Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lumiére - “True Grit” (Indomável)

“True Grit” (Indomável)


Sobre o Filme

“True Grit” (Indomável), dos irmãos Coen, Joel David e Ethan Jesse, é baseado na novela de Charles Portis, e foi estreado em 2010. As filmagens decorreram, primariamente, em Granger (Texas), com algumas filmagens em Austin (Texas).
Em 1969, Henry Hathaway realizou uma adaptação do filme, chamada “Velha Raposa”, com John Wayne, Robert Duvall e Dennis Hopper.



Intérpretes e Personagens

Jeff Bridges - U.S. Marshal Reuben J. "Rooster" Cogburn
Matt Damon - Texas Ranger LaBoeuf
Josh Brolin - Tom Chaney
Hailee Steinfeld - Mattie Ross
Barry Pepper - "Lucky" Ned Pepper
Domhnall Gleeson - Moon (The Kid)
Ed Lee Corbin - Bear Man (Dr. Forrester)
Roy Lee Jones - Yarnell Poindexter
Paul Rae - Emmett Quincy
Nicholas Sadler - Sullivan
Bruce Green - Harold Parmalee
Joe Stevens - Lawyer Goudy
Dakin Matthews - Colonel Stonehill
Elizabeth Marvel - 40-year-old Mattie
Leon Russom - Sheriff
Jake Walker - Judge Isaac Parker
Peter Leung - Mr. Lee
Don Pirl - Cole Younger
Jarlath Conroy - The Undertaker
J.K. Simmons - Lawyer Daggett (Voice Only)

Prémios

O filme é um dos mais falados - possível nomeado ao Óscar de Melhor Filme, na próxima edição dos prémios da Academia, agendados para hoje, dia 27 de Fevereiro, no Kodak Theatre, em Hollywood.



Sobre o/s Realizador/es

Joel David Coen, nascido a 29 de Novembro de 1954 e Ethan Jesse Coen nascido a 21 de Setembro de 1957, conhecidos, profissionalmente, como os irmãos Coen, são realizadores cinematográficas norte-americanos. Eles escrevem, dirigem e produzem os seus filmes em conjunto, embora mais recentemente Joel dirija e Ethan produza.

Filmografia

De Joel David Coen:

1984 - Blood Simple;
1987 - Raising Arizona;
1990 - Miller's Crossing;
1991 - Barton Fink;
1994 - The Hudsucker Proxy;
1996 – Fargo;
1998 - The Big Lebowski;
2000 - O Brother, Where Art Thou?;
2001 - The Man Who Wasn't There;
2003 - Intolerable Cruelty.

De Joel David Coen & Ethan Jesse Coen:

2004 - The Ladykillers;
2007 - No Country for Old Men;
2008 - Burn After Reading;
2009 - A Serious Man;
2010 - True Grit.

Trailer original



Legendado em Brasileiro



Opinião

Independentemente, dos Óscares que hoje este filme possa arrecadar, o que vi ontem no cinema, desiludiu-me. Óbvio que quem realiza sobre livros escritos, das duas uma, ou consegue “dar-lhes a volta” ou o filme, como é o caso, é uma mera descrição do livro. A novela de Portis é definitivamente uma história fraquinha passada no velho Oeste norte-americano. Conta a história de uma rapariguinha de 14 anos (Hailee Steinfeld no papel de Mattie Ross) que parte, com um Marshall (Jeff Bridges no papel de U.S. Marshal Reuben J. "Rooster" Cogburn) e um Texas Ranger (Matt Damon no papel de Texas Ranger LaBoeuf) em busca do criminoso (Josh Brolin no papel de Tom Chaney) que matou o seu pai.
Restam-nos as interpretações, que são razoáveis, nomeadamente a de Jeff Bridges, o guarda-roupa, as imagens e o som. Mas isso, com a máquina de fazer cinema norte-americana, e o dinheiro investido, já não conta assim tanto. Tecnologicamente também, os filmes cada vez hoje valem menos. Estamos na era do digital e não há desculpa para má imagem ou mau som. Tudo ou quase tudo é filtrado, quando não é feito, em computador.
Para mim, o cinema, vale (sempre valeu !) pela mensagem que o filme deve passar. Já há muito que a 7ª. Arte deixou de ser a arte da imagem.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jazz Standards (III)

O que é um “Jazz Standard” ?

Os termos “standards” ou “jazz standards” são muitas vezes usados quando nos referimos a composições populares ou de músicas de jazz. Uma rápida pesquisa na Internet revela, contudo, que as definições desses termos podem ser muito variar muito.
Então o que é um “standard” ?
Comparando definições de alguns dicionários e de estudiosos de música e baseando-nos naquilo que for comum e que estiver em acordo, será razoável dizer que:

“Standard” (padrão) é uma composição mantida em estima contínua e usada em comum, por vários reportórios.

