A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Estórias de Ontem (VI) – Pontapé no Balde

Nem sempre as coisas correm bem, e às vezes damos connosco a passar por situações ridículas e de grande comicidade.

A situação passa-se em trabalho. Uma mudança de um departamento do Cliente do edifício da Avenida José Malhoa, para um andar na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro. Terá ocorrido, se a memória não me falha e o meu Excel não me atraiçoa por Janeiro de 1995 dias 20, 21 e 22, possivelmente dia 22.

A mudança estava no final. As máquinas estavam no seus locais de destino e faltava somente verificar uma a uma, primeiro o “hardware”, depois todo o “software”, redireccioná-las para as impressoras de rede mais próximas, e ir dormir. A mudança durava desde o dia anterior. Embora não fossem muitos equipamentos, no entanto, e como de costume, as coisas tinham-se atrasado em termos de mobiliário, e obviamente, os computadores não podiam ficar no chão.

As senhoras da limpeza que coincidiam muitas vezes com a nossa intervenção de colocar as máquinas e de as verificar, estavam numa azáfama de limpeza. Armários, secretárias, aspirar a alcatifa, etc. O cheiro do produto de limpeza que utilizavam nos armários para retirar sujidade, entrava-nos pelo nariz dentro.

Eu andava de um lado para o outro a ajudar os meus colegas menos experientes e a garantir que no dia seguinte, dia em que eu estaria de manhã muito cedo, a entregar a nossa parte do trabalho aos responsáveis do Cliente, iria correr bem.

A alcatifa era cinzenta escuro com o logotipo do Cliente a vermelho, e a porcaria, para não dizer, a merda do balde, era cinzento também, e muito idêntico à cor da alcatifa.
Ao dobrar, aceleradamente, a esquina num armário, para ir ajudar um colega meu do outro lado da sala, não vi o balde !!! L L...
Um pontapé que fez saltar o mesmo que estava cheio de água e que se entornou, na totalidade, em cima da alcatifa

- Merda  !!! L - disse eu.

- O senhor não viu o que fez ?! – disse a senhora da limpeza, “dona” do balde.

- Deixe estar que eu apanho tudo !!! – disse eu, numa tentativa de querer remediar algo impossível de fazer.

Gargalhada geral de quem estava ao pé.

- Ainda por cima está a gozar comigo !... Apanha o quê ?!!! A água ?!!! – A senhora da limpeza irritadíssima comigo.

Quem não estava ao pé, veio ver o que se passava e ajudou na risada.

A mudança estava a correr tão bem ! L

O gangue dos machões - Interacção Humorística (CXXVIII)

Em 24-07-2011. Obrigado.

O gangue dos machões

Vinha pela estrada uma caravana de motociclistas fortes, homens com grandes bigodes, nas suas poderosas motos, quando de repente vêem uma garota a ponto de saltar de uma ponte. Eles param e o chefe, particularmente corpulento, e de aspecto rude, salta da mota, e dirige-se à rapariga, perguntando:

- Diabos, que estás tu a querer fazer ???

- Vou me su-i-ci-dar !!!!  Responde suavemente a delicada garota com a voz cadenciada e ameaçando saltar no abismo.

O motociclista pensa por alguns segundos e diz:

- Olha, antes de saltares, porque não me dás um beijo?

Ela acena com a cabeça que sim, põe de lado os cabelos compridos encaracolados e dá um longo beijo, apaixonado, na boca do motociclista machão.

Depois desta intensa experiência, o grupo de “motards” aplaude, o chefe recupera o fôlego, cofia o bigode e admite:

- Este foi o melhor beijo que me deram na vida. É um talento que se vai perder se te suicidares. Porque queres tu morrer?

