A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Prémio Valmor, Ano de 1942, Rua Imprensa à Estrela 25


Em 1942 foi premiado um edifício de habitação para rendimento localizado na Rua da Imprensa, 25 com projecto do arquitecto António Maria Veloso dos Reis Camelo para Acácio e Vieira, Lda. Edifício de expressão modernista é interessante pela volumetria das fachadas lateral e posterior. Destina-se ainda a habitação.

A meio da Calçada da Estrela, quem desce da Basílica da Estrela e do Jardim da Estrela, em direcção à Assembleia da República, vai encontrar à esquerda a Rua da Imprensa à Estrela. Entrar nessa Rua, o edifício encontra-se com facilidade (à esquerda) após uma curva, também à esquerda, e mais ao menos em frente a um pequeno jardim. Encontra-se com pintura exterior recente.

Embora do mesmo arquitecto que o Edifício da Rua Infantaria 16 (Prémio Valmor de 1931), este Prémio Valmor de 1942, parece ser um edifício de habitação muitíssimo mais interessante do que anterior, embora, para mim também longe de merecer um Prémio Valmor.


Arquitecto António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985):

Natural de Ançã (Coimbra), conclui o curso de Arquitectura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1927, tendo no 3.º e 4.º anos do Curso Especial recebido o prémio só conferido ao aluno com mais de 16 valores em todas as Cadeiras, pelo menos 18 numa e média superior à de todos os mais alunos desse ano. São desta época dois projectos, uma entrada monumental de um Panteão duma grande metrópole e uma campo santo que a revista “Arquitectura”, N.º 11/Ano I/1927 arquivou nas suas páginas.
...
Obteve o Prémio Valmor de 1931, conjuntamente com o Arq.º Miguel Simões Jacobety Rosa, pelo edifício construído na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94. Respeitante aos anos de 1942 e 1945, receberia ainda o Prémio Valmor pelos prédios construídos, respectivamente, na Rua da Imprensa, N.ºs 25-25-D e na Av. Sidónio Pais, N.º 14.

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic

*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM


Outros acontecimentos nesta década:

Anos 30 – Construção da Alameda Afonso Henriques e Bairro Azul;
1930 – Cinema Eden, do arquitecto Cassiano Branco;
1934 – Casa da Moeda, de Jorge Segurado;
1934 - Hotel Vitória, de Cassiano Branco;
1934 - Elaboração de novo projecto para a criação do Parque Florestal de Monsanto;
1935 – Lisboa estende-se já até Algés, Poço do Bispo, Ajuda, Campolide, Benfica, Carnide, Lumiar e Areeiro.
1937 – Projectos dos bairros de habitação económica da Ajuda da autoria de Paulino Montês;
1937 - Café Portugal, de Cristino da Silva;
1938/40 – Cinema Cinearte, de Rodrigues Lima;
1938/43 – Praça do Areeiro, do arquitecto Luís Cristino da Silva;
1938/43 - Plano “De Gröer”;
1939/45 – Segunda Guerra Mundial.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à oitava fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima e última publicação dia 21-03-2015 com o Prémio Valmor de 1943, na Avenida Sidónio Pais 6, arquitectado Raúl Rodrigues Lima & Fernando Silva.

17 comentários:

  1. Habituei-me a ver os prémios Valmor em prédio do tipo dos da Avª da República e estes, não obstante bonitos e emblemáticos, não me fazem lembrar Valmor...
    Obrigada por no-los mostrar.

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    1. Graça quando em 2007/2008 tive a ideia de começar a fotografar os edifícios do prémio Valmor, investiguei no sítio da C.M.Lisboa e comecei a organizar-me para ir fotografá-los.

      Sabia que poderia ter algumas dificuldades como vim a ter em edifícios de embaixadas, e que estariam guardados pela PSP. Foi o caso deste, em plena Avenida da Liberdade, junto ao que foi o antigo Parque Meyer (http://opactoportugues.blogspot.pt/2013/12/premio-valmor-1902-avenida-liberdade.html), solo espanhol e deste numa zona, ainda, rica de Lisboa, a Lapa, e que penso pertencer à Bulgária (http://opactoportugues.blogspot.pt/2014/03/premio-valmor-ano-de-1909-rua.html).

      Até 1943 valia a pena fotografar, com excepção de dois ou três prédios que eram, e perdoa-me a expressão autênticos "mamarrachos".

      E assim me fiquei por 1943. Tenho em pensamento e tenho a lista posterior de edifícos, mas se alguns são justamente, Valmor, como aquilo que nós idealizamos "digno de", outros são mais uns quantos que foram premiados sabe-se lá porquê !

      Obrigado Graça

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  2. A propósito de Prémios Valmor, passei no fim de semana por um edifício da Av. Columbano Bordalo Pinheiro que já aqui foi referido em post anterior. Está à venda e pelos vistos já estava à época das fotos que o Ricardo fez.

