A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Estórias de Ontem (VI) – Pontapé no Balde

Nem sempre as coisas correm bem, e às vezes damos connosco a passar por situações ridículas e de grande comicidade.

A situação passa-se em trabalho. Uma mudança de um departamento do Cliente do edifício da Avenida José Malhoa, para um andar na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro. Terá ocorrido, se a memória não me falha e o meu Excel não me atraiçoa por Janeiro de 1995 dias 20, 21 e 22, possivelmente dia 22.

A mudança estava no final. As máquinas estavam no seus locais de destino e faltava somente verificar uma a uma, primeiro o “hardware”, depois todo o “software”, redireccioná-las para as impressoras de rede mais próximas, e ir dormir. A mudança durava desde o dia anterior. Embora não fossem muitos equipamentos, no entanto, e como de costume, as coisas tinham-se atrasado em termos de mobiliário, e obviamente, os computadores não podiam ficar no chão.

As senhoras da limpeza que coincidiam muitas vezes com a nossa intervenção de colocar as máquinas e de as verificar, estavam numa azáfama de limpeza. Armários, secretárias, aspirar a alcatifa, etc. O cheiro do produto de limpeza que utilizavam nos armários para retirar sujidade, entrava-nos pelo nariz dentro.

Eu andava de um lado para o outro a ajudar os meus colegas menos experientes e a garantir que no dia seguinte, dia em que eu estaria de manhã muito cedo, a entregar a nossa parte do trabalho aos responsáveis do Cliente, iria correr bem.

A alcatifa era cinzenta escuro com o logotipo do Cliente a vermelho, e a porcaria, para não dizer, a merda do balde, era cinzento também, e muito idêntico à cor da alcatifa.
Ao dobrar, aceleradamente, a esquina num armário, para ir ajudar um colega meu do outro lado da sala, não vi o balde !!! L L...
Um pontapé que fez saltar o mesmo que estava cheio de água e que se entornou, na totalidade, em cima da alcatifa

- Merda  !!! L - disse eu.

- O senhor não viu o que fez ?! – disse a senhora da limpeza, “dona” do balde.

- Deixe estar que eu apanho tudo !!! – disse eu, numa tentativa de querer remediar algo impossível de fazer.

Gargalhada geral de quem estava ao pé.

- Ainda por cima está a gozar comigo !... Apanha o quê ?!!! A água ?!!! – A senhora da limpeza irritadíssima comigo.

Quem não estava ao pé, veio ver o que se passava e ajudou na risada.

A mudança estava a correr tão bem ! L

6 comentários:

  1. Boa tarde, na vida acontece o inesperado, diz um ditado antigo, " os gatos que tem pressa de nascer, nascem cegos" é que a pressa quase sempre é inimiga, bem...penso eu, que tudo se resolveu e tudo ficou bem,
    AG

    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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    1. Tudo se resolveu obviamente. Hoje rio-me da situação cómica, mas na altura fiquei chateado !
      Obrigado António

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  2. Se foi só água... menos mal. Acontece, até aos melhores.
    :)

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  3. 'Presença de espírito' é necessário em casos assim.Ela teve.
    Deu a resposta correta ,só poderia ter sido dito de modo jocoso,imprimindo humor.
    O que não pode faltar nesses ambientes rs
    um abraço Ricardo

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    1. Foi muito cómico sim Lis, e tens muita razão é preciso manter a presença de espírito !
      Obrigado pela visita

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.