua vez, vendeu-o a Luís Galhardo, tendo-se então constituído a sociedade Avenida Parque Lda. (28/5 e 30/11/1921). Galhardo, figura consagrada do meio teatral, estava interessado em criar um novo local de espectáculos. Àquele associou-se um conjunto de homens de negócios. Para tal constituiu-se a Sociedade Avenida Parque (11/2/1922 e 19/7/1924), com dez sócios, destacando-se Elias Azacot, Carlos Borges, Hipácio de Brion e Alberto Pinto Gouveia. Este último iniciaria em 1928 uma liderança familiar (embora partilhada), que prosseguiria com o seu filho Campos Figueira, o seu neto homónimo e o seu bisneto Artur Gouveia (actual responsável da sociedade sucessora, a Avenida Parque, SA).
Este espaço já detinha uma aura lúdica e boémia, pois alojara o Club Mayer, um clube nocturno de revista e jogo, durante 1918-1920. No entanto, a nova sociedade concentrou-se no Parque Mayer, tendo vendido o palacete, que se tornou no Consulado Geral de Espanha, em 1930.
O Parque Mayer foi inaugurado em 15/6/1922, substituindo e incorporando a função lúdica da Feira de Agosto (criada em 1908, na Rotunda), uma das últimas "feiras típicas" da capital, com petiscos, comércio e diversões. Inicialmente apresentou-se em instalações precárias de madeira ("barracas"), mas situava-se numa zona mais central e frequentada.
Nos primeiros anos o recinto designou-se por Avenida Parque, mas o nome antigo acabaria por impor-se correntemente. Com o tempo, transformar-se-ia num moderno e popular recinto de diversões ao ar livre, pretendendo emular o que se fazia em Paris (Luna-Park, Magic-City), Madrid (Retiro), Barcelona (Grande Parque), Sevilha, etc. (...). Mais tarde, esta componente seria ampliada e aperfeiçoada pela Feira Popular de Lisboa (1943).
Entre as diversões que passaram no Parque Mayer destacam-se as "barracas de tiros", os bailes (de fim-de-semana, ou de Carnaval), os circos Royal, El Dorado e Luftman, as "barracas" do "Pôrto de Lisboa" (miniatura animada da Ribeira) ou de "fenómenos" como a "mulher transparente" e a "mulher-sereia" e as pulgas amestradas, o labirinto e a roleta diabólica, a laranjinha, as "variedades", o jogo do quino, o jogo clandestino (para os mais aventureiros), os carrosséis e os fantoches, o Pavilhão Infantil, os "carrinhos de choque", a patinagem, os combates de boxe, a luta greco-romana e a luta livre.

Da história mais recente e de uma boa gestão camarária (?):

Em 1999 os terrenos do Parque Mayer foram comprados pela empresa “Bragaparques” por 13 milhões de euros.
Em 5 de Julho de 2005 a “Bragaparques” permutou os terrenos do Parque Mayer por parte dos lotes municipais de Entrecampos, onde se situava a Feira Popular.
A Câmara Municipal de Lisboa contratou o arquitecto Frank Gehry para elaborar um projecto de reabilitação para o espaço. Depois de pagar 2,5 milhões de euros em honorários, acabou por desistir do projecto. 
A 25 de Janeiro de 2008, a Câmara de Lisboa, já sob a presidência António Costa (PS), aprovou para a Autarquia passar a defender em tribunal a nulidade da permuta dos terrenos da Feira Popular com o Parque Mayer.
O projecto de reabilitação do Parque Mayer foi entregue ao arquitecto Manuel Aires Mateus e abrange toda a área, desde o Jardim Botânico ao Museu da Escola Politécnica.
O plano prevê a construção de um hotel com 100 quartos, um novo teatro com capacidade de 600 espectadores e a possibilidade de remodelação do Teatro Variedades.

Está tudo na mesma, pelo menos fisicamente no local!
As fotos “tristes” aqui ficam e o projecto camarário final prevê, de alguma maneira, a recuperação do histórico Parque Mayer, não como era, mas como comercialmente interessa ser.

Musicalmente, “O Homem da Gaita”, escrito, originalmente, por José Afonso, para o álbum “Com As Minhas Tamanquinhas” de 1976, e interpretado aqui, por Sérgio Godinho, para o álbum “Rivolitz” (ao vivo), de 1998 (com: Sérgio Godinho – voz e guitarra; Nuno Rafael – guitarra, voz e kazoo; João Cardoso – teclados e voz; e Pedro Gonçalves – contrabaixo e baixo eléctrico), vem lembrar que há pessoas que embora façam muita confusão aos outros pela sua diferença, são importantes. Também o Parque Mayer fez a diferença e felicidade de muitas gerações ao levar o Teatro “popular” tido como “de revista”, para todos nós os portugueses. Resistindo à censura “salazarista” durante a ditadura fascista, a qual todos já esqueceram. Muitos, felizmente, nunca viveram nela, e nem tão pouco percebem o que foi essa época.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Milt Jackson – Groups & Soloists of Jazz (X)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Milt “Bags” Jackson (Detroit, Michigan, EUA, 01-01-1923 - Manhattan, New York, EUA, 09-10-1999) – Foi um vibrafonista de Jazz, norte-americano, geralmente considerado como um concertista de “bebop”, embora ele se tenha apresentado a tocar vários tipos de jazz. É, especialmente, lembrado pelos seus solos ligeiros balanceado, não só, como um membro do “Modern Jazz Quartet”, mas também a sua propensão para colaborar, com vários músicos “hardbop” e “pós-bop”.
Músico extremamente expressivo, Jackson diferenciou-se de outros vibrafonistas porque estava atento às variações harmónicas e ao ritmo. Gostava particularmente dos “blues” de doze compassos, em andamentos lentos. Ele preferiu definir o oscilador do vibrafone para umas baixas 3,3 rotações por segundo (isto em oposição, por exemplo, à velocidade de Lionel Hampton, de 10 rotações por segundo). O seu “vibrato” era mais subtil. Ocasionalmente, Jackson também cantava e tocava piano.
Ele foi descoberto por Dizzy Gillespie (trompete), que o contratou para o seu sexteto em 1946 e também o protegeu de grupos maiores. Rapidamente adquiriu experiência, ao trabalhar com as figuras mais importantes do jazz da época, incluindo Woody Herman (clarinete), Howard McGhee (trompete), Thelonious Monk (piano) e Charlie Parker (saxofone.
…

The Prophet Speaks, no “Jazz Baltic Festival” de 1999, com Mike LeDonne (piano), Mickey Roker (bateria) e Pierre Boussaguet (contrabaixo).


Nuages, com “The Milt Jackson Quartet”, com Makoto Ozone (piano), Jaribu Shahid (contrabaixo) e Tani Tabbal (bateria), em 1995.


Just Friends, no “Jazz Baltic Festival” de 1999, com Mike LeDonne (piano), Mickey Roker (bateria) e Pierre Boussaguet (contrabaixo), e ainda, como convidado, Bobby Hutcherson (vibrafone).


True Blues, com “The Modern Jazz Quartet, com John Lewis (piano), Percy Heath (contrabaixo) e Connie Kay (bateria). No Alexandra Palace, para o “Capital Radio Jazz Festival”, Londres 1982.