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    1. Em finais de 2013 quando fiz a segunda volta de fotos, já estava à venda sim. Daqui a 5 anos, talvez quem sabe, conto dar nova volta e reeditar este trabalhar com mais fotos e, de certeza que alguns são capazes de já não aparecer :((
      Temos alguma dificuldade em rentabilizar e poupar arte, como se faz em muitos países a nível mundial. Que me perdoe a classe empresarial, mas são fraquinhos na generalidade. Não merecemos os artistas, os investigadores, os licenciados que nos orgulham e levam o bom nome de Portugal lá fora ! Uma história triste de um povo que governou noutros tempos o Mundo !

      Obrigado Luísa

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  3. Olá Ricardo,
    mesmo nos anos de ditadura, é bom lembrar que havia pessoas com projetos, e que trabalhavam, com ideias inovadoras que agora podem parecer ultrapassadas, apesar das etiquetas de obscurantismo que se atribuiu a toda a gente dessa época
    abraços
    Angela

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    1. Ângela, o meu Blogue nunca será partidário, nem terá artigos políticos. Penso que nós lhes dedicamos tempo de antena em demasia. Eles querem ser ouvidos. Eu costumo dar-lhes desprezo, a todos. Vivi ainda no tempo da ditadura. No 25 de Abril de 1974, eu tinha 20 anos. Nesse ano em Novembro ia casar os meus anos.

      Aquilo que me preocupa e me tem levado a entristecer com os tempos modernos, é que tem-se vindo a perder a moral, a honra, a educação, a troco da importância que se dá ao dinheiro e ao mediatismo. Todas as gerações têm de deixar algo do seu cunho na sociedade. Estas últimas, por questões, para mim educacionais, tem erradicado tudo o que são valores, a troco, sabem lá eles de quê !...

      Aquilo que dizes é verdade, muita coisa boa existia e foi feita durante os tempos dictatoriais.

      Obrigado Ângela

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  4. Este não me seduz particularmente.
    Muito tipo caixote com buracos, lamento dizê-lo.
    Aquele abraço

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    1. Estamos pertos de ter a mesma opinião. Creio que na altura, e isto imagino eu, o edifício fosse talvez uma evolução na arquitectura dos prédios de habitação, por isso o Valmor !

      Obrigado Pedro

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    2. Mais uma vez tenho a indicação de um passatempo ao qual não consigo aceder :(
      Aquele abraço

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  5. Bom dia é bom acrescentar e apreciar as belas arquitecturas que partilha, perece-me que esta é uma arquitectura normalíssima.
    Diariamente todas as pessoas através de automatismos fazem politica e matemática, até um sim ou não é politico.
    AG
    AG

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    1. Também me parece normal António. Mas será que na época o era ?
      Obrigado

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  6. Ricardo, neste Prémio Valmor de 1942, só me posso manifestar, em relação ao teu interesse de fotógrafo amador que nos oferece muito do seu tempo e trabalho, na divulgação desses mesmos prémios.
    Isto, porque, na verdade, este tipo de arquitectura é normalíssima. Se calhar, para a época terá sido uma inovação, e para prédio de habitação até está muito bonito.

    Obrigada por esta rubrica, para mim, que pouco conheço Lisboa, tens-me dado a conhecer arquitectos, arquitecturas e locais que desconhecia.

    :)

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    1. A tua justificação foi exactamente aquilo que eu penso que na época teria acontecido, e comno frisei nas respostas aos comentários do Pedro e do António.

      Estas publicações irão terminar dia 21 de Março, com um edifício normal, mas bem mais bonito do que este, e no dia 5 de Abril terei as considerações finais sobre este trabalho que me deu imenos gozo fazer !

      Obrigado Janita

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  7. Oi Ricardo
    Nesse período de férias de verão ausentei-me bastante e estou tentando retomar as visitas,devagarinho _ a gente acaba perdendo um pouco o jeito ... rs
    Bom ler a respeito do prêmio que destaca a bela arquitetura de outros tempos.dias desses passando pelo centro do Rio de Janeiro, fiquei admirando a beleza dos prédios que nunca mais ninguém conseguirá levantar,Impressiona! e a grande maioria é do tempo colonial _obra portuguesa.Voces sabem bem ! rs
    abraços Ricardo

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    1. Lis seja bem aparecida. Já estava com saudades tuas !
      A arquitectura é como tudo, tem repercussões em épocas idênticas em países diferentes. Portugal esteve no Mundo inteiro, nunca soube foi aproveitar !

      Obrigado

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  8. Fachada muito bonita e está ali para durar!
    Um bom dia!

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    1. A estética é algo muito subjectivo. Esta fachada para mim é muito direita, eu gosto de fachadas trabalhadas, sou mais início do século XX. Possivelmente esta fachada era na altura diferente.

      Obrigado M

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.