A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Prémio Valmor, Ano de 1938, Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Após 6 anos sem atribuir nenhum prémio, no ano de 1938 é premiado o primeiro edifício não habitacional, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, situada no cruzamento das avenidas Avenida Marquês de Tomar e Avenida de Berna, um projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro para a Arquiconfraria do Santíssimo Sacramento de São Julião.
Única igreja modernista de Lisboa e um dos mais interessantes edifícios deste tipo, causou polémica quando inaugurada. Valeu a intervenção do Cardeal Patriarca de Lisboa, que veio a público defendê-la chamando-lhe “igreja moderna bela”.
Construída em betão armado e com uma nave central com arcos ogivais, conta com a participação de vários artistas plásticos, entre os quais Almada Negreiros (vitrais), Francisco Franco (escultura do Apostolado na fachada) e Leopoldo de Almeida (imagens de Nª Sra. de Fátima e de São João Baptista).

É uma área grande situada com entrada principal na Avenida Marquês de Tomar, mas também com parte da outra lateral para a Avenida de Berna

Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957):

“Natural de Montelavar (Sintra), e então também musando o nome de Porfírio Pedro Monteiro, tinha 17 anos quando frequentava o primeiro ano do Curso da Arquitectura Civil da Escola de Belas-Artes, concluindo-o em 1918. Tirocinou com Ventura Terra, do qual foi discípulo estimado. O período dos anos 20 a 40 é de grande produção de «atelier» e se corresponde, por um lado, ao dos seus Prémios Valmor, também terá o Instituto Superior Técnico (1927), a Estação do Cais do Sodré (1928), o Instituto Nacional de Estatística (1931-35). Quando da inauguração da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a revista “Arquitectos”, do Sindicato Nacional dos Arquitectos, N.º 6/Agosto-Outubro de 1938, dedicou-lhe uma expressiva local, a págs. 182; o mesmo sucedeu com o edifício do «Diário de Notícias», no N.º 13, de Maio-Junho de 1940, do referido orgão sindical. Participou na Exposição do Mundo Português com o Pavilhão dos Descobrimentos.
...
Obteve o Prémio Valmor correspondente aos anos de 1923, 1928, 1929, 1938 e 1940 com as seguintes edificações situadas na Av da República, N.ºs 49-49-D; Calçada de Santo Amaro, Nº. 83-85; Av. Cinco de Outubro, N.ºs 207-215; Av. Marquês de Tomar (Igreja N.ª S.ª de Fátima) e Av. da Liberdade, N.ºs 266-266-A (Sede do «Diário de Notícias»).
Recebria também , respeitante a 1930, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Av. da República, N.º 54, infelizmente já desaparecido.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM
Outros acontecimentos nesta década:

Anos 30 – Construção da Alameda Afonso Henriques e Bairro Azul;
1930 – Cinema Eden, do arquitecto Cassiano Branco;
1934 – Casa da Moeda, de Jorge Segurado;
1934 - Hotel Vitória, de Cassiano Branco;
1934 - Elaboração de novo projecto para a criação do Parque Florestal de Monsanto;
1935 – Lisboa estende-se já até Algés, Poço do Bispo, Ajuda, Campolide, Benfica, Carnide, Lumiar e Areeiro.
1937 – Projectos dos bairros de habitação económica da Ajuda da autoria de Paulino Montês;
1937 - Café Portugal, de Cristino da Silva;
1938/40 – Cinema Cinearte, de Rodrigues Lima;
1938/43 – Praça do Areeiro, do arquitecto Luís Cristino da Silva;
1938/43 - Plano “De Gröer”;
1939/45 – Segunda Guerra Mundial.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à décima primeira fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 28-01-2015 com o Prémio Valmor de 1939, na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro 52-54, arquitectada por Carlos e Guilherme Rebelo de Andrade.

7 comentários:

  1. Muita gente critica esta categoria de monumentos, mas há séculos que as igrejas "se fartam" de proteger os artistas, e abrigam uma infindável quantidade de obras de arte que toda a comunidade pode apreciar
    Angela

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    1. O que dizes é verdade. E todos os monumentos têm a sua importância na história de um País. Portugal deve ser dos países mais ricos do Mundo em história arquitectónica. Romanos, arábes, andaram por aqui muitos povos que deixaram o seu cunho. Infelizmente nunca conseguimos que a cultura vivesse em comunidade com os apoios da classe empresarial, isto é, os edifícios deterioram-se e depois caiem, porque nada é feito para subsidiar ou incrementar turismo ou proteger a nossa história de monumentos e outro tipo de arquitecturas.

      Obrigado Ângela

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  2. Não conheço a igreja.
    Achei os vitrais uma maravilha

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    1. A Igreja é bastante bonita. Se um dia passares por Lisboa, faz-lhe uma visita !
      Um abraço Pedro

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  3. ~ Bela de linhas sóbrias, imponente mas funcional.

    ~ ~ Mereceu a distinção. ~ ~

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    1. Mereceu a distinção sim, como dizes. A Igreja é bastante bonita e ergue-se imponentemente entre a Avenida Marquês de Tomar e a Avenida de Berna.
      Obrigado Majo

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  4. Também não conhecia... e gostei imenso!
    A primeira imagem do altar surpreendeu-me... fiquei um pouco de tempo a admirá-la.
    As fotos que mais gosto são a 7, a 23 e a 27.

    Beijinhos Valmorosos...
    (^^)

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.