Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Folhetim Radiofónico “Zéquinha e Lélé” - "A Dieta"

Infelizmente o som não é muito bom, mas este folhetim radiofónico data de 1947, na “Emissora Nacional”, com Irene Velez (Lélé), filha da actriz Elvira Velez, Vasco Santana no papel de “Zéquinha” e ainda a actriz Maria Matos que desempenhava o papel de sogra do “Zéquinha”.

Texto (adaptado) do video no Youtube da autoria de Miguel Ângelo Catarino Vaquinhas:

“Em sua homenagem (Vasco Santana), publico esta gravação do folhetim radiofónico "Zéquinha e Lélé", folhetim realizado em 1947 na Emissora Nacional, que era protagonizado por Vasco Santana, que desempenhava o papel de "Zéquinha", pela locutora de rádio Irene Velez, filha da actriz Elvira Velez e esposa do locutor Igrejas Caeiro, que desempenhava o papel de "Lélé", e Maria Matos, que desempenhava o papel de mãe da "Lélé", a sogra do "Zéquinha", "AQUELA SANTA", como dizia o Vasco Santana. Esta gravação data de 1947 e pertence à Discoteca da Repartição dos Serviços de Produção da Emissora Nacional. Este folhetim foi um grande êxito e foi sempre anunciado como "VITAMINAS V.S: DE VASCO SANTANA". O programa foi em 1948 proibido pela Emissora Nacional, por ordem do seu presidente António Ferro, devido ao Vasco Santana ter ofendido a integridade moral de todas as mulheres portuguesas por causa das referências à sua sogra no folhetim, o que provocou a fúria de Salazar, pois Sua Excelência o Presidente dos Bravos Portugueses era um dos ouvintes mais assíduos do folhetim, e tão assíduo era que, quando o Vasco Santana passou uma vez na rua, o carro onde estava Oliveira Salazar passou por ele e o "Oliveirinha da Serra" cumprimentou Vasco dizendo "Olá Sr. Zéquinha". Tal não era a admiração de Salazar por ele. Os artistas que Salazar mais gostava eram, sem dúvida, Vasco Santana e Hermínia Silva, o que não quer dizer que eles gostassem dele! Mas mais tarde em 1951 o folhetim foi retomado no Rádio Clube Português no programa de Igrejas Caeiro "Os Companheiros da Alegria". O sucesso continuou e tanto na Emissora Nacional como no Rádio Clube Português, este folhetim era emitido. Este programa ficou na história devido a que quando o Vasco Santana dizia "Olá", "Tá bem ou não tá", "Aquela santa" ou qualquer palavra, ou quando aparecia mesmo no palco, pois o folhetim era representado ao vivo, era uma barrigada enorme de riso. Este folhetim também foi gravado em estúdio. Vasco Santana foi um dos maiores actores do mundo da representação portuguesa, quer no teatro, quer na revista, quer no cinema, quer na rádio, quer na televisão. Foi graças ao Vasco Santana e a muitos colegas seus, que nasceram aqueles que hoje são as maiores referências do mundo da representação em Portugal. Apesar de estar falecido, a arte e o talento do Vasco Santana ficarão sempre na memória de muitos portugueses, e tais casos poderão ser vistos nos filmes que ele protagonizou. UM BEM-HAJA A VASCO SANTANA !”.



Fumar em Público - Interacção Humorística (CXXVII)

Em 11-07-2011. Obrigado.

Fumar em Público

Uma rapariga que trabalhava num escritório foi a um restaurante almoçar. Como estavam todas as mesas ocupadas, sentou-se numa em que já estava uma senhora de idade. Começaram a comer em silêncio, sem trocar palavra, até que a rapariga, terminada a refeição, acendeu um cigarro.

Observou a velhota com dignidade:

- Preferia cometer o adultério do que fumar em público!

Resposta da rapariga:

- Eu também ... mas só tenho uma hora para o almoço!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Duas composições dos álbuns mais vendidos (XII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

EUA, Madonna, “Like a Virgin” e “Material Girl”, The Immaculate Collection, 09-11-1990, Pop / Dance

Editado 09-11-1990, um dos álbuns de maior sucesso de todos os tempos, e por indicação do “Guiness Book of World Records” com vendas de cerca de 40 milhões de unidades. Falo-vos do álbum “The Immaculate Collection” de Madonna, uma artista que pareceria que em 1984, e após o seu grande sucesso “Like a Virgin”, não duraria muito no meio artístico mundial. Ela era apenas mais uma rapariga na casa dos vinte anos que tentava a sua sorte no panorama da música “Pop” mundial.
Como eu viria a estar enganado, Madonna cresceu e depois de ter cantado “Like a Virgin” com 26 anos de idade, começou uma carreira, polémica às vezes, mas com muita vontade de vencer e de se alcandorar a grandes sucessos, como veio a acontecer.

