A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

La Traviata de Giuseppe Verdi


Mais uma célebre Ópera, obrigatória conhecer.

A escolha erudita desta vez recai sobre a ópera de Giuseppe Verdi, “La Traviata”.

Resumo da história desta Ópera

A acção decorre em Paris e nos seus arrabaldes, O primeiro acto decorre em Agosto, o segundo e terceiro em Janeiro e quarto em Fevereiro.

1º. Acto

Há festa em casa de Violeta Valéry, prometida ao Barão de Douphol. Violeta é apresentada pelo amigo, do Barão, Gastão Letorières ao seu amigo Alfredo Germont. Gastão diz que ele (Alfredo) já a conhecia há algum tempo e a amava em segredo. Alfredo faz então um brinde a Violeta e declara-se a ela. Violeta diz que sendo um mulher mundana, não sabe amar e que somente lhe pode oferecer amizade. Ele que procure outra mulher. No entanto, oferece-lhe uma camélia e diz-lhe para voltar no dia seguinte.
A festa acaba e Violeta pensa nas palavras que Alfredo lhe dirigiu na declaração de amor.

2º. Acto

Violeta e Alfredo começam um relacionamento amoroso e vão morar numa casa de campo, nos arredores de Paris. A criada de Violeta, Aninhas, conta a Alfredo as dificuldades financeiras porque Violeta passa, indo constantemente a Paris vender os seus bens. Jorge Germont, pai de Alfredo, visita Violeta e pede-lhe para abandonar Alfredo para sempre. Jorge conta-lhe sobre a sua família e especialmente da sua filha, na Provença, e crê que se Alfredo continuar envolvido com Violeta, isso irá prejudicar a sua reputação. Violeta acede ao pedido do pai de Alfredo e escreve uma carta a Alfredo. Parte para uma festa em casa de sua amiga Flora Bervoix. Alfredo ao ler a carta de Violeta pensa que o esta o vai trair e dirige-se de imediato a casa de Flora.

3º. Acto
A festa inicia-se com um grupo de mascarados que animam os convidados. Violeta chega acompanhado do Barão Douphol. Alfredo surge logo em seguida. Alfredo começa a jogar com o Barão e ganha. Quando o jantar é servido ela e Alfredo ficam sós no salão, e Alfredo força-a a confessar a verdade. Violeta mente dizendo que ama o Barão. Furioso, Alfredo chama todos os convidados para o salão, atira com todo o dinheiro ganho no jogo, na cara dela e desafia Douphol para um duelo. Violeta desmaia.
4º. Acto

Violeta adoece e está sem dinheiro nenhum. A tuberculose atinge-a e recebe cartas de vários amigos, entre elas, uma que lhe chama a atenção. É do pai de Alfredo, Jorge Germont, arrependido por a obrigado a ficar contra Alfredo.
Pai e filho visitam a doente. Violeta, Alfredo e Jorge reconciliam-se os três e começam a fazer planos. A doença de Violeta não vai deixá-la viva e após entregar um retrato seu a Alfredo, morre.

Personagens de La Traviata

Violeta Valéry ……………………………………Soprano
Flora Bervoix …………………………………….Meio-Soprano
Aninhas …………………………………………..Soprano
Alfredo Germont ………………………………...Tenor
Jorge Germont, seu pai ………………………    Barítono
Visconde Gastão de Letorieres…………….      Tenor
Barão de Douphol ………………………………. Barítono
Marquês de Obigny …………………………….. Baixo
Dr. Grenvil ………………………………………..Baixo
José, criado de Violeta ………………………....Tenor
Criado de Flora ………………………………….Baixo
Moço de recados ………………………………..Baixo

Amigos e criados de Flora e Violeta, mascarados ou não.

