Dá a surpresa de ser
Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.
Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?
10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Os “Ditos” das Caldas
Contou-me o meu Pai, uma situação verídica que se teria passado com um colega de trabalho que foi passear às Caldas e que vou aqui tentar engendrar um possível diálogo, com a situação que teria acontecido.
Depois de lhe indicarem onde comprar a louça, entrou na loja e dirigiu-se à senhora que estava ao balcão.
- Boa tarde minha senhora. Eu queria ver louça das Caldas. Têm aqui dessa louça ? (cumprimentou e inquiriu).
- A casa está cheia de louça da nossa terra, é procurar a que mais lhe convém (retorquiu).
Deu a volta pelos escaparates e não encontrou o que pretendia. Mas, afinal o que pretendia ele ? Obviamente, a célebre louça que tão conhecida é, e que desde as canecas com os “ditos” lá dentro, passando pelos pequeno batons, e/ou, em inúmeros objectos de louça, onde se encontram apensos.
- Desculpe minha senhora, mas não encontro a louça que queria comprar e levar (preocupado).
- Mas olhe que o que não falta para aí é louça das Caldas, como já lhe disse. Desde pratos a travessas, temos de tudo ! (com certeza do que estava a dizer).
- O que eu queria era aquela louça típica que se costuma oferecer a um colega, a um amigo... (tentando fazer-se entender)
Estamos a falar de uma época diferente em que dizer simplesmente “merda” em público seria quase impensável. No tempo em que a moral ainda fazia parte da educação das pessoas. O colega do meu Pai esforçava-se por se fazer entender, mas não queria dizer nenhum palavrão obsceno à senhora.
- A senhora conhece de certeza, aquela louça, típica, que quando oferecemos aos outros, eles se riem e acham graça, e dizem “olha a louça das Caldas!“
- Pronto, não digas mais ... já sei o que pretende ! (segura de si)
Vira-se para a porta nas traseiras do balcão e dá um grito lá para dentro.
- Ò Maria ! Está aqui um freguês que pretende ver a louça tradicional (rindo), traz aí a gaveta das “pichas”, estilo lembrança ( dando uma gargalhada).
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Já conhecia.
ResponderEliminarCom as letras todas e sem rodeios :)))
Aquele abraço e votos de boa semana
Esta visita do Rui Unas a esta fábrica "real", tem muita piada !
EliminarObrigado Pedro
Infelizmente tinha escrito um pequena história verídica que me esqueci de publicar !!!
EliminarNão conhecia nem nunca tinha visto semelhante produção de artesanato.
ResponderEliminarVi uma vez uma caneca das Caldas- não a comprei - mas nada que se compare com estes artefactos.
Se até o homem que os faz se engasgou e o Rui Unas tapou a cara para disfarçar o riso, é porque a coisa não é muito comum!
A minha questão é a seguinte: para onde são despachados esses artigos, carago!?!
Isto só mesmo em Portugal!!
;))
A nossa história tradicional e artesanal é muito rica em tudo, até na jocosidade e brejeirismo. Não fossemos nós, um povo milenar !!!
EliminarInfelizmente tinha escrito um pequena história verídica que me esqueci de publicar !!!
Obrigado Janita
Boa tarde, Surpreendido por a Janita não conhecer um artigo português conhecido internacionalmente que nunca teve reclamações, pelo contrario é bastante apreciado e encomendado.
ResponderEliminarAG
http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/
António deve haver muitas coisas destas, que são "pitorescos" da cultura portuguesa que muitos de nós não conhecemos.
EliminarInfelizmente tinha escrito um pequena história verídica que me esqueci de publicar !!!
Obrigado António
Os portugueses têm de manter o espirito de humor.
ResponderEliminarÉ uma das nossas melhores coisas.
Beijos
Sê bem-vinda aqui ao "Pacto". Aqui tenta-se falar/escrever português antes do A.O.
EliminarPara já estamos absolutamente de acordo, o nosso "espírito de humor" !
Obrigado Pérola
ResponderEliminarhehehehe
Este vídeo é uma verdadeira relíquia... assim como a história contada pelo senhor teu pai.
Não há certamente artesanato mais brejeiro como as tradicionais peças de Louça das Caldas.
Eu recordo-me, era bem pequena, quando na casa de uma vizinha minha andei a espreitar e mexer no que não devia... e puxei pelo cordel do hábito de um Santo António em louça... !!!
Que susto apanhei!!
E claro que as canecas com os falos lá dentro, também sempre foram um sucesso.
Ainda me estou a rir com os diálogos que eles criaram para fazer o vídeo... e os ângulos de filmagem!! É único!! Muito bom!!
Beijinhos de ... teclado e rato na mão!! :))
Este video é espectacular e só demonstra aquilo que eu reconmheço ao Rui Unas, qualidade para "entertainer".
EliminarA história que o meu Pai me contou, acho que foi espectacular no dia em que o colega, chegou das Caldas da Rainha, com os ditos "peniseses !!!", em baton, e contou o que lhe tinha acontecido, na loja de louça e recordações fálicas. Um paraíso para qualquer solteirona e algum "marcha-atrás" !... peço desculpa pela sinceridade.
Obrigado Afrodite
Pois, bem me lembro de ver "dessa" loiça dantes nas feiras! Malandrice!
ResponderEliminarSão artesanato tradicional e que faz parte da cultura de um Povo, com mais de mil anos de história. Infelizmente, hoje, estamos invadidos por culturas (???) de países novos. Parafraseando o Mário Zambujal, "... que têm tanta história como o Diário de Notícias tem de vida !"-
EliminarObrigado M
É caso para dizer: toma e embrulha!
ResponderEliminar:)
Nem mais nem ontem ! :)
EliminarObrigado Rui