Like A Virgin, composição composta por Billy Steinberg e Tom Kelly, editada pela Sire/Warner Brothers em “single”, em 06-11-1984. Aqui o video (teledisco) oficial.


Material Girl, composição composta por Peter Brown e Robert Rans, editada pela Sire/Warner Brothers em “single”, em 30-11-1984. Aqui ao vivo em 1985, na “Tour Virgin”.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Histórias de ontem (III) - 1ª. Ida ao Porto em Trabalho

Obrigatório são duas homenagens a duas pessoas que trabalharam comigo no meu anterior emprego. Falo dos saudosos, Paula, nossa assistente de agendamentos a clientes, e o colega, amigo e técnico, Mário. Deles a tristeza que me assola, quando neles penso e os recordo. Estejam onde estiverem, um abraço de saudade para os dois.

Esta estória teve lugar aqui há uns anos, por volta de 1992 (creio !), quando fui pela primeira vez em trabalho ao Porto. Na altura os técnicos costumavam ficar numa pensão da Rua de Santa Catarina, infelizmente, uma zona de prostituição nocturna.

Um dos meus colegas, o “Tira-Picos”, avisou-me para que eu pedisse um dos quartos, das traseiras, acho que até me deu o número do quarto. Na realidade, as janelas da frente davam para a Rua de Santa Catarina e como era uma zona complicada, havia bastante barulho durante a noite e foi simpático do “Tira-Picos” querer avisar-me desta situação.

Lá pedi o tal quarto das traseiras que até estava livre, e nessa noite, depois de chegar relativamente tarde do trabalho, o que era normal, visto que somente podíamos intervir fora-de-horas, preparei-me para me ir deitar. Higiene normal. Deitei-me na cama, cansado, deveriam ser umas 00:00 horas. Mal preguei olho durante a noite. Acabei por adormecer cansado já madrugada alta. O que o “Tira-Picos” não me tinha dito é que nas traseiras havia um cão coadjuvado, algumas vezes por outros, que ladrava e uivava, com o calor, a noite toda !...

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O Jacaré vegetariano

A tendência é para ser humorista com este “Subversivo da Treta”. “Treta”, obviamente, em homenagem aos cómicos António Feio e ao José Pedro Gomes.         
À boa maneira de muitas notícias mediáticas que abundam pelos nossos meios de comunicação (imprensa, rádio e tv), onde o banalismo impera e onde nos dão aquilo que querem e interessa dar, mantendo-nos na completa ignorância daquilo que é importante numa sociedade.    
Será que é no fundo, o que nós gostamos de ouvir ?

Na freguesia de Olhameparaisto fugiu da propriedade do sr. Evaristo Papaléguas, um jacaré doméstico, que tinha sido trazido de África, em bébé, quando da última visita feita pelo casal Papaléguas a Moçambique. Após entrevista ao casal, foi-nos que se tratava de um animal vegetariano e que a sua alimentação se baseava em fruta de todo o tipo, tomates e grelos. A fruta que comia com mais satisfação eram melancias e melões. Três a quatro melancias ou melões diários. Abria a boquinha e de uma dentada…

Vivia em conjunto no espaço da quinta, com os outros animais. Porcos, bezerros e aves de capoeira, numa sã convivência, o “Pretinho”, como lhe chamavam os Papaléguas, não fazia mal a uma mosca.

Na quinta do casal, havia um cultivo adicional de melancias, melões, tomates e grelos que eram a base alimentar do “Pretinho”. Com cerca de 4 metros de comprimento, desde o focinho até à ponta da cauda, o réptil é uma animal afectuoso. Come fruta à mão, para quem tiver coragem de lha dar. Possivelmente, poderá ter sido alguém que gostaria de ter um jacaré em casa, como animal de estimação, que o raptou dos Papaléguas.