- Porque... responde ela:

Os meus Pais não gostam que eu me vista de mulher !!!

sábado, 27 de setembro de 2014

Jazz Standards (CXXIV)

(Dados Biográficos In Wikipédia e In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

(Sobre o tema em questão, algumas palavras retiradas de “in
http://www.jazzstandards.com/compositions/index.htm” - adaptação e tradução por Ricardo Santos)

Moonglow (#128) - Música e Letra de Eddie De Lange, Will Hudson e Irving Mills
Pai do violino Jazz, Joe Venuti, tocou pela primeira vez "Moonglow" numa gravação para a etiqueta “American Record Company”, em Setembro de 1933. A gravação de Venuti não atingiu, sequer, as tabelas de vendas, mas as gravações seguintes, de várias bandas, o fizeram:

Benny Goodman e sua orquestra (1934, Nº. 1)
Duke Ellington e sua orquestra (1934, Nº. 2)
Cab Calloway e a sua orquestra (1934, Nº. 7)
Glen Gray e a “Casa Loma Orchestra” (1934, Kenny Sargento, vocal, Nº. 8)
Benny Goodman Trio (1936, Nº. 8)

O escritor George Thomas Simon, enquanto trabalhava numa compilação de músicas para o “Big Band Songbook”, contactou o compositor Will Hudson sobre "Moonglow", e Hudson explicou como a música surgiu... "Aconteceu de forma muito simples. No início dos anos 30, eu tinha uma banda no “Ballroom Graystone” em Detroit, e precisava de uma música-tema. Então, escrevi ‘Moonglow’." A banda de Hudson fracassou, e ele então viajou para New York tendo sido contratado pelo promotor/editor Irving Mills, como orquestrador e compositor.

Benny Goodman (Chicago, Illinois, EUA, 30-05-1909 – New York, EUA, 13-06-1986) Quartet 


Doris Day (Cincinnati, Ohio, USA, 03-04-1924 - 20xx) – 30 de Agosto de 1957, para o álbum “Day By Night”, com a orquestra de Paul Weston.


Tony Benett (Queens, New York, EUA, 03-08-1926 - 20xx) e Kathryn Dawn Lang (Edmonton, Alberta, Canadá, 02-11-1961 - 20xx) – Para a Sony BMG Musci Entertainment, 1994.


Rod Stewart (Highgate, North London, Inglaterra, 10-01-1945 - 20xx) – Em 2003


Letra

It must have been moonglow
Way up in the blue
It must have been moonglow
That led me straight to you
I still hear you saying
"Dear one, hold me fast"
And I started praying
"Oh, Lord, please make this last"
We seemed to float
Right through the air
Heavenly songs
Seemed to come from every where
And now when there's moonglow
Way up in the blue
I always remember
That moonglow gave me you
We seemed to float
Right through the air
All those Heavenly songs
Seemed to come from every where
And now when there's moonglow
Way up in the blue
I'll always remember
That moonglow gave me you
That moonglow gave me you
That moonglow gave me you

Lamento, algumas eventuais falhas nas letras, encontradas na Internet, devido à própria improvisação dada pelos seus intérpretes, e muitas vezes de difícil entendimento. (Ricardo Santos)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Lisboa (XXI) – À volta da Praça dos Restauradores (II)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

A Praça dos Restauradores situa-se em Lisboa e é caracterizada pelo alto obelisco, erigido em 1886, que comemora a libertação do país do domínio espanhol (os Filipes) em 1640. As figuras de bronze do pedestal representam a Vitória, com uma palma e uma coroa, e a Liberdade. Os nomes e datas nos lados do obelisco são os das batalhas da Guerra da Restauração. O Monumento foi custeado por subscrição pública, aberta em Portugal e no Brasil, e gerida por uma comissão sob a presidência do Marquês de Sá da Bandeira. O projecto do monumento é da autoria de António Tomás da Fonseca, e as estátuas alegóricas (Independência e Vitória), da autoria de José Simões de Almeida e Alberto Nunes.
Para além da parte central da praça e do obelisco que lhe dá um ar majestoso, existem alguns edifícios que a marcam pela sua beleza.

Volto a repetir as digitais do monumento e ao minuto 2:23, veremos as fotos do resto da Praça, até ao cinema Condes.

