Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Prémio Valmor, Ano de 1940, Avenida da Liberdade, 266 (Diário de Notícias)

Em relação aos Prémios Valmor, o primeiro desta década, em 1940, coube ao edifício do Diário de Noticias, situado na Avenida da Liberdade Nº. 266, um projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro para a Empresa Nacional de Publicidade.
Edifício enquadrado na estética modernista, concebido para alojar a administração, a redacção, um hall para o público e também as instalações industriais do jornal, destacam-se na fachada para a avenida elementos características da linguagem moderna como a iluminação fluorescente (no “lettering”) e no uso de elementos gráficos no edifício. De notar o tratamento da fachada, que contém uma torre facetada encimada por um farol (que se acende à noite) e também o corpo correspondente ao grande hall para o público, no qual se encontram três murais de Almada Negreiros, rasgado pelas grandes montras. Actualmente destina-se ao uso para o qual foi inicialmente projectado.

Encontra-se, praticamente, no início (lado esquerdo), quase na esquina da Avenida da Liberdade com a Praça Marquês de Pombal, e para quem desce em direcção à Praça dos Restauradores.

Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957):

“Natural de Montelavar (Sintra), e então também musando o nome de Porfírio Pedro Monteiro, tinha 17 anos quando frequentava o primeiro ano do Curso da Arquitectura Civil da Escola de Belas-Artes, concluindo-o em 1918. Tirocinou com Ventura Terra, do qual foi discípulo estimado. O período dos anos 20 a 40 é de grande produção de «atelier» e se corresponde, por um lado, ao dos seus Prémios Valmor, também terá o Instituto Superior Técnico (1927), a Estação do Cais do Sodré (1928), o Instituto Nacional de Estatística (1931-35). Quando da inauguração da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a revista “Arquitectos”, do Sindicato Nacional dos Arquitectos, N.º 6/Agosto-Outubro de 1938, dedicou-lhe uma expressiva local, a págs. 182; o mesmo sucedeu com o edifício do «Diário de Notícias», no N.º 13, de Maio-Junho de 1940, do referido orgão sindical. Participou na Exposição do Mundo Português com o Pavilhão dos Descobrimentos.
...
Obteve o Prémio Valmor correspondente aos anos de 1923, 1928, 1929, 1938 e 1940 com as seguintes edificações situadas na Av da República, N.ºs 49-49-D; Calçada de Santo Amaro, Nº. 83-85; Av. Cinco de Outubro, N.ºs 207-215; Av. Marquês de Tomar (Igreja N.ª S.ª de Fátima) e Av. da Liberdade, N.ºs 266-266-A (Sede do «Diário de Notícias»).
Recebria também , respeitante a 1930, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Av. da República, N.º 54, infelizmente já desaparecido.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM

Outros acontecimentos nesta década:

1940 – Exposição do Mundo Português, sob a orientação geral de Cottinelli Telmo;
1940/42– Café Cristal, de Cassiano Branco;
1943 – Estudo de Faria da Costa para o Martim Moniz;
1945 – Laboratório Sanitas, Rodrigues Lima disponibilizar;
1945 - Plano para o Parque Eduardo VII, Keil do Amaral;
1945 - Edifício da Standard Electric, com projecto do arquitecto Cottinelli Telmo;
1946 – Conclusão da 1ª fase de construção do aeroporto, início da sua ampliação;
1946 - Projecto do Bairro da Encarnação, Paulino Montês;
1946/51– Igreja do Santo Contestável, pelo arquitecto Vasco Regaleira;
1947 – Plano de urbanização do Bairro de Alvalade;
1947 - Início da construção do «Bairro de S. Miguel», Miguel Jacobetty Rosa e Sérgio Gomes;
1949/53 – Igreja de São João de Deus, António Lino.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à décima primeira fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 02-03-2015 com o Prémio Valmor de 1942, na Rua Imprensa à Estrela 25, arquitectada por António Maria Veloso dos Reis Camelo. 

