A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1915, Avenida Liberdade 216-218

Em 1915 a distinção com o Prémio Valmor já contempla um edifício em altura que se situa na Avenida da Liberdade, Nºs 206-218. O autor do projecto foi o Arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior e o edifício pertencia a Domingos da Silva. Trata-se de um edifício com uma implantação pouco usual com frente para duas ruas paralelas, tendo o júri salientado que a "importante composição e opulência decorativa engrandecem aquela nossa primeira promenade". Necessitando de limpeza, tem actualmente o piso térreo ocupado por um concessionário de automóveis

Encontra-se do lado direito, de quem sobe a Avenida da Liberdade, no sentido, da Praça dos Restauradores para a Praça Marquês de Pombal. Já lhe conheci, como inquilinos, concessionários automóvel, a “FIAT” e a “Mitsubishi”. Neste momento, a marca de moda “Prada” é a inquilina do referido edifício. O prédio foi limpo, depois de 2008, quando das primeiras fotos que fiz.


Arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962):

“Natural de Lisboa, curso a Escola de Belas-Artes desta cidade, onde se formou com distinção. Seguiu depois para Paris, onde, como pensionista do Legado Valmor, frequentou o “atelier” Pascal (1) e satisfez provas que o habilitaram também com o diploma francês. Completou a sua formação com viagens de estudo através da própria França, Bélgica e Espanha, digressões demoradas e atentas, fixadas em muitos aspectos por magníficos desenhos que lhe forneceram elementos e sugestões para a temática decorativa e compositiva da sua obra.
Na década de trinta, desfrutando o apogeu da sua carreira, subscreveu os prédios construídos, na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 100; na Avenida da República, N.º 71; na Avenida Rodrigues Sampaio, N.º 158; na Avenida Ressano Garcia, N.º 24, e os dois prédios da Avenida de Berne, N.º 6 e 8.
Respeitante aos anos de 1905, 1912, 1914, 1915 e 1927, obteve o Prémio Valmor, respectivamente, com os edifícios da Avenida Cinco de Outubro, N.º 6-8, Alameda das Linhas de Torres, N.º 22 (semidemolido, hoje em ruínas, somente com as fachadas em pé!), Avenida Fontes Pereira, N.º 28, Avenida da Liberdade, N.º 206-218, e ainda com o da mesma artéria, N.º 176-180.
Nos anos de 1908 e 1912 foi distinguido com Menções Honrosas do mesmo Prémio, pelos prédios situados, respectivamente, na Avenida da República, N.º 45, tornejando para a Avenida Visconde Valmor (já demolido, em 1949/1950!), e na Praça Duque de Saldanha, N.º 12, tornejando para a Avenida Praia da Vitória, N.º 44, este existente e bem conservado (começa a apresentar sintomas de degradação!).”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM
(1) - Jean-Louis Pascal (04-06-1837 – 17-05-1920) foi um arquitecto francês.

Acontecimentos referentes à década:

1910 – Instauração da República.
1910 (até este ano) - Realiza-se na zona do Campo Grande uma das mais importantes feiras de Lisboa;
1914 – Projecto de monumento ao Marquês de Pombal por F. Santos, A. Couto e A. Bermudes;
1914/18 – Primeira Guerra Mundial;
1919 – Início das obras no Bairro Social do Arco Cego.
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

As 7 primeiras fotos, a seguir à imagem do Google MAP, são de 2008 e as seguintes de 2013.


Próxima publicação dia 30-08-2014 com o Prémio Valmor de 1916, na Rua Rua Tomás Ribeiro 58-60. Foi arquitectado por Miguel José Nogueira Júnior.

8 comentários:

  1. Muito interessante, Ricardo! :)

    Beijinhos Marianos!! :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O País está cheio de arquitectura interessante. Infelizmente poucas pessoas se preocupam com a sua manutenção, mas aqui até nem foi/é o caso, que eu saiba, dado que de 2008 para 2013, nos dois anos que fotografei o edifício, ele foi limpo.
      Obrigado Maria

      Eliminar
  2. Faz-me lembrar os prédios que ficavam em frente do hotel em que fiquei na última vez que estive em Paris.
    Lindíssimo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A arquitectura das escolas europeias é, como deves imaginar toda ela muito idêntica. Os professores, os movimentos e os estilos arquitectónicos eram todos dados igualmente, nas várias faculdades e universidades, ao longo do século XX.
      Obrigado Pedro.

      Eliminar
  3. Muito lindo Ricardo .
    Há de se preservar e salvaguardar dos pichadores que não tem pena de sujar com rabiscos que eles imaginam ser arte _ já grafiteiros é diferente eles sabem onde podem e devem pintar.
    Bonita a arquitetura portuguesa_temos algumas heranças deixadas aqui.
    abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É na realidade muito bonito LIs. Existem muitos assim por aqui. Alguns tenho-os mostrado, porque foram Prémios Valmor. É só seguires a etiqueta (label = Valmor), estão lá 20.
      Obrigado pela visita.

      Eliminar
  4. ~
    ~ ~ ~ L i n d í s s i m o !

    ~ ~ Ótima reportagem.

    ~ ~ ~ Parabéns. ~ ~ ~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Daqui a quatro anos (2018), tentarei voltar a fotografá-los todos. Veremos os que ainda cá estarão, em pé, e em que condições. Acredito que uns três ou quatros ficarão abandonados e poderão ser demolidos em breve (digo eu !).
      Obrigdao Majo

      Eliminar

Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.