Com as suas costas para a rua Jardim do Regedor, hoje transformada em passeio pedonal, fica o quiosque mais conhecido de Lisboa, é sem dúvida, o da ABEP que aqui, há dezenas de anos, vende bilhetes para tudo o que é espectáculo em Lisboa.
Na continuação da Praça encontramos o edifício dos CTT, na esquina com a Travessa de Santo Antão.

Na esquina da Rua dos Condes encontra-se o antigo cinema Condes projectado pelo arquitecto Raúl Tojal e hoje adulterado em espaço de convívio “Hard Rock Café”.

O tema escolhido para ilustrar musicalmente estas fotografias é o tema de António Pinho Vargas, “Olhos Molhados”, do álbum “Cores e Aromas” de 1989, com a presença de APV (piano e sintetizadores), José Nogueira (saxofone alto), Mário Barreiros (bateria) e Pedro Barreiros (contrabaixo).

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Aaron Copland / Hoe-down (II)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)


Aaron Copland (Brooklyn, New York, EUA, 14-11-1900 – Sleepy Hollow, New York, EUA, 02-12-1990) - Foi um compositor norte-americano de música para cinema e concertos, e ainda um talentoso pianista. Tornou-se particularmente conhecido por trabalhos que reflectem vários aspectos da vida nos Estados Unidos da América. Fiocu conhecido, nos Estados Unidos, como o “Decano” dos compositores americanos.
Aaron Copland nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, descendente de judeus lituanos. Era o último dos cinco filhos de Harris Morris Copland, que emigrou da Rússia para os Estados Unidos, com uma passagem pela Escócia, onde decidiu anglizar o seu apelido "Kaplan", transformando-o em "Copland".
O seu pai não tinha gostava de música, mas a sua mãe, Sarah Mittenhal Copland, cantava, tocava piano e fazia arranjos musicais, para os filhos. O  irmão mais velho, Ralph, era o mais avançado musicalmente, tocava violino, enquanto a sua irmã, Laurine, a mais ligada a Aaron, deu-lhe as primeiras lições de piano, promovendo a sua educação musical e apoiando-o na sua futura carreira. Aaron teve aulas de música com Leopold Wolfsohn, entre 1913 até 1917. Copland fez a sua primeira apresentação musical, num recital na loja “Wanamaker”, actual “Macy's”. Aos quinze anos de idade, depois de ver um concerto do compositor-pianista Ignacy Paderewski, Copland decidiu tornar-se compositor. Teve as primeiras lições formais de harmonia, teoria musical e composição com Rubin Goldmark, um notável professor e compositor de música, o qual deu a Copland uma sólida formação, na tradição alemã. Continuando sua educação musical, ele recebeu lições de pianos com Victor Wittgenstein.
...

Hoe-down - ...do bailado “Rodeo”, interpetado pela Neponset Valley Philharmonic Orchestra, no concerto “Pops In Love”, em 13 de Fevereiro de 2011.


Aqui a versão dos Emerson, Lake and Palmer, banda de “rock” progressivo, decorria o ano de 1972, e do seu terceiro álbum “Trilogy”. A popularidade deste álbum também se deveu, um pouco, a esta composição de Aaron Copland.

domingo, 21 de setembro de 2014

Duas composições dos álbuns mais vendidos (XIV)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

EUA, Backstreet Boys, “I Want It That Way” e “Don't Wanna Lose You Now”, Millennium, 18/05/1999, Pop.

Editado 18/05/1999 , um dos álbuns de maior sucesso de todos os tempos, e por indicação do “Guiness Book of World Records” com vendas de cerca de 40 milhões de unidades.

I Want It That Way


Don't Wanna Lose You Now

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Não aconselhável a menores de 18 ou mentes susceptíveis (?)

Passava a década de 70 (salvo erro !), quando na Televisão portuguesa passou um célebre filme que causou extrema polémica pelo assunto versado, e que acabou por ainda ser mais penalizado pela cena abaixo, onde Barbara Bouchet mostrava os seus lindos seios. Lembram-se ?!


