Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

La Bohême de Giacomo Puccini

Ópera, o porquê !?…

O meu Pai foi, sem dúvida, o causador de eu gostar de ópera. Durante a minha juventude, iniciou-me a ouvir música dita “erudita” e deu-me a conhecer algumas das grandes obras, de grandes compositores.
Pelos anos 70, ainda patrocinada pela FNAT, posterior INATEL, havia em Lisboa, uma temporada anual de ópera, levada à cena no Teatro da Trindade e interpretada por cantores portugueses. Essa temporada, frequentei-a durante alguns anos, com os meus pais.
Para quem nunca ouviu ópera, posso dizer que é diferente de tudo o resto, e nesta diferença com qualidade é que está o nosso ganho. É como o jazz, ou outro género musical, deve-se ouvir com atenção, tentar entender, e não ouvir só para distrair. Não sejamos superficiais. É aquele fugir à rotina que vos venho falando desde o início deste blogue e do anterior blogue, a procura do diferente.
Não foi com "Carmen" que me estreei a ouvir ópera (foi com o "Barbeiro de Sevilha" de Giacomo Rossini), mas penso que "Carmen" é uma muito melhor escolha, para nos iniciarmos neste género musical.
Explicar-vos tecnicamente, o que é este género musical, ou o que são, os tenores, os sopranos, os barítonos e os baixos, não vou ter essa veleidade. Sou um mero melómano, curioso, como muitos de vocês, e infelizmente não tenho suficientes conhecimentos musicais para esse tipo de explicação técnica.
No entanto, sei que as vozes masculinas se dividem em tenores (vozes mais agudas), barítonos (vozes intermédias) e baixos (vozes mais graves). As vozes femininas dividem-se, em sopranos (vozes mais agudas) e meio-sopranos e/ou contraltos (vozes mais graves). Depois entre cada tipo de voz existem subdivisões, por exemplo, os tenores podem ser líricos, dramáticos, absolutos, ou os sopranos podem ser líricos e dramáticos, os baixos podem ser “bufos”, etc.. E fiquemos por aqui.


Mais uma célebre Ópera, obrigatória conhecer.

A escolha erudita desta vez, recai sobre a ópera de Giacomo Puccini, “La Bohême”.

Resumo da história desta Ópera

A acção decorre em Paris, no ano de 1830 e conta as aventuras de quatro amigos “Quatro Mosqueteiros” que partilham as águas furtadas de um prédio em Paris. Um deles, Rodolfo, apaixona-se por Lúcia (Mimi), uma das inquilinas do mesmo prédio. Ela é costureira. Os quatro e Mimi juntam-se e vão passar essa primeira noite, em que conhece Rodolfo, no “Quartier Latin”. É véspera de Natal. Os episódios sucedem-se.
Esta alegre e apaixonada relação termina quando Mimi adoece com tuberculose e morre.

Personagens de La Bohême

Rodolfo (Poeta) …………………………………. Tenor
Marcelo (Pintor) …………………………………. Barítono
Schaunard (Músico) ……………………………. Barítono
Colline (Filósofo) ………………………………… Baixo
Mimi ………………..……………………………... Soprano
Musette …………..………………………………. Soprano
Benoit (Senhorio) ……………………………….. Baixo
Alcindoro (Conselheiro de Estado) ………........ Baixo
Parpignol (Quinquilheiro) ……………………..... Tenor
O Sargento dos guardas da Alfândega ............. Baixo

Estudantes, costureiras, cidadãos, lojistas de ambos os sexos, vendedores ambulantes, soldados, criados de café, rapazes e raparigas, etc..

Do autor Giacommo Puccini, … (excertos)

Ao nome de baptismo de Giacomo Puccini correspondem vários na nossa língua; tanto poderá ser Jácome, como Diogo, Tiago ou Jaime. Por isso apenas há uma forma de vencer o embaraço e não errar a tradução. Essa é… não o traduzir.
Giacomo (lê-se: Djácomo) Puccini (lê-se: Putxini), última vergôntea (descendente) de autêntica dinastia de músicos notáveis, e todos naturais de Lucca, nasceu a 22 de Dezembro de 1858. Filho, neto e bisneto de três compositores de grande envergadura na época, respectivamente, seu pai Miguel Puccini (1813-1864), seu avô António Puccini (1771-1815) e seu bisavô Giacomo Puccini (1712-1831). Estudou no Instituto Musical Pacini, em Lucca, com Carlos Angeloni (1834-1901). Mais tarde, vai estudar para Nápoles, para o Conservatório, graças à Rainha Margarida, mãe de Victor Manuel III. Primeiramente é Amílcar Ponchielli (1834-1887) o seu professor e mais tarde após a sua morte, é António Bazzini (1818-1897) que o ensina.
As suas mais célebres obras do género lírico, são:

Le Villi; Manon Lescaut; La Bohême (que foi representada pela primeira vez no dia 1 de Fevereiro de 1896, no Teatro Régio de Turim, dirigida pelo prestigiado maestro Arturo Toscanini); Tosca e Madame Butterfly.

