Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

sábado, 21 de março de 2015

Prémio Valmor, Ano de 1943, Av. Sidónio Pais, 6

O edifício de habitação premiado em 1943 e os edifícios premiados nos anos seguintes são exemplos bastante representativos do chamado estilo “Estado Novo”. Neste período vão premiar-se obras que primem pelo tradicionalismo, não se esperando quaisquer inovações nas obras submetidas a avaliação pelo júri. Assim, a obra premiada neste ano, um edifício de habitação situado na Avenida Sidónio Pais nº. 6, com projecto dos arquitectos Raul Rodrigues Lima e Fernando Silva (1914-1983) para António Cardoso Ferreira, cumpre o pretendido.

Situa-se no início da Avenida Sidónio Pais nº. 6, do lado direito quem a sobe, vindo da Avenida Fontes Pereira de Melo, sua última transversal à direita e que ladeia o Parque Eduardo VII. Actualmente, encontra-se ocupada pela Residência Avenida Parque, uma unidade hoteleira.

Arquitecto Raúl Rodrigues Lima (1909-1980):

“Natural de Lisboa, diplomou-se em Arquitectura pela Escola de Belas-Artes desta cidade, em Maio de 1936, tendo estagiado com Cottineli Telmo (1897-1948), Pardal Monteiro (1897-1957), Cassiano Branco (1898-1969), e Cristino da Silva (1896-1976). No «atelier» de Pardal Monteiro, participou nos grandes trabalhos do Instituto Superior Técnico, do Instituto Nacional de Estatística, da Igreja de Fátima, da sede do «Diário de Notícias», do Ministério das Finanças e das Gares Marítimas de Alcântara e Rocha do Conde de Óbidos.
...
Em Lisboa foram trabalhos seus o Cine-Teatro Monumental, no Saldanha (recentemente demolido), os cinemas «Satélite» (que também ali funcionava), «Europa», «Cinearte» e «Berna». Projectou a sede da Polícia Judiciária, Rua Gomes Freire;
...
Obteve o Prémio Valmor de 1943, pelo edifício construído na Av. Sidónio Pais, N.º 6, ao qual desejou que se associasse (sem a Câmara regularmente, tal poder aceitar) o Arq.º Fernando Silva.
...”.

...  e Arquitecto Fernando Silva (1914-1983):

“Natural de Lisboa, viria a cursar Arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto, diplomando-se em 11 de Fevereiro de 1944, após estágio, no concorrido «atelier» do Arq.º Rodrigues Lima.
Tratou-se Fernando Silva de um técnico todo virado à vida profissional, nunca tendo desempenhado cargos estatais, municipais ou docentes, nem participado em deslocações ou congressos, ou até mesmo escrito qualquer artigo ou memória, em revista da especilidade.
...
Figura marcante da sua geração, com grandes qualidades de trabalho e bem sucedido na carreira, a sua obra é vasta e importante, muito dispersa pelo país.
Destacaremos, só em Lisboa, o cinema S. Jorge, na Avenida da Liberdade, que obteve o Prémio Municipal de Arquitectura, em 1951; os estabelecimentos Fradique (depois Pastelaria Monte-Carlo), na Av. Fontes Pereira de Melo; o Café Martinho do Largo D. João da Câmara, hoje delegação bancária do Fonsecas & Burnay;
...
Colaborou, como tirocinante, mo edifício que, respeitante a 1943, conferiria o prémio Valmor ao Arq.º Raúl Rodrigues Lima, situado na Av. Sidónio Pais, 6, e recebê-lo-ia, por mérito próprio, em 1946, com o edifício da Av. Casal Ribeiro, 12.
... ”.

Outros acontecimentos nesta década:

1940 – Exposição do Mundo Português, sob a orientação geral de Cottinelli Telmo;
1940/42– Café Cristal, de Cassiano Branco;
1943 – Estudo de Faria da Costa para o Martim Moniz;
1945 – Laboratório Sanitas, Rodrigues Lima disponibilizar;
1945 - Plano para o Parque Eduardo VII, Keil do Amaral;
1945 - Edifício da Standard Electric, com projecto do arquitecto Cottinelli Telmo;
1946 – Conclusão da 1ª fase de construção do aeroporto, início da sua ampliação;
1946 - Projecto do Bairro da Encarnação, Paulino Montês;
1946/51– Igreja do Santo Contestável, pelo arquitecto Vasco Regaleira;
1947 – Plano de urbanização do Bairro de Alvalade;
1947 - Início da construção do «Bairro de S. Miguel», Miguel Jacobetty Rosa e Sérgio Gomes;
1949/53 – Igreja de São João de Deus, António Lino.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à oitava fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Terminam aqui estas publicações, sobre as Menções Honrosas e os Prémios do Prémio Valmor. A próxima publicação são os considerandos finais sobre este longo trabalho. 