Pato com Laranja (L'Anatra all'Arancia) de 1975, do realizador italiano Luciano Salse, com Ugo Tognazzi (Livio Stefani),  Monica Vitti (Lisa Stefani, mulher de Livio), Barbara Bouchet (Patty, secretária e amante de Livio) e John Richardson (Jean-Claude, amante de Lisa).

E à distância de 40 anos, em pleno século XXI, o que diriam/dirão os “puritanos” dos longínquos anos 70, sobre este “sketche” humorístico, executado para a Internet, pela produtora brasileira de videos “Porta dos Fundos”.

Erotismo ? Pornografia ?


http://portadosfundos.com.br/

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1917, Rua Viriato 5

Em 1917 o Prémio Valmor também foi atribuído a um edifício de habitação, composto por cinco pisos, na Rua Viriato, 5 que pertencia a António Macieira Júnior e cuja arquitectura se deve a Ernesto Korrodi. Apesar de o júri ter hesitado, referindo que "parte dos materiais empregados na fachada (...) estão mascarados com argamassa, do qual resulta não se conhecer logicamente a função da parte estrutural da obra", considerou que este seria um "belo edifício (...) quanto à composição da fachada, como (...) da planta (...) com detalhes felizes". Actualmente apresenta-se em estado muito degradado.

Encontrava-se degradado. Felizmente que foi recuperado, disso o provam as fotografias.Encontra-se na Rua Viriato, quem a desce do lado direito.

Arquitecto Ernesto Korrodi (1870-1944):

“Suiço, natural de Zurique, era habilitado com os cursos de escultor decorador e formativo de professore de Desenho, pela Escola de Artes Industriais dessa cidade.
Após uma viagem de estudo pela Itália, foi contratado pelo Governo português para funções docentes no Ensino Técnico, tendo servido primeiro na Escola Industrial de Braga, durante cinco anos, e depois em Leiria, na Escola Industrial Domingos Sequeira, onde se conservaria até à aposentação.
Como autodidacta, exerceu a profissão de arquitecto e construtor em Portugal, sendo de destacar, entre as suas obras, os Paos do Concelho, o mercado-coberto, a agência do Banco de Portugal, e vários edifícios particulares em Leiria;
...
Quando o Decreto 11 089, de 19 de Setembro de 1925, proibiu o exercício de profissões, para as quais fosse exigido diploma, àqueles que a desempenhassem Ernesto Korrodi, apresentou o seu “curriculum” 

à Sociedade dos Arquitectos Portugueses que informou favoravelmente o Governo, sendo um dos poucos diplomados pelo Estado português nessa ocasião, sem obrigatoriedade de frequência de Cadeiras complementares em estudos nacionais.

...
Obteve o Prémio de 1910 e 1917, pelas moradias construídas, respectivamente, na Av. Fontes Pereira de Melo, 30 e Rua Viriato Nº. 5 – a primeira já desaparecida e a segundo num estado avançado de degradação.”.

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM
Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1910 – Instauração da República.
1910 (até este ano) - Realiza-se na zona do Campo Grande uma das mais importantes feiras de Lisboa;
1914 – Projecto de monumento ao Marquês de Pombal por F. Santos, A. Couto e A. Bermudes;
1914/18 – Primeira Guerra Mundial;
1919 – Início das obras no Bairro Social do Arco Cego.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à décima primeira fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 19-10-2014 com o Prémio Valmor de 1921, na Rua Cova Moura 1, e arquitectada por Tertuliano Marques. 

sábado, 13 de setembro de 2014

Gotan Project – Groups & Soloists of Jazz (XVII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Gotan Project (Paris, França, 1999 - 20xx) – É um grupo musical formado em Paris e constituído pelos músicos (base): Philippe Cohen Solal (francês), Eduardo Makaroff (argentino) e Christoph H. Müller (suíço).
O grupo juntou-se em 1999. O primeiro “single” a ser lançado foi “Vuelvo Al Sur/El Capitalismo Foraneo”, em 2000, seguido do álbum “La Revancha del Tango”, em 2001. A sua música insere-se no género, do Tango, mas com elementos electrónicos que dão ao seu estilo uma nova forma de compor e tocar o tango. O nome deste grupo vem da inversão das sílabas da palavra tango, seguindo o costume do “lunfardo”, a gíria argentina, de pronunciar as palavras "al revés", ou seja, de trás para a frente.

