A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Contar pelos Dados (1) - O Encontro


Ele guiava o seu Porsche descapotável, numa estrada do interior. O vento fustigava-lhe a cara e o cabelo. Uma povoação aproximava-se rapidamente. Um cheiro a café vindo de algures fê-lo abrandar e olhar em redor. A 50 metros avistava-se um cruzamento e numa das esquinas um pequeno quiosque, com três mesas e umas quantas cadeiras, debaixo de uns chapéus de Sol, convidava a parar e a beber um café. Estacionou o carro na rua do lado contrário. Tirou o blusão do banco traseiro, colocou-o ao ombro e dirigiu-se para o quiosque. Sentou-se numa das cadeiras e virou-se para a empregada e disse:

- Traga-me um café por favor !

O café foi servido prontamente. Agradeceu e começou a bebê-lo, paulatinamente, como se tivesse todo o tempo do Mundo. Apesar de um pouco atrasado, o carro que detinha permitia-lhe recuperar os minutos que eventualmente perdesse, enquanto ali estivesse resfatelado, a saborear aquela bebida secular.
Levantou-se, pagou, encaminhou-se de novo para a viatura, e sentou-se de novo, ao volante. Ligou o motor e arrancou com pouca velocidade. A limitação de velocidade dentro das zonas povoadas não era propícia a exageros.
No cruzamento seguinte, reparou numa florista. Parou com duas rodas em cima do passeio, mas de maneira que não prejudicasse o trânsito ou os traseuntes e avançou para a loja.

- Boa tarde ! Gostaria que me arranjasse uma dúzia de rosas !

Passaram uns 5 minutos. A florista dedicou-se a fazer um trabalho bem profissional com um arranjo e entregou-lhe as flores. Pagou e saíu.

Colocou o blusão no banco de trás, e as rosas ao lado. Ligou o carro e carregou no botão para a capota subir. Agora teria de ganhar algum tempo. Os 30 minutos de café e de flores, fariam com que tivesse de acelerar um pouco, aquela espectacular máquina. Entrou na auto-estrada e carregou pura e simplesmente  no “prego”. Rapidamente atingiu os 200km. Era 19:00 e tinha de estar no destino às 20:00. Ligou o rádio.

- ... Ao final desta primeira parte, Portugal vence por dois a zero a equipa de Chipre. Golos apontados por Cristiano Ronaldo, de cabeça, aos 10 minutos, a cruzamento de Quaresma e, por João Moutinho, de livre, aos 35 minutos...

Ouviu o resultado e mudou rapidamente de posto. Não estava com pachorra para ouvir relato futebolístico ou anúncios. O posto opcional era definitivamente a “Smooth FM”. Ouvia-se Jane Monheit, aquela mulher com uma voz fantástica e com uma cara maravilhosa. Começava a anoitecer e os faróis ligavam-se. A estrada passava rapidamente.

Eram 20:00 e ao longe já se avistava a casa, na penumbra. As janelas estavam iluminadas. Ela já chegara. Estacionou, pegou no blusão e no ramo de rosas e avançou para a porta de entrada. Entrou em casa. Passou pela cozinha. Um papel branco em cima da cozinha, com um lápis ao lado, tinha escrito

“Vem ter comigo. Espero-te no banho !”

Sorriu. Subiu ao andar de cima e entrou no quarto. Despiu-se rapidamente. Entrou nú, com o grande ramo de rosas na mão, na grande casa de banho que se situava no lado direito do quarto. Paula, à luz das velas, e com o cabelo preso, estava mergulhada num banho de sais e espuma. Riu-se para João.

- Vem.... Estava ansiosamente à tua espera !
- Aqui tens são para ti !
- São lindas ! 

João entrou na banheira e beijou-a na boca. Encostaram um ao outro e olharam para cima. O tecto da casa de banho, era envidraçado e lá fora, já se via a Lua e algumas estrelas.

domingo, 25 de junho de 2017

Solução: A música é ?... (6)

Vencedores: Luísa, Afrodite, Rui, Elvira, Manuela, Gabriela, Graça, Catarina e Teresa
Participantes: Janita, Papoila e Lis

No Combóio Descendente

O poema (13-11-1926) é de um dos nossos mestres escritores, Fernando Pessoa, e encontra-se, entre outros, “In Poesia 1918-1930, para a Assírio e Alvim, edições Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005.”