Responde ao nome dele, com um urro grave e fundo, dando marradinhas nas pernas de quem o chama, e tem duas manchinhas brancas, por cima dos dois olhos.

A PJ começou a investigar o rapto, e a procurar nos hipermercados, mercearias a compra anormal de melancias, melões, tomates e grelos, que são a alimentação base do bichinho.
Dão-se alvíssaras para quem o encontrar.

O “Subversivo da Treta” publicou a foto do animal e está a ajudar na procura do dito.

"Ei-lo aqui quando ainda era pequenino, nas mãos do senhor Papaléguas. Reparem nas manchinhas brancas!".

sábado, 2 de agosto de 2014

Michael Brecker – Groups & Soloists of Jazz (XVI)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Michael Brecker Leonard (Cheltenham, Pennsylvania, EUA, 29-03-1949 - New York City, New York, EUA, 13-01-2007) – Foi um saxofonista de jazz norte-americano e compositor. Reconhecido como "um músico calmo, gentil amplamente considerado como o saxofonista tenor, o mais influente após John Coltrane". Foi agraciado com 15 Grammy, como intérprete e compositor. Ele foi premiado com um doutoramento honorário passado pela “Berklee College of Music”, em 2004, e foi registado ao “Down Beat Jazz Hall of Fame”, em 2007.
Nascido na Filadélfia, Pensilvânia e criado em Cheltenham Township, um subúrbio local, Michael Brecker conviveu com o “Jazz” desde tenra idade, visto que o seu pai, era um pianista de “Jazz” amador. Ele cresceu, como que fazendo parte de uma geração de músicos de “Jazz”, que viram o “Rock” não como inimigo, mas como, uma opção musical viável. Brecker começou, na escola, por estudar clarinete, e em seguida, mudou-se para saxofone alto, decidindo-se, mais tarde, e finalmente, pelo saxofone tenor, como o seu principal instrumento. Ele formou-se em Cheltenham High School, em 1967, e depois de estar, apenas um ano na Universidade de Indiana, ele mudou-se para New York (1969), onde criou para si mesmo uma carreira dinâmica e emocionante, como solista de “Jazz”. Ele deixou a sua marca, aos 21 anos, como membro da banda de “Jazz-Rock” “Dreams”. A banda incluía o seu irmão mais velho, o trompetista Randy Brecker, o trombonista Barry Rogers, o baterista Billy Cobham, o teclista Jeff Kent e o baixista Doug Lubahn. O grupo “Dreams” teve vida curta, durando apenas um ano, no entanto, Miles Davis foi visto em algumas actuações, antes da sua gravação do álbum Jack Johnson (1971).
A maioria do trabalho inicial de Brecker é marcado por uma abordagem informada tanto pela guitarra de “Rock” como por saxofone “R&B”. Depois do grupo “Dreams”, ele trabalhou com Horace Silver (piano) e Billy Cobham (bateria), antes de mais uma parceria com o seu irmão Randy para formar os “Brecker Brothers”. A banda seguiu tendências “Jazz-Rock” da época, mas com mais atenção para arranjos estruturados, um contratempo mais pesado, e uma influência de “Rock” mais forte. A banda manteve-se unida entre 1975 e 1982, com sucesso e musicalidade consistente.
…
A 13 de Janeiro de 2007, Brecker morre, em New York, de complicações provocadas uma leucemia.

Softly as in a Morning Sunrise, Gravação do Canal “3SAT”, com Michael Brecker (saxofone tenor), Ulf Wakenius (guitarra), Christian McBride (contrabaixo), Benny Green (piano) e Alvin Queen (bateria), no “Jazz Baltica” em 2003.


Madame Toulouse, com o “Michael Brecker Group Live”, em 1998, no “Leverkusener Jazztage” (Alemanha), com Michael Brecker (saxofone tenor), Joey Calderazzo (piano), James Genus (contrabaixo) e Ralph Peterson (bateria).


Pools, com o excepcional grupo norte-americano “Steps Ahead”, com Michael Brecker (saxofone tenor), Mike Mainieri (vibrafone), Chuck Loeb (guitarra, Victor Bailey (contrabaixo) e Peter Erskine (bateria). Perugia (Itália), em 13 de Julho de 1985.



In a Sentimental Mood, com os Steps Ahead, em Tokyo 1986, e aqui com Mike Manieri (teclas, “Moog Synthesyzer”), e Michael Brecker (saxofone sintetizado).