Do autor Giuseppe Verdi, … (excertos)

Nascido a 10 de Outubro de 1813, na aldeia de Roncole (Busseto / Parma), desde muito começou a demonstrar uma inequívoca propensão musical. Em criança, Verdi ficava boquiaberto a ouvir os músicos ambulantes e os cegos tocadores de sanfona (instrumento musical de corda friccionada), que vagueavam por estas zonas. Filho de família pobre, para a qual o dinheiro chegava à rasa para o seu sustento, valeu-lhe um músico retirado, chamado Biastrocchi que fazia de organista na freguesia que o iniciou na arte da música. Por essa altura, morreu nas redondezas um certo sacerdote em cujo espólio, figurava velha espineta (espécie de cravo, instrumento com teclado, idêntico ao cravo e ao piano), meio desmantelada, que o pai de Verdi comprou por dez reis de mel coado e que um tal Estêvão Cavaletti - primeiro admirador de Verdi – consertou de graça, em 1821, dando-se, unicamente, por satisfeito “com a boa disposição que o pequeno mostrava para aprender a tocar o instrumentos”. Três anos depois, Verdi já substituía o professor Biastrocchi, a tocar no órgão da igreja. Seu pai, no entanto, decidiu mandar José (Giuseppe) Verdi para a escola, em Busseto. A partir dessa data, todos os Domingos e dias santos, chovesse ou fizesse Sol de rachar, José palmilhava duas vezes o caminho para ir tocar o órgão da velha igreja paroquial de Roncole, sua terra natal.
Durante trinta anos rara foi a temporada em que o Teatro Nacional de São Carlos, não voltou a ouvir “La Traviata”. Depois começou a ser dada com intermitências cada vez maiores, ao passo que devinha (1)  de obrigação no cartaz do Coliseu dos Recreios.
A 14 de Fevereiro de 1901 prestou-se em São Carlos um preito (2) de homenagem a Verdi que falecera com mais de 87 anos, em Milão, a 27 de Janeiro anterior. Representou-se “La Traviata” e o terceto final de “Os Lombardos” completou o espectáculo.

(1) devinha (devir) - do Lat.  Devenire; v. int., dar-se, suceder, acontecer; vir a ser, tornar-se; transformar-se; s. m., o futuro, o porvir


Texto extraído e adaptado de:
Colecção "Ópera", Volume 18, Direcção Mário de Sampayo Ribeiro, Editor Manuel B. Calarrão, Lisboa, Janeiro de 1948, Preço 4$00.

DVD indicativo: Carlo Rizzi, Anna Netrebko, Rolando Villazon, Paul Gay, Orquestra Filarmónica de Viena, editado pela Deutsche Grammophone (foto início do artigo).

Trechos Musicais

1º. Acto

Libiamo ne' lieti calici com Angela Gheorghiu, Violeta (soprano), Andrea Bocelli, Alfredo Germont (tenor)


É strano - Anna Netrebko , Violeta (soprano)


2º. Acto

Pura siccome na Angelo - Edita Gruberová, Violeta (soprano) e Giorgio Zancanaro (barítono)


3º. Acto

Ogni suo aver (Ao vivo, em 9 de Março de 2008. No Teatro Dante em Campi Bisenzio, Florença, Itália, com Simonida Miletic – Violeta Valery ; Tiziano Barbafiera - Alfredo Germont; direcção maestro Alan Freiles; Orquestra Nuova Europa)


4º. Acto

Prendi… quet’é l’immagine - Final morte de Violeta; Anna Netrebko – Violeta Valery (soprano)

18 comentários:

  1. Fantástico.
    Adorei.
    Bom fim de semana.
    njs

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  2. Há poucas semanas vi “La Traviata”, numa sala de cinema, filmada na The Metropolitan Opera em Nova Iorque. Uma forma mais acessível de ver óperas com mais frequência. Num destes fins de semana, vão apresentar Tristão e Isolda.
    A ópera continua a ser um espectáculo caro, com a excepção para os “under 30”. O meu filho e a namorada creio que pagam cerca de trinta e poucos dólares cada, em lugares relativamente bons. Uma forma de promoverem o belo canto entre os mais jovens.

    Excelente post, Ricardo.