18 comentários:

  1. Não sabia que o edifício do DN tinha sido Prémio Valmor. Sempre a aprender! E assim é que tem de ser!

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    1. Não é um edifício que se possa dizer muito bonito, mas a Estética é, obviamente, subjectiva. História é uma das coisas que não falta ao Diário de Notícias.
      Obrigado Graça

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  2. Muito interessante, fico à espera dos restantes!
    xx

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    1. Os restantes estão para trás. Se quiseres vê-los pesquisa pela etiqueta Valmor e vais vê-los !
      Obrigado papoila

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  3. Suponho que é um dos edifícios mais emblemáticos de Lisboa, até por ser o local onde está instalado o jornal mais antigo da capital. E até pela própria arquitetura, se bem que não soubesse que tinha ganho um prémio Valmor... :)

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    1. É verdade é um edifício mbem emblemático e carregado de História de Portugal e de Lisboa.
      Obrigado Teresa

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  4. Posso assinar o comentário da Graça??
    Aquele abraço, votos de boa semana

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    1. Claro que podes Pedro. Eu assino a resposta também !
      Um abraço

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  5. Lição de História, da história desta "Lisboa, que eu amo".
    Acho o edifício do DN bastante carismático, e gosto da sua arquitetura.
    Desconhecia, no entanto, que tinha ganho o Prémio Valmor.

    Dias felizes!

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    1. Lisboa poderia estar melhor, na realidade. Mais cuidada, mais humanizada, mas é o que temos. Felizmente que ainda vamos podendo observar alguns prédios e edifícios maravilhosos. O DN é História de Lisboa e de Portugal, e o seu imóvel é um marco na "minha" cidade.
      Obrigado Céu

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  6. Apesar de ir pouco a Lisboa, reconheço este edifício.
    Fiquei talvez um pouco surpreendida por ser também um Valmor, talvez porque as suas linhas são simples e "a direito", sem os pormenores de tantos outros prémios Valmor que já nos tens mostrado... mas vendo bem, ele é imponente! Basta reparar na foto do Google Maps.

    Saudades da tua terra... :))


    Beijinhos e boa semana
    (^^)

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    1. Pois na década de 40 já não apareceram edifícios com tanto alto ou baixo relevos, ou mesmo ainda, estátuas. No entanto, o imóvel do DN é imponente sim, como tu dizes.
      A sua posição cimeira junto já ao Marquês de Pombal, confere-lhe um lugar de destaque.

      Obrigado Afrodite

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  7. Também sou alfacinha de gema ;()
    Desconhecia que este edifício que tão bem conheço tinha ganho o Prémio Valmor.
    Há zonas na nossa cidade que se estão a degradar dia para dia, é uma pena.

    beijinho e obrigada pelas suas visitas e comentários.


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    1. Eu alfacinha, como costumo dizer, sou de clara, porque nasci no Hospital de São José, diferentemente de muitas pessoas que nasceram na Alfredo da Costa (MAC).

      É carismático o edifício do DN, como já aqui o disse, carregado de História de Lisboa e
      de Portugal.

      Obrigado Fê

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    2. Eu nasci na Matrenidade Magalhães Coutinho, freguesia do Socorro ! :)
      Mas vivi na Ajuda e em Belém durante a infância e adolescência.

      beijinho

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    3. Mais raro ... Maternidade Magalhães Coutinho, pois !!!
      Eu vivi praticamente sempre no concelho de Loures e ainda vivo agora, com excepção de 20 anos (de 79 a 99) em que vivi na freguesia de Alvalade.

      Cumprimentos

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  8. Boa tarde, por vezes ou quase sempre visitamos as cidades e só nos preocupamos em visitar o mais conhecido, o mais publicitado, certamente como eu, a maioria das pessoas desconhecem lindos edifícios reconhecidos com muito interesse.
    AG

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    1. António tens toda a razão, Os lugares visitados são, normalmente os propagandeados, os outros são muitas vezes desconhecidos, e muitas vezes até pelos próprios habitantes dessa cidade. Eu ainda não conheço Lisboa toda... longe disso ! :)

      Obrigado António

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.