17 comentários:

  1. Longa, trabalhosa e meritória, esta série de publicações onde, através dos prémios Valmor, nos deste a conhecer muito da arquitectura portuguesa da Capital.
    Que venham os considerandos...

    .

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    1. Darei a conhecer mais edifícios interessantes da capital e, eventualmente, doutros locais. Acho que vale a pena divulgar arquitectura. Dia 5 virão os considerandos.

      Obrigado Janita

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  2. Aqui fica um belíssimo compêndio de verdadeiras "jóias da coroa" "dessa Lisboa que amas" !
    Um trabalho de pesquisa e compilação de enorme mérito, Ricardo ! ... que na verdade, nem sempre comentei, por falta de conhecimento do assunto, mas que acompanhei !
    Como diz a "nossa amiga", ... venham os considerandos ! :))
    Abraço !
    .

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    1. Oh, AMIGO Rui...posso saber porque puseste entre aspas "nossa amiga"??

      Como não vejo aqui mais ninguém, presumo que te refiras a mim!

      Já esqueceste o meu nome e pões em dúvida que eu seja vossa amiga?

      Qualquer dia vamos ter uma conversinha de trás-de-orelha...:(

      Depois não te queixes...se eu te acusar de usares de dois pesos e duas medidas!!

      *.*

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    2. Oh !... Minha querida ! ... então pões isso em causa ? ... Tolices tuas ! Pretendía precisamente o contrário: enfatizar o efeito de nossa amiga !!! ... chamar a atenção para a sua importância ! ... sua ingrata !!! rsrsrs ... Ai vamos, vamos, ter essa conversinha ! :))) ... e não levas abraço ! :( ... rsrsrs

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    3. Desculpa que repeti. Podes eliminar, Ricardo, por favor ?

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    4. Tá bem, tá!!

      Cantas bem mas não me alegras!!

      :)

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    5. Verdade Rui, "desta Lisboa que eu Amo". Muita arquitectura destruída, sem necessidade. As gerações precisam deixar o seu cunho, sim, mas não pela negativa.

      Obrigado Rui

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  3. Um longo trabalho, verdade... e muito meritoso.
    Obrigada por aquilo que vais mostrando dessa tua Lisboa que afinal é de todos nós.

    Quanto ao edifício... gostei do pormenor da caravela.

    Um beijinho e continuação de bom fim de semana
    (^^)

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    1. Este edifício é simples de linhas direitas, sem aquelas pedras trabalhadas ou alto-relevo que tanto aprecio, mas não deixa de ser um edifício bonito. Devia ser limpo e pintado.

      Obrigado Afrodite

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  4. Um trabalho que deve ter sido exaustivo, mas que valeu a pena ler.
    Eu que ando há imenso tempo para passar um dia inteirinho a fotografar Lisboa, encontro aqui o trabalho facilitado e já nem preciso GPS.
    Muito obrigada.

    Boa semana

    Um abraço

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    1. Foi muito agradável fazê-lo. A volta foi feita em 2008 e repetida em 2013. Talvez volte em 2018, para ver o que resta em pé ! :(.
      Tenho mais trabalhos sobre alguns dos arquitectos aqui premiados, com outros edifícios espalhados por essa Lisboa e por esse Portugal.
      Se precisares de alguma indicação ou ajuda diz.

      Obrigado Manuela

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  5. Confesso que não faz muito o meu género.
    Demasiado geométrico.
    Aquele abraço, boa semana

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  6. Arquitectura sólida com bonitos pormenores sóbrios!
    Boa semana!

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    1. Arquitectura de uma determinada época com linhas direitas, e aqui e ali alguns pequenos altos relevos ou estátuas.

      Obrigado M.

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  7. Típico da arquitetura do tempo da ditadura. Austero, sóbrio e duro! Passei por lá na 6ª feira, curiosamente.

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    1. Verdade o estilo de arquitectura dos tempos da ditadura. Vieste visitar a capital ! :)

      Obrigado Graça

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.