Letra:                                

No combóio descendente
Vinha tudo a gargalhada
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada

No combóio descendente
De Queluz à Cruz-Quebrada

No combóio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E os outros sem dar-lhes trela

No combóio descendente
Da Cruz-Quebrada a Palmela

No combóio descendente
Mas que grande reinação
Uns dormindo outros com sono
E os outros nem sim nem não

No combóio descendente
De Palmela a Portimão

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A música é ?... (6)

Regras e informações:

Comentários NÃO moderados;
Três respostas possíveis;
Soluções para o meu email (ricardosantos1953@gmail.com);
Dois dias (23 e 24) para tentar adivinhar;
Um dia (25) para comentar o/s intérprete/s, o que a compôs/interpretou e os outros que, eventualmente, trouxer aqui a público.

Texto:

No autocarro das nove
Vinha tudo na cobóiada
Uns riam por causa dos outros
e os outros sei lá... por nada

No autocarro das nove
do Centro Sul a Almada

No autocarro das nove
Narizes junto à janela
Uns e outros caladinhos
E alguns sem dar-lhes trela

No autocarro das nove
De Almada à Verdizela

Qual o nome desta música portuguesa, escrita por um músico português, que este texto te sugere ?!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Empregada Angolana.. - Interacção Humorística (162)

Em 11-05-2012. Obrigado.

Empregada Angolana

Aproveitando a ausência dos patrões, "Craudete", a empregada africana, fofoca com uma amiga de Angola ao telefone:

- Maria, aqui nesta mansão é tudo fachada, nêga!

- Porquê, Craudete? - Pergunta a amiga.

- Nada é dos patrão! Tudo é imprestado!

- Como assim?- pergunta a outra, curiosa.

- A roupa dos patrão não és deles, as dele é de um tal de Armani, a gravata de um tal Pierre Cardin, os vistido dela és de uma tal Fatima Lopes e os carro é da Mercedes... Nada é deles, minina!

- Nossa, Craudete... Qui pobreza!

          - O pió di tudo cê inda num sabe... Outro dia o patrão tava no telefone falando que tinha um grande Picasso... Pura mentira, Maria... É piquinininho, que dá dó.

domingo, 18 de junho de 2017

CinemaScope (5)

Retomo uma rúbrica que existia neste blogue, em rodapé e que possivelmente passou despercebida a muitos que me visitavam, por estar mesmo lá no fim da minha página.

É música claro ! O que estavam à espera ?

São composições que me dizem muito, porque sou um romântico e um eterno apaixonado por música, pelas outras artes, pela humanidade, pelos amigos que encontrei na blogosfera, pela Natureza, pela vida, no fundo, pelas coisas boas desta sociedade em que vivemos.

Desta vez os registos, enquanto não apagados ou eliminados do Youtube, ficarão por cá, com uma única etiqueta “CinemaScope”.

Um dos melhores compositores de bandas sonoras do cinema que tem vindo a escrever, das composições mais bonitas e melodiosas de determinada cinematografia.

Ennio Morricone (10-11-1928) - Playing Love, extraida do filme “The Legend of 1900” de 1998.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Eyes Thru Glass (20) – Parque dos Poetas em Oeiras

Aqui neste blogue e no “Eyes thru Glass“ mostro aquilo que os meus olhos vêem, através da objectiva.

Aqui ficarão somente as fotos, sem texto ficcional e sem música, apenas uma breve introdução, onde são tiradas e quando, e eventualmente alguma especificação técnica. Cliquem sobre a primeira foto para poderem vê-las em formato maior.

Nos dias 19 de Fevereiro e 18 de Agosto de 2015, visitei o Parque dos Poetas, me Oeiras e “bati” algumas fotos por lá.












segunda-feira, 12 de junho de 2017

A canção francesa com Léo Ferré

Léo Ferré (24-08-1916 – 14-07-1993)

Chanson d’Automne – (Léo Ferré / Paul Verlaine) álbum “Verlaine et Rimbaud” de 1964


La Musique – (Léo Ferré / Charles Baudelaire), álbum “Léo Ferré Chante Baudelaire” de 1967.


Cette Blessure – (Léo Ferré), álbum “Amour Anarchie” de 1970.


Rotterdam - (Léo Ferré), álbum “Amour Anarchie” de 1970


 L’Amour Fou - (Léo Ferré), álbum “Amour Anarchie” de 1970


Je T’aime Bien, Tu Sais – (Léo Ferré), álbum “L’Espoir” de 1974.


Correcções:
            1-  No video “L’Amour Fou” o álbum é de 1970, não é de 1973.
      2- No video “La Musique” o álbum é “Léo Ferré Chante Baudelaire” de 1967, não é “Baudelaire” de 1990.