Triptico, ao vivo em Umbria, Itália, em 2002.


Diferente, ao vivo no “Casino de Paris”.


Santa Maria de Buenos Aires


Una Musica Brutal

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Olhos na estrada por favor

Um auricular, ou até mesmo, um “kit” de mãos-livres não são assim tão caros. Ou então, enquanto conduzem. não atendam, nem façam chamadas. 


Uma boa campanha para substituir as "tretas" de publicidade que a Lusomundo nos dá, antes dos filmes começarem. Obrigado pelo alerta Volkswagen, nunca é demais !!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Estórias de Ontem (V) - A pior bica de sempre

Na final da década de 70 eu estava a trabalhar na Baixa de Lisboa. O meu primeiro emprego traz-me sempre à memória muitas recordações. Algumas delas cómicas como esta que vos conto.

Costumava ir beber café mais um colega meu a um pequeno café/restaurante onde além de mesas normais onde serviam os almoços, também ao balcão o faziam.
Por volta das 14:00 já haviam lugares vagos ao balcão, por isso, quando nós chegávamos, conseguíamos, normalmente bebê-lo à vontade e sem pressas. O café não era mau.

Nesse dia, havia apenas um lugar ao balcão livre. Pedimos os cafés. As chávenas foram pousadas no balcão, juntamente com as colheres e os pacotes de açúcar. Estávamos de lado o espaço não era muito.

O meu colega serviu-se e começou a beber o café. De seguida, quando peguei no meu pacote de açúcar reparei que estava duro. A solução seria, como é normal, bater com ele para os grãos se separarem. Assim o fiz. Bati com o pacote no balcão... uma, duas vezes !!!

O pacote rebentou e a exótica especiaria granulada, saltou pelo ar. O grave da questão é que do meu lado direito estava uma senhora que almoçava e tinha o cabelo, estilo permanente. Para aí foi a viagem espacial que alguns grãos fizeram, em busca de terra firme !

A senhora gritou e olhou para mim com um olhar fulminante. Se ela fosse uma super-heroina, eu teria sido morto enquanto o diabo esfrega um olho. Começou a sacudir a cabeça e a praguejar.

O meu colega ajudava ao “enterro”, dizendo:
- Não era suposto pores o açúcar dentro da chávena ?! – rindo.

Desfiz-me em desculpas e aquela foi a pior “bica” que bebi em toda a minha vida. Não pela qualidade, mas pelo incidente.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Jazz Standards (CXXIII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

(Sobre o tema em questão, algumas palavras retiradas de “in
http://www.jazzstandards.com/compositions/index.htm” - adaptação e tradução por Ricardo Santos)

If You Could See Me Now (#127) - Música de Tadd Dameron e Letra de Carl Sigman
Tadd Dameron foi um dos mais influentes compositores / orquestradores da era “Bebop” e escreveu “standards”, como "Hot House", "Good Bait", "Our Delight" e "Fontainebleu". Escreveu partituras para muitas das grandes bandas: Jimmie Lunceford (saxofone), Count Basie (piano), Billy Eckstine (vocal), e Dizzy Gillespie (trompete). Ele também foi pianista, embora ele considerasse isso secundário e menos importante (sideline), mas, mesmo assim, ele gravou alguns álbuns, incluindo “Mating Call” [Tadd Dameron Quartet: John Coltrane (saxofone), Tadd Dameron (piano), John Simmons (contrabaixo) e Philly Joe Jones (bateria)], gravado no “Rudy Van Gelder Studio”, em Hackensack, New Jersey, a 30 de Novembro de 1956, para o qual Dameron escreveu todas as composições.
"If You Could See Me Now", foi escrito especificamente para a vocalista Sarah Vaughan, para quem Dameron trabalhou como orquestrador. Ela cantou-a pela primeira vez em 1946, com a letra de Carl Sigman, e tornou a composição, como uma de suas canções de assinatura. Em 1998, a sua interpretação ficou registada no “Grammy Hall of Fame”. Mel Torme gravou uma versão memorável da música em 1995, com o trombonista canadiano e chefe de banda Rob McConnell.