… e …

Um “Jazz Standard” (padrão de jazz) é uma composição mantida em estima contínua e é usada em comum, como a base de orquestrações/arranjos de jazz e improvisações.

Algumas vezes, o termo “jazz standard” é usado para sugerir que determinada composição se torna um “standard”. Palavras e frases têm muitas vezes múltiplos significados e esta não é excepção. Neste sítio http://www.jazzstandards.com/ nós vamos usar a definição que tem maior aceitação geral, uma que aceita composições seja qual for a sua origem.

(Dados Biográficos In Wikipédia e In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

(Sobre o tema em questão, algumas palavras retiradas de “in
http://www.jazzstandards.com/compositions/index.htm” - adaptação e tradução por Ricardo Santos)

Willow Weep for Me (#13) - Letra e Música de Ann Ronell
Willow Weep for Me” foi introduzida pelo vocalista e “assobiador” Muzzy Marcelino, actuando com a orquestra de Ted Fio Rito. Em Outubro de 1932, a gravação da “Brunswick” entrou nas tabelas em 3 de Dezembro de 1932, subindo ao 17º. Lugar. Em 17 de Dezembro Paul Whiteman e a sua orquestra gravaram com a cantora Irene Taylor e entraram para as tabelas subindo ao número dois. 32 anos mais tarde, em 1964, esta canção “Willow Weep for Me” emergiu nas tabelas, desta vez com o duo britânico “Chad & Jeremy”.

Hank Jones (Vicksburg, Mississippi, United States, 31-07--1918 – Manhattan, New York, United States, 16-05-2010) – No Carnegie Hall, em 6 de Abril de 1994, no 50º. Aniversário da editora “Verve”.



Billie Holiday (Filadélfia, 07-04-1915 — New York, 17-07-1959).



Letra (versão de Billie Holyday)

Willow weep for me
Willow weep for me
Bent your branches down along the ground and cover me
Listen to my plea
Hear me willow and weep for me
Gone my lovely dreams
Lovely summer dreams
Gone and left me here
To wheep my tears along the stream
Sad as I can be
Hear me willow and weep for me

Whisper to the wind and say thay love has sinned
To leave my heart a sign
And crying alone

Murmur to the night
Hide her starry light
So none will find me sighing
Crying all alone
Wheeping willow tree
Wheeping sympathy
Bent your branches down along the ground and cover me
Listen to me plee
Hear me willow and weep for me

Willow
Willow
Willow
Wheep for me

Phil Woods (Springfield, Massachusetts, 02-11-1931 - 20xx) – No “show” de David Sanborn em 1990.



Tin Hat (Trio) – Em 16 de Fevereiro de 2003, com a “Chamber Orchestra” de Philadelphia dirgida por Jeri Lynne Johnson. Mark Orton (guitarra), Rob Burger (acordeão), Celeste (harmónica) e Carla Kihlstedt (voz).



Letra (versão dos Tin Hat Trio)

Willow weep for me, willow weep for me,
Bend your branches green along the stream that runs to sea,
Listen to my plea, listen willow weep for me,
Gone my lover's dream, lovely summer dream,
Gone and left me here to weep my tears into the stream,
Sad as I can be - Hear me willow and weep for me.

Whisper to the wind to say that love has sinned
To leave my heart a breaking and making this moan,
Murmur to the night to hide her starry light,
So none will find me sighing and crying all alone,
Weeping willow tree, weep in sympathy,
Bend your branches down along the ground and cover me,
When the shadows fall, bend oh willow and weep for me.

To leave my heart a breaking and making this moan,
So none will find me sighing and crying all alone,
Weeping willow tree, weep in sympathy,
Bend your branches down along the ground and cover me,
When the shadows fall, bend oh willow,
Bend oh willow and weep for me.

Lamento, algumas eventuais falhas nas letras, encontradas na Internet, devido à própria improvisação dada pelos seus intérpretes, e muitas vezes de difícil entendimento. (Ricardo Santos).

De facto Boa Música – Vocal Jazz (I)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos).

