A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1913, Avenida António Augusto Aguiar 3

Menção Honrosa a uma moradia unifamiliar, a Casa Pratt, na Avenida António Augusto de Aguiar 3, propriedade de Clementina Pratt e arquitectura de Miguel Ventura Terra. A moradia distinguida com a Menção Honrosa encontra-se bem conservada e é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.

Encontra-se no início da Avenida António Augusto Aguiar, do lado esquerdo, de quem sobe (logo à entrada), da Avenida Fontes Pereira de Melo em direcção à Praça de Espanha. É onde encontra a sede da Ordem dos Engenheiros.

Arquitecto Miguel Ventura Terra:


Prémios Valmor (1903, 1906, 1909, 1911) e Menção Honrosa (1913)

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919):

“Natural da freguesia de São Pedro de Seixas do Minho, iniciou os seus estudos na Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes, que concluiu com a obtenção do diploma de Arquitecto e, em 1886, partiu para Paris, como bolseiro do Governo, após um polémico concurso, reclamado e sanado, onde lhe foi confirmado o primeiro lugar. Nesta cidade, candidatou-se à respectiva Escola de Belas-Artes, tendo ficado entre os cinco primeiros classificados. Discípulo dos notáveis arquitectos Jules André (1) e Victor Laloux (2), durante estes estudos, obteve primeiros prémios, medalhas e menções honrosas que lhe permitiram concorrer à primeira classe dos arquitectos diplomados pelo Governo francês. Em 1895, recebeu o honroso diploma, após defesa de um Projecto do Palácio da Justiça para Lisboa que, entretanto lhe fora encomendado pelo Governo português. Nesse ano foi recebido no “Salon”.
devem-se a Ventura Terra as grandiosas obras do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, continuadas, após a sua morte, pelo Arqº. Manuel Nogueira (1883-1953), e, ainda, em Lisboa, a sinagoga israelita Schaare Tiekwa, da Rua Alexandre Herculano, que substituiu a do Beco dos Apóstolos, à Rua das Flores («A Construção Moderna» N.º 97/Ano IV/1903);
Obteve o Prémio Valmor referente aos Anos de 1903, 1906, 1909 e 1911 com as edificações situadas na Rua Alexandre Herculano, N.º 57-57C, Avenida da República, N.º 38, Rua Marquês da Fronteira, N.º 18-28, e Rua Alexandre Herculano N.º 25. Receberia ainda, respeitante a 1913, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 3-D, onde é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Louis-Jules André ou Jules André é um arquitecto francês, nascido em Paris, a 24-06-1819 e morreu, também em Paris, a 30-01-1890, foi professor de Arquitectura, Prémio de Roma e membro do Instituto de França.

(2) - Victor-Alexandre-Frédéric Laloux (Tours, 15-11-1850 - Paris, 13-07-1937) é um arquitecto francês.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1910 – Instauração da República.
1910 (até este ano) - Realiza-se na zona do Campo Grande uma das mais importantes feiras de Lisboa;
1914 – Projecto de monumento ao Marquês de Pombal por F. Santos, A. Couto e A. Bermudes;
1914/18 – Primeira Guerra Mundial;

1919 – Início das obras no Bairro Social do Arco Cego.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à sétima fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 26-06-2014 com o Prémio Valmor de 1913, na Avenida da República 23, e arquitectada por Miguel José Nogueira Júnior.

8 comentários:

  1. Gostei de saber, Ricardo!

    A primeira década do século XX foi muito profícua a nível de inaugurações arquitectónicas e outros melhoramentos públicos aí na capital.
    As coisas que se aprendem na blogosfera! Especialmente, em blogues como o teu que são quase um serviço público.:)
    Os slides mostram pormenores de grande beleza, mas não consegui perceber se se trata de apenas um edifício nem dizes se foi elaborado com fotos tuas.
    Obrigada por este belo naipe informativo. Gostei muito.
    Um beijo e tem uma boa noite.

    ( o que vale é que amanhã ainda é dia de descanso! :)) )

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    1. É o actual edifício da sede dos Engenheiros.
      Tudo o que existe de fotografia no meu Blogue, quer seja do Prémio Valmor, quer sejam os videos que tenho carregados no Youtube sobre Lisboa ou outros locais, são todos feitos com fotos minhas. Aqui no Prémio Valmor eu tirei fotos dos prémios em 2008 e cinco anos depois (2013), no final do ano passado, voltei a fotografá-los a todos.

      Se existir algo que não seja da minha autoria, digo sempre que nao é meu e de quem é !

      Janita obrigado pelo comentário.

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  2. Mais uma preciosidade.
    Esta em muito bom estado de conservação

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    1. Este edifíio é muito bonito também.
      Obrigado Pedro

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  3. É bonito e parece estar bem conservado.

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    1. Desculpa a ironia, mas acho que sendo ali a sede da Ordem dos Engenheiros tem obrigação de estar preservado. Aliás, hoje, todos os inquilinos e proprietários dos imóveis premiados com o Prémio Valmor deveriam ser obrigados, legalmente, a preservar este património da Arquitectura Portuguesa.

      Luísa obrigado pela tu visita, e desculpa as minhas palavras azedas, mas estou cansado de ver a destruição na cidade onde nasci, a troco de coisas sem valor algum, algumas delas puras imoralidades "arquitectónicas", tais como, o actual edifício onde se encontrava o Teatro Monumental (teatro e dos dois cinemas, Monumental e Satélite). Este é um exemplo de construções autorizadas e executadas, por muitas pessoas que de Lisboetas nada tinham/têm, e somente viam/vêem cifrões e números.

      Obrigado e desculpa mais uma vez !

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  4. Reconheci imediatamente como o edifício da Ordem dos Engenheiros. Nunca tinha reparado na bela estética do edifício, mas nunca é tarde! :)

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    1. Exacto! A nossa cidade é muito bonita, pena estar a ser destruídas aqui e ali !
      Obrigado Teresa

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.