Sarah Vaughan (Newark, EUA, 27-03-1924 — Los Angeles, EUA, 03-04-1990) – para a Musicraft Records, em 1946. Voltou a ser editada em 1981 no álbum “Send in the Clowns” com a “Count Basie Orchestra”, editada pela “Pablo”.


Bill Evans (Plainfield, EUA, 16-08-1929 — New York, EUA, 15-09-1980) trio – Ao vivo em Oslo, Noruega, 28 de Outubro de 1966, com Bill Evans (piano), Eddie Gomez (contrabaixo) e Alex Riel (bateria).


Chet Baker (Yale, Oklahoma, EUA, 23-12-1929 – Amsterdão, Holanda, 13-05-1988) septet  - com Chet Baker (trompete), Herbie Mann (flauta), Pepper Adams (saxofone barítono), Bill Evans (piano), Kenny Burrell (guitarra), Paul Chambers, (contrabaixo) e Connie Kay (bateria), 30 de Dezembro de 1958, para a Riverside.


Kenny Burrell (Detroit, Michigan, EUA, 31-07-1931 - 20xx) – com Kenny Burrell (guitarra), Art Blakey (bateria), Tina Brooks (saxofone tenor), Roland Hanna e Bobby Timmons (piano) e Ben Tucker (contrabaixo). 25 de Agosto de 1959 para a “Blue Note”.


Letra

If you could see me now
You know how blue I've been
One look is all you need to see the mood I'm in
Perhaps then you'd realize
I'm still in love with you
If you could see me now
You'll find me being grave
And trying awfully hard to make my tears behave
But thats quite impossible
I'm still in love with you
You halfen my way and some memorable day
And the month will be made, for a while
I'll try to smile but can I play the part
Without my heart
Behind the smile
The way I feel for you, I never could disguise
The look of love is written plainly in your eyes
I've seen you'll be mine again
If you could see me now
You would be mine if you could see me now

Lamento, algumas eventuais falhas nas letras, encontradas na Internet, devido à própria improvisação dada pelos seus intérpretes, e muitas vezes de difícil entendimento. (Ricardo Santos)

domingo, 7 de setembro de 2014

Lisboa (XX) – À volta da Praça dos Restauradores

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

A Praça dos Restauradores situa-se em Lisboa e é caracterizada pelo alto obelisco, erigido em 1886, que comemora a libertação do país do domínio espanhol (os Filipes) em 1640. As figuras de bronze do pedestal representam a Vitória, com uma palma e uma coroa, e a Liberdade. Os nomes e datas nos lados do obelisco são os das batalhas da Guerra da Restauração. O Monumento foi custeado por subscrição pública, aberta em Portugal e no Brasil, e gerida por uma comissão sob a presidência do Marquês de Sá da Bandeira. O projecto do monumento é da autoria de António Tomás da Fonseca, e as estátuas alegóricas (Independência e Vitória), da autoria de José Simões de Almeida e Alberto Nunes.
Para além da parte central da praça e do obelisco que lhe dá um ar majestoso, existem alguns edifícios que a marcam pela sua beleza.

Encontramos o Café Palladium da autoria do arquitecto Raúl Tojal. Um café com uma história grande a todos os níveis, lugar de reunião de toda a intelectualidade de Lisboa e que foi adulterado e transformado em Centro Comercial, no século XX.