Giacomo Puccini morre em 29 de Novembro de 1924, com 65 anos de idade.

Texto extraído e adaptado de:
Colecção "Ópera", Volume 4, Direcção Mário de Sampayo Ribeiro, Editor Manuel B. Calarrão, Lisboa, Maio de 1946, Preço 3$50.

DVD indicativo: La Bohême de Giacomo Puccini, com Luciano Pavarotti e Mirella Freni, Orquestra e Coro da Ópera de São Francisco (EUA), dirigida por Tiziano Severini,

Trechos Musicais

“Che gelida manina”, Rudolfo com Roberto Alagna (Tenor), na Ópera da Bastilha, Paris, França, em 1995.


Si mi chiamano Mimi, Mimi com Rachel Cobb (Soprano) no “Academy of Arts Theater” in Lynchburg, Virgínia, EUA, em 20 de Abril de 2008.


“O soave fanciulla”, Mimi com Renata Tebaldi (Soprano) e Rudolfo com Jussi Björling (Tenor).


"O Mimì, tu più non torni", Marcelo com Ludovic Tézier (Barítono) e Rudolfo com Ramón Vargas (Tenor).


"Vecchia zimarra, senti", Colline com Eric Downs (Baixo).

21 comentários:

  1. Boa noite Ricardo!
    amanhã volto à opera no seu blogue!
    abraços
    Angela

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    1. Ângela, volta sim. Se não conehces vais gostar, embora seja uma amostra muito pequenina desta obra de Puccini, romântica e doentia ! :)
      Obrigado

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  2. Hoje também já estou apressada para ficar a ouvir. E isto tem de se saborear com atenção.

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    1. Tantos comentários e o teu passou, que vergonha. Peço desculpa !
      Vem ouvir estas cinco árias de "La Bohême", valem bem a pena.

      Obrigado Luísa

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  3. Nunca ouvi uma ópera ao vivo... mas de nome conheço algumas e vários excertos das mais conhecidas também.
    Vou fazer por apreciar agora com mais maturidade e até fazer o exercício de tentar reconhecer os diferentes tipos de vozes. Há certos géneros musicais que se tem de aprender a ouvir para gostar... e a ópera, na sua vertente musical, é sem dúvida um deles.

    Vou ouvir... e vou-me arriscar a chorar... mas o importante mesmo são as emoções!

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    1. Ouve que vais gostar, desta pequena mostra. Tens de um dia ver Ópera ao vivo,tem outro encanto !
      Obrigado

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  4. Já tive o prazer de a ver aqui ao vivo por ocasião do Festival Internacional de Música.
    Arrepia!
    Aquele abraço, votos de bfds

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    1. Já a vi duas vezes ! Uma na altura da FNAT (Teatro da Trindade) e outra aqui há uns anos em São Carlos.
      Obrigado Pedro

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  5. Nunca assisti a um espectáculo de Ópera ao vivo, mas a minha admiração e interesse pela vida da soprano Maria Callas, aliada à facilidade que tinha em assistir , nos anos sessenta, em programas televisivos, fez-me gostar desse tipo de «histórias cantadas».

    Ao tempo, até se dizia que víamos Ópera por dez tostões! Quantia que começou a ser cobrada, diariamente, como taxa de TV, incluída na conta da luz. Não sei se te lembras disso.

    Agora a TV, deixou de ter o papel cultural que teve em tempos e se destinava a todos aquele que não tinham poder económico para ir ao São Carlos ou S. Luís. Assim como havia Teatro uma vez por semana. Peças onde vi representar, Paulo Renato, Manuel Lereno, Elvira Velez e tantos outros.
    Sabes que ainda hoje me lembro do impacto que teve em mim ver a peça de Ópera Otello?
    A morte trágica da bela e loira Desdémona, vítima de ciúmes infundados, ficou-me gravada na memória.

    Obrigada, Ricardo, por nos trazeres este estilo de música, considerada erudita, mas não apenas reservada a gente 'erudita'. Gostei!

    :)

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    1. Se puderes, algum dia, vai ver. Maria Callas foi um grande soprano na realidade: Um soprano, se é que se pode dizer, quase absoluto, porque cantava todos os papéis de qualquer Ópera entregues a sopranos.

