A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Prémio Valmor, Ano de 1939, Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 52-54

No ano de 1939 foi premiada uma moradia na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, 52, um projecto dos arquitectos Carlos (1887-1971) e Guilherme Rebelo de Andrade (1891-1969) para Bernardo Nunes da Maia. Construção sóbria e algo pesada, com decoração de inspiração tradicional, é um dos primeiros trabalhos no qual os irmãos Rebelo de Andrade ensaiam o estilo “D. João V”, presente em muitos edifícios por eles projectados depois.

Em plena Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, sensivelmente a meio (junto a uma paragem de autocarro), e encontra-se do lado direito quem vai da Praça de Espanha, em direcção a Sete Rios. Encontra-se actualmente para venda, após ter tido como inquilinos a empresa MSF (Moniz da Maia, Serra e Fortunato, Empreiteiros SA).

Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade  (1887-1971):

“Natural de Lisboa, era diplomado com o curso de Arquitectura Civil da Escola de Belas Artes, durante o qual, logo no primeiro ano, foi distinguido com duas medalhas de prata.
Ligado a seu irmão Guilherme, participou em quase todos os concursos para monumentos e edificações públicas que no seu tempo se realizaram entre nós. Projectou e dirigiu com o Arq.º Alfredo de Assunção Santos, as obras do Pavilhão de Honra da Exposição Internacional do Rio de Janeiro, em 1922, pelo qual granjeariam com a medalha de prata da S.N.B.A. e um prémio de mérito artístico, a Medalha de Ouro da Secção de Arquitectura e ainda os trabalhos do Pavilhão de Portugal na Exposição Ibero-Americana de Sevilha, em 1929.
...
Fez parte dos corpos directivos da Sociedade (depois Sindicato) dos Arquitectos Portugueses.
Autor de várias edificações particulares, foi do seu risco também a Fonte Monumental, na Alameda D. Afonso Henriques.
Obteve com seu irmão, o Prémio Valmor de 1939, pela construção da moradia situada na Av. Columbano Bordalo Pinheiro, N.ºs 52-54.“.

...  e Arquitecto Guilherme Rebelo de Andrade (1891-1969):

“Natural da Ericeira, frequentou o Instiututo Industrial de Lisboa e tinha o Curso Complementar do Comércio, tirado no Liceu Passos Manuel, preparatórios que apresentou para ingressar na Escola de Belas-Artes, onde finalizaria o Curso de Arquitectura Civil, em 1913.
Em 1915 alcançou uma Menção Honrosa no concurso para o Monumento a Camões, em Paris,
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Dirigiu o restauro e remodelação dos Palácios de Queluz e Belém e as ampliações do Museu Nacional de Arte Antiga. Deveram-se ainda aos «irmãos Andrade» os arranjos do extinto Café Chiado (Revista «Arquitectura», Abril de 1927) e da Casa Quintão, na Rua Ivens, bem como os projectos da Escola Naval do Alfeite.
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Obteve com seu irmão, o Prémio Valmor de 1939 pela construção da moradia, na Av. Columbano Bordalo Pinheiro, N.ºs 52-54.”.

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM
Outros acontecimentos nesta década:

Anos 30 – Construção da Alameda Afonso Henriques e Bairro Azul;
1930 – Cinema Eden, do arquitecto Cassiano Branco;
1934 – Casa da Moeda, de Jorge Segurado;
1934 - Hotel Vitória, de Cassiano Branco;
1934 - Elaboração de novo projecto para a criação do Parque Florestal de Monsanto;
1935 – Lisboa estende-se já até Algés, Poço do Bispo, Ajuda, Campolide, Benfica, Carnide, Lumiar e Areeiro.
1937 – Projectos dos bairros de habitação económica da Ajuda da autoria de Paulino Montês;
1937 - Café Portugal, de Cristino da Silva;
1938/40 – Cinema Cinearte, de Rodrigues Lima;
1938/43 – Praça do Areeiro, do arquitecto Luís Cristino da Silva;
1938/43 - Plano “De Gröer”;
1939/45 – Segunda Guerra Mundial.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à oitava fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 14-02-2015 com o Prémio Valmor de 1940, na Avenida da Liberdade, 266, arquitectada por Porfírio Pardal Monteiro. 

4 comentários:

  1. Não é muito bonita. Tem um espaço à volta, aparentemente agradável. Não conheço as traseiras, está tudo fechado. Mas se pudesse também o faria !!!
    Obrigado Graça

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  2. As persianas nas janelas estragam tudo.
    Não gosto nada daquelas porcarias de plástico ali.

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    1. Estamos absolutamente de acordo, Pedro !
      Um abraço

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.