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    1. A Ópera é na realidade um espectáculo caro, mas sempre foi e como sabes, tem a sua razão de ser. Pagar a cantores, maestro e orquestra, cenários, guarda-roupa, "n" coisas que nos fazem perceber que a vida é Bela e não se faz sentada atrás de um computador !
      Aqui em Portugal, existe o São Carlos e às vezes também exibem Ópera noutras casas de espectáculo.
      Obrigado Catarina

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  3. Também já coloquei um post sobre esta opera , com Cristiana Oliveira:
    http://portugalredecouvertes.blogspot.pt/2016/06/cristiana-oliveira-et-la-traviata.html

    é uma obra muito agradável de se ouvir !
    bom fim de semana Ricardo
    Angela

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    1. Nas óperas Clássicas, os italianos Verdi e Puccini destacam-se, embora não nos possamos esquecer de Richard Wagner e de Georges Bizet.
      Obrigado Ângela

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  4. Obrigada Ricardo por me dar a conhecer a história desta ópera que confesso não conhecia.
    No entanto já dancei ao som de Libiamo ne'lieti calici :)

    Um beijinho e bom fim de semana

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    1. "Todos é que sabemos tudo !"... Como se pode ver a música, mesmo a de ópera, se pode dançar. Tens tu a real prova disso Fê !
      Obrigado

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  5. Muito bonito, Ricardo! Gostei de (re)ouvir.
    Bom domingo. Musical e, se possível, sem chuva...

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    1. Verdi ouve-se, ouve-se, vezes sem conta !
      Muito Obrigado Graça

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  6. Excelente post, como de resto já nos habituaste, Ricardo!
    Para os amantes do bel-canto isto é um precioso presente. Não é bem o meu caso, pois não posso dizer que aprecie muito este tipo de teatro cantado.
    A única peça que vi foi Otello, também de Giuseppe Verdi. O sofrimento e morte de Desdémona, devido ao ciúme doentio de Otello foi algo que me marcou. De resto, fui conhecendo um pouco as histórias, mas através de leituras e televisão.
    Apesar de se dizer que a Ópera é um espectáculo para as camadas sociais mais eruditas, eu creio que é essencialmente para quem gosta, e há muita gente que gosta, sem pertencer à alta-sociedade. :)

    Um abraço e bom fim de semana, Ricardo.

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    1. Reforçando o que disseste... os espectáculos de ópera são para todas as camadas sociais, eruditas ou não ! O necessário é que elas tenham tempo para os ouvir e dinheiro para ir ver, e centros de cultura de outras cidades que levem lá esses espectáculos (importantíssimo !!!).
      Posso dizer-te que aqui em Lisboa, frequentei durante os anos da minha juventude (ler Introducção de: http://opactoportugues.blogspot.pt/2015/02/la-boheme-de-giacomo-puccini.html) e porque o meu pai comprava os bilhetes para a temporada de ópera no Teatro da Trindade, patrocinada na altura pela FNAT (Federação Nacional da Alegria no Trabalho, actual INATEL !) e o Trindade enchia em todas as récitas. Quero dizer com isto que se a cultura for bem disseminada pelos cidadãos, a erudição é aquilo que menos influência tem. Quando não conhece aprende, lê, procura saber como...
      Obrigado pelo teu comentário Janita

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  7. Esta nunca vi ao vivo, mas tempos houve que em Óbidos no Verão levaram ao auditório várias óperas Fiquei maravilhada!
    Sei que ouvi mais que uma, já não me lembro se também ouvi esta.
    Deixo-te aqui o link da Carmen Bizet
    Deixo-te aqui o link das fotos que tirei
    http://existeumolhar.blogs.sapo.pt/136672.html

    Gostei muito de ouvir estes trechos que aqui partilhaste connosco.

    Bom Domingo Ricardo

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    1. Agora reparo que andas a comentar "tarde" :( ! Fui ver o teu post e gosteio imenso das fotografias.
      Obrigado Manuela

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  8. Uma das minhas óperas favoritas.
    Aquele abraço, boa semana

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    1. E minha também Pedro. Aliás Verdi é um dos meus clássicos preferido !
      Abraço

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  9. Ó Ricardo, onde se meteu a "Mixórdia de Temáticas" que me aparece lá, na minha listas de blogues, desde ontem, e chegada aqui vejo sempre 'La Traviata'?

    Um abraço, boa semana! :)

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    1. Um pequeno "gato" de uma publicação programada que há-de chegar no seu devcido tempo ! :)
      Obrigado

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.