A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1931, Rua Infantaria 16, 92-94

Em 1931 foi premiado um edifício situado na Rua de Infantaria 16, 92-94, da autoria dos arquitectos Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970) e António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985) para o pintor Manuel Roque Gameiro. Construção modernista, que não reuniu a unanimidade do júri, sofreu alterações na sua estrutura em 1957, com o acréscimo de dois pisos, que tornaram o edifício premiado irreconhecível.

Destina-se ainda a habitação. O edifício foi adulterado e foram acrescentados dois andares em relação ao projecto original, em 1957. Situa-se em Campo de Ourique, na Rua Infantaria 16, Nº. 92-94.

Como mero “curioso” de arquitectura, lamento não entender como é que um edifício destes, consegue um Prémio Valmor, como distinção. O edifício encontra-se com a “cara lavada” vítima de pintura exterior recente.


Arquitecto António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985):

Natural de Ançã (Coimbra), conclui o curso de Arquitectura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1927, tendo no 3.º e 4.º anos do Curso Especial recebido o prémio só conferido ao aluno com mais de 16 valores em todas as Cadeiras, pelo menos 18 numa e média superior à de todos os mais alunos desse ano. São desta época dois projectos, uma entrada monumental de um Panteão duma grande metrópole e uma campo santo que a revista “Arquitectura”, N.º 11/Ano I/1927 arquivou nas suas páginas.
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Obteve o Prémio Valmor de 1931, conjuntamente com o Arq.º Miguel Simões Jacobety Rosa, pelo edifício construído na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94. Respeitante aos anos de 1942 e 1945, receberia ainda o Prémio Valmor pelos prédios construídos, respectivamente, na Rua da Imprensa, N.ºs 25-25-D e na Av. Sidónio Pais, N.º 14.

Arquitecto Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970):

Natural de Alcobaç, era diplomado em Arquitectura Civil, desde 1926, pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, a cuja Associação Académica pertenceu, e possuía o curso da Escola Normal para o ensino de Desenho Exacto e Construção Arquitectónica. Foi professor provisório da Escola Industrial Marquês de Pombal, no ano lectivo de 1928-29 e agregado efectivo na Escola Industrial Fradesso da Silveira, em Portalegre, de 1929 a 1938.
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Foi autor de várias pousadas na província, entre elas, a de Santa Luzia (Elvas), Santiago do Cacém e São Brás de Alportel.
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Em conjunto com o Arq.º António Maria Veloso dos Reis Camelo obteve o Prémio Valmor de 1931 pela construção do edifício situado na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94.


In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM

Outros acontecimentos nesta década:

Anos 30 – Construção da Alameda Afonso Henriques e Bairro Azul;
1930 – Cinema Eden, do arquitecto Cassiano Branco;
1934 – Casa da Moeda, de Jorge Segurado;
1934 - Hotel Vitória, de Cassiano Branco;
1934 - Elaboração de novo projecto para a criação do Parque Florestal de Monsanto;
1935 – Lisboa estende-se já até Algés, Poço do Bispo, Ajuda, Campolide, Benfica, Carnide, Lumiar e Areeiro.
1937 – Projectos dos bairros de habitação económica da Ajuda da autoria de Paulino Montês;
1937 - Café Portugal, de Cristino da Silva;
1938/40 – Cinema Cinearte, de Rodrigues Lima;
1938/43 – Praça do Areeiro, do arquitecto Luís Cristino da Silva;
1938/43 - Plano “De Gröer”;
1939/45 – Segunda Guerra Mundial.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à sexta fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 13-01-2015 com o Prémio Valmor de 1938, na Avenida de Berna e na Avenida Marquês de Tomar, a Igreja Nossa Senhora Fátima, arquitectada por Porfírio Pardal Monteiro. 

8 comentários:

  1. ~ Parabéns pelo espírito delicado e artístico que te incentivam à partilha dos valores da arquitectura civil lisboeta. Sou uma admiradora gratíssima.

    ~ ~ ~ Beijinho, com votos dum 2015 com bons auspícios de saúde, criatividade e entusiasmo. ~ ~ ~

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    1. Majo sou um acérrimo defensor da beleza, a qual se deve presevar seja em que arte for. Sou pouco viajado, mas das poucas cidades europeias que conheço, existe por parte dos responsáveis a tentativa de preservar as zonas históricas, bem como, as arquitecturas de épocas brilhantes, em termos arquitectónicos.

      Obrigado pela visita e bom ano de 2015 para ti e para os Teus !

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  2. Também gosto de apreciar a Arte das cidades com seus prédios monumentais
    Gostei muito do vídeo .
    Deixei a pausa para te desejar um lindo e Feliz A no Novo
    com abraços

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    1. Lis, um Bom Ano para ti e para os Teus
      Obrigado

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    1. Pedro desejo-te o mesmo aí em terras longínquos de Macau.
      Um abraço

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  4. Feliz Ano Novo, Ricardo!

    Que 2015 te traga tudo aquilo que mais gostares, desejares e precises.:)

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    1. Um Feliz Ano também para ti e para os Teus !
      Obrigado Janita

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.