      Infelizmente é como dizes, estamos invadidos por "n" canais que nada de cultural transmitem. A RTP2 ainda continua a ser o melhor deles. Fazem falta Ópera, Teatro, Bom Cinema, muito espectáculo cultural. Mas com um apresentador a explicar, alguém que ensinasse a ver ópera, a ver cinema, teatro.

      "Otelo" de Verdi, não está no meu programa de óperas a passar por aqui. Vi-a uma vez, e posso escrever sobre ela. Tenho documentação sobre. Aliás o meu pai deixou-me um espólio pequeno sobre muitas óperas.
      Por aqui passarão 10, mas posso trabalhar em mais algumas. É uma questão de o querer fazer.

      Fico satisfeito que tenhas gostado !

      Obrigado Janita

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  6. Tenho um fraquinho enorme por Puccini. Gosto de todas as óperas que lhe conheço. Ele e Jacques Brel, em registos muito diferentes, são especialistas em melodrama mas eu gosto deles assim :)
    Vi a La Bohême e gostei muito mas a minha de estimação será a Tosca. Aliás, este é o registo em que sei mais letras de cor mas, com grade pena minha não as posso cantar ( a bem da relação com vizinhos, colegas de casa e de trabalho).
    Ahhh vou gostar muito destes posts! Obrigada por este tão detalhado :)

    PS: O Rossini é Gioachino se não me engano. A aria Largo al Factotum faz-me sempre sorrir.
    PS2 A minha 1a ópera foi Carmen mas, dançada pela companhia de bailado espanhola. Um modo diferente de começar mas fascinante e intenso.



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    1. Já me tinhas dito do teu fraquinho pelo Puccini. A Tosca não está no meu programa das dez que irão passar, mas como já disse à Janita, tenho documentação sobre a "Tosca". Por isso, "Otelo" de Verdi e "Tosca" de Puccini, irão ser óperas pedidas, depois de passar todas as outras.

      Rossini é Gioachino sim. O "Barbeiro de Sevilha" vai passar, obviamente por aqui, e vais ouvir o "Largo al Factotu" sim.

      "Carmen" de Bizet, já passou, viste e comentaste.

      Obrigado Pusinko

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  7. Que bom ter tido um pai assim! Não é para todos. Eu não sou grande fã de ópera exatamente porque não conheço. Gosto muito de algumas árias, mas óperas propriamente vi duas quando vieram cá a Leiria: o Barbeiro de Sevilha e Carmen, precisamente.

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    1. No Cine-Teatro José Lúcio da Silva, muito bom. Estive aí por 1975 na tropa, ainda no RAL 4, no quartel junto ao castelo. Cheguei a ver música de câmara, com um grupo checoeslovaco aí em Leiria no Cine-Teatro. O meu pai era preocupado com a minha educação cultural sim. Naqueles era diferente dos de hoje. Embora eu e a miha mulher tenhamos continuado e dado esse tipo de educação aos meus filhos.

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  8. Não vi os vídeos todos, vou voltar mais tarde para ver os que faltam!
    Nunca vi opera ao vivo, nem fui fã enquanto jovem, no entanto admito a idade me ajuda, a ver e ouvir de uma outra forma. Sempre que vi opera na tv, ou ouvi na rádio, gostei muito e gosto, ao ponto de me fazer arrepiar, Maria Callas e Giacomo Puccini.

    Beijinho e um bom foim de semana.

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    1. Flor, a Ópera é um género musical muito agradável. São romances que em vez de serem exibidos como peça de teatro declamado, são cantados. No teatro, é que devem tentados ser vistos, ao vivo. Aliás todos os espectáculos sejam eles quais forem devem tentar-se ver no seu ambiente natural.
      Obrigado Flor de Jasmim

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  9. Boa tarde, revela bem a importância de ter um pai que se preocupa em dar o conhecimento ao filho, obrigado bela perfeita partilha que transmite algum conhecimento a quem não o tem.
    AG

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    1. Absolutamente de acordo António. O meu Pai sempre me tentou educar e cultivar, dentro das poucos possibilidades que tinha.
      Obrigado

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  10. A influência dos nossos pais é fundamental para adquirirmos o gosto pelas coisas, não é verdade ?
    Os meus infelizmente não tinham essa formação cultural, mas eu gosto de tudo que tem a ver com artes e a ópera não foge à regra.
    Ao vivo nunca vi nenhuma, mas na televisão sim, no tempo em que havia boa televisão, e como tinham legendas facilitavam a compreensão.
    beijinho

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    1. Absolutamente de acordo contigo Fê.
      Os nossos Pais influenciam-nos, ajudam-nos, ensinam-nos, resumindo, educam-nos. Esse é o papel fundamental dos Pais independentemente da cultura ou formação que tenham, isso não é assim tão importante !

      Obrigado Fê

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.