O Elevador da Glória é um dos poucos elevadores que restam em Lisboa e situa-se na baixa, mais precisamente na Praça dos Restauradores. Faz a ligação entre esta praça e o Bairro Alto, através da Calçada da Glória.

O Palácio Foz ou Palácio Castelo Melhor, concebido no século XVIII, tendo-se arrastado a sua construção até ao século XIX, com um ar liberto já do barroco e mais ao estilo italiano, em voga neste século. Em tempos e muito diferente do que está agora, existia ali um extenso terreno cultivado, as hortas de “Valverde” e da “Cera”, sobre os quais depois de 1755 e do terramoto, deu origem ao “Passeio Público do Rossio”.
Ignora-se o autor do traçado do Palácio Castelo Melhor (Foz), atribuindo o mesmo durante muitos anos a um arquitecto italiano, de nome Francisco Xavier Fabri. Mas Fabri chegou a Lisboa, em 1790, para restaurar a Sé de Faro. O Palácio já tinha iniciado a sua construção há duas décadas. No entanto, Fabri presidiria às obras até à data da sua morte em 1807.
José António Gaspar foi o arquitecto encarregue de construir os interiores e o escultor Leandro Braga fez a decoração. Muitos outros tomaram parte na construção deste exuberante edifício, nomeadamente, Luís Benavente e Rosendo Carvalheira.

O Arquitecto Cassiano Viriato Branco foi o autor do Éden Teatro.
Cassiano Branco (Lisboa, 08-1897 – Lisboa 24-04-1970) - Nasceu  junto aos Restauradores, na freguesia de S. José, filho de Maria de Assumpção Viriato e Cassiano José Branco (pequeno industrial de Alcácer do Sal). Em 1917 casou-se com Maria Elisa Soares Branco. Em 1919 concluiu os exames do antigo Curso Geral de Desenho, preparatórios da sua admissão ao Curso de Arquitectura que conclui em 1926. Mais tarde, em 1958, apoiou a candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República, tendo então sido detido pela PIDE.

Tanto se fala de não se poder alterar fachadas de edifícios antigos considerados obras de arte, mas aqui, no Éden Teatro, não houve essa preocupação e a sua fachada principal foi adulterada.

O Arquitecto José Luís Monteiro é o autor do Hotel Avenida Palace.
José Luís Monteiro (Lisboa, 25-11-1848 - Lisboa, 27-01-1942) - Nasceu na freguesia de São José, em 1848. Estudou na Academia de Belas-Artes, em Lisboa, desde os 12 anos. Anos mais tarde, leccionou nesta instituição, durante 40 anos, a disciplina de Arquitectura Civil; foi seu director em 1912. Após os estudos em Lisboa, Monteiro parte para Paris, em 1873, como bolseiro, onde se forma em arquitectura, na École des Beaux-Arts. É o introdutor do trabalho em ferro forjado, em Portugal. A 1 de Abril de 1880, Monteiro é nomeado arquitecto da Câmara Municipal de Lisboa, durante dois anos.

A acompanhar estas fotos, o tema “And Then I Knew”, de Pat Metheny, do álbum “We Live Here”, de 1994.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Os Festivais das Canções (1992)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Vou andar por aqui a mostrar um pouco da música dos Festivais da Canção, o da RTP e o da Eurovisão. Ouvirão e verão, sempre que haja vídeo no Youtube , os três primeiros lugares de cada um deles.

Euro Festival 1992, em 9 de Maio, Malmö (Suécia).

1º. Linda Martin (17-04-1953) - Why Me ?


2º. Michael Ball (27-06-1962) - One Step Out of Time


3º. Mary Spiteri (25-10-1947) - Little Child


Festival RTP da Canção de 1992, em 7 de Março, no Teatro São Luíz, Lisboa.