Madeleine Peyroux (1973 – 20xx) – Peyroux (pronuncia-se como o país Perú) nasceu em Atenas, Georgia e cresceu entre Brooklyn, Califórnia do Sul e Paris. Foi na “cidade da luz”, como vulgarmente é conhecida a capital da França que ela encontrou a sua voz. Quando jovem ela tocou na rua e em 1989 ela começou a actuar com um grupo de “buskers” (pessoas que tocam em cidades a troco de dinheiro). Nessa altura ela juntou-se ao grupo “Lost Wandering Blues & Jazz Band” tornando-se a única mulher do grupo, o qual fez digressões pela Europa durante alguns anos. Madeleine faz a sua primeira gravação em 1996, com o seu espectacular primeiro álbum “Dreamland”.
Madeleine foi confrontada com um verdadeiro caudal de críticas. Foi comparada com Billie Holiday. Muitos se questionaram como alguém tão novo conseguia cantar canções clássicas de Holliday, Bessie Smith e Patsy Cline, tão convincentemente, como se fossem suas. A revista “Time Magazine” disse de Peyroux, quando da saída do álbum “Dreamland” que era a jovem cantora com a voz mais excitante e envolvente na ribalta desse ano.
Madeleine, a americana que vivera em Paris, como cantora de rua, de repente encontra-se no caminho correcto para a fama. Aparições em “Lilith Fair” e festivais de “jazz”, e primeiras partes nos concertos de Sarah McLachlan e Cesária Évora. Entretanto o álbum “Dreamland” chegava às impressionantes 200.000 cópias mundiais. Oito anos depois edita “Careless Love” na editora “Rounder Records”, em Setembro de 2004. São já seis álbuns, de 1996 a 2009. O último “Bare Bones” saíu em 2009.

Tema “Half the Perfect World”, de 2006, do seu quarto álbum de estúdio. Composto por Leonard Cohen e Anjani Thomas.



Tema “Careless Love”, de William C. Handy, Martha Koenig e Spencer Williams, composto em 1926. Do seu álbum com o mesmo nome, em 2004.



Tema “A Little Bit” de 2006, do seu quarto álbum de estúdio. Composto por Madeleine Peyroux, Larry Klein e Joe Harris.



Tema “This Is Heaven To Me”, composto por Frank Reardon–Ernest Schweikert. Do seu álbum “Careless Love” (2004).

A gata do PS - Interacção Humorística (III)

Em 22-05-2009. Obrigado.

A gata do PS

Era uma vez uma menina que chegou à escola e disse à professora:

- A minha gata teve quatro gatinhos e são todos do PS.

A professora achou muita graça e no dia seguinte, quando passou por lá o inspector, pediu à aluna que contasse a história da gata:

- A minha gata teve quatro gatinhos e dois são do PS.

- Então mas ontem não eram todos do PS?

- Sim, mas dois já abriram os olhos!

Post Scriptum: Esta anedota serve, obviamente, para qualquer partido. Nós não precisamos de partidos, precisamos de pessoas honestas para levar a nossa Caravela a bom porto, caso contrário, vamos passar a vida com conversa do “chacha”.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nada substitui o papel (*) (II)

Umas poucas palavras, sem querer contestar sequer o futuro do papel e opiniões aqui já expressas sobre ele.
Apesar das novidades em louça de casa de banho e das novas sanitas com lavagem acoplada, penso que nunca iremos “limpar o cú” a um “site” ou “link” da Internet. Graças a Deus há o “papel higiénico” ou a pedra !

A importância de uma invenção com quase 2.000 anos é aqui em dois pequenos “clips” do Youtube que me foram cedidos pelo meu amigo desde o tempo do liceu, Luís Gaspar, e que foi um dos intervenientes neles, exibida como um importante e expressivo meio terráqueo de comunicarmos.





Obrigado e um grande Abraço Luís Manuel, pela tua (vossa) intervenção no programa do Manuel Luís Goucha, na TVI. Foi extremamente importante, para quem ainda acredita em formas dignas e cultas de comunicarmos uns com os outros.

(*) O papel pensa-se que terá sido inventado na China, durante a dinastia Han, entre 206 AC e 221 DC. Terá seguramente mais de 1.700 anos de história.

Quem mais Português e Lutador que o Zeca ??!!

Isto não vai lá com escrita e com Blogs !

Mais dia, menos dia teremos de sair para a rua para irmos todos reclamar pelos nossos direitos, como cidadãos, como seres humanos.

Quem se julgam alguns mais importantes do que outros ?

Comida, tecto, saúde, e educação, a isso todos temos direito, independentemente de vivermos na “barraca” ou num condomínio fechado.

Para quem não entenda ou não queira entender, isto não é discurso partidário, nem conectado com doutrina política alguma, é simplesmente um direito de todo o ser humano.

Ou somos tão cínicos que para umas coisas apoiamos instituições humanitárias e para outras não ?!

Vamos começar a mudar, mais que não sejam as nossas atitudes sobre quem tem direito a quê, e para com os outros, aqueles que são mais necessitados.