1º. Dina (18-06-1956) - Amor d'água fresca


2º. Rita Guerra (22-10-1967) - Meu amor inventado em mim


3º. Nani (??-??-19??) - Eu sou Maria-rapaz

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Duas composições dos álbuns mais vendidos (XIII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

CAN, Shania Twain, “Man! I Feel Like A Woman” e “Come on Over”, Come on Over, 04-11-1997 (EUA), 02-03-1998 (GBR), 23-11-1999 (resto do Mundo), Pop / Country

Editado 04-11-1997, um dos álbuns de maior sucesso de todos os tempos, e por indicação do “Guiness Book of World Records” com vendas de cerca de 40 milhões de unidades.
“Come on Over” é o terceiro álbum de estúdio gravado pela cantora canadiana de “Country”, e foi lançado em 4 de Novembro de 1997. Venceu quatro “Grammy”, dois com a música "You're Still the One" nas categorias "Best Country Song" e "Best Female Country Vocal Performance", em 1999, e ainda outros dois, com as músicas "Come on Over" e "Man! I Feel Like a Woman!" também nas categorias "Best Country Song" e "Best Female Country Vocal Performance", em 2000.

Man! I Feel Like A Woman


Come on Over

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A cabeça - Interacção Humorística (CXXVIII)

Em 11-07-2011. Obrigado.

A cabeça ...

A Canção de Lisboa

“A Canção de Lisboa” filme de José Cottinelli Telmo, de 1933. As suas vedetas mais famosas são: Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva, todos eles protagonistas de “A Canção de Lisboa”. Sendo o restante elenco constituído pelos actores: Alfredo Silva, Ana Maria, Artur Rodrigues, Coralia Escobar, Eduardo Fernandes, Elvira Coutinho, Fernanda Campos, Francisco Costa, Henrique Alves, Ivone Fernandes, José Victor, Júlia da Assunção, Manoel de Oliveira, Manuel Santos Carvalho, Maria Albertina, Maria da Luz, Silvestre Alegrim, Sofia Santos, Teresa Gomes e Zizi Cosme.

Foi um filme que, na época, obteve grande sucesso e êxito do público, não apenas em Portugal, mas também, nos então territórios de Ultramar e Brasil. Esse êxito deveu-se em parte ao carácter tipicamente português das personagens e das situações que permitia a total identificação dos espectadores com o filme. E em parte à introdução de canções que rapidamente se tornaram populares, não só neste filme, mas em todos os outros do género. Por isso, estas comédias são clássicos do cinema português, onde nunca se deixaram de ver e rever até aos dias de hoje. “A Canção de Lisboa” não é apenas pioneiro deste género cinematográfico como também um dos melhores. Por ter sido considerado um objecto de prestígio, o valor dos bilhetes foi mais dispendioso do que o habitual. O sucesso alcançado foi de tal forma retumbante, que as receitas do filme permitiram, inclusive, pagar uma grande parte das instalações da “Tóbis” que se encontravam então em construção.

Para além dos actores, outros grandes nomes da arte portuguesa marcaram a produção deste filme, por exemplo, os cartazes: Nada menos que três foram concebidos por Almada Negreiros. Outra participação enaltecedora deste magnífico filme foi a de Manoel de Oliveira, então no começo da sua carreira cinematográfica, como realizador, aparece neste filme como actor, interpretando Carlos, o melhor amigo do actor principal Vasco Santana.

A Canção de Lisboa, pilar do cinema português, ironicamente não foi realizado por um cineasta, mas sim por um conhecido arquitecto José Cottinelli Telmo, tendo aliás sido o único filme por ele realizado. O uso do espaço em Lisboa, tanto em cenários de estúdio, como em cenários naturais, é característico da sabedoria de um arquitecto. A cena exterior em que Vasco Santana canta o famoso “Fado do Estudante”, por exemplo, foi filmada na esplanada do último piso da “Cervejaria Portugália” na Avenida Almirante Reis, um edifício do começo do século XX. Por todos este motivos A Canção de Lisboa é um clássico e ao mesmo tempo um filme único que ficará para sempre como marco e testemunho da evolução cinematográfica portuguesa.

A cena da alfaitaria com António Silva e Beatriz Costa


O Fado cantado por Vasco Santana


O exame para Doutor com Vasco Santana