Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

domingo, 9 de março de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1908, Avenida Almirante Reis 2-2K

Em 1908 premiou-se, pela primeira vez, um edifício de rendimento cujo piso térreo era ocupado por estabelecimentos comerciais. Edifício de gaveto, localiza-se na Avenida Almirante Reis 2-2K, propriedade de Guilherme Augusto Coelho com projecto de Arnaldo R. Adães Bermudes (1864-1948). De destacar a decoração em motivos Arte Nova, com elementos em ferro forjado e painéis de azulejo, e ainda a cúpula que remata o edifício.
Actualmente um pouco degradado, mantém a função original.

Encontra-se na Avenida Almirante Reis do lado esquerdo quem desce, da Praça do Chile, em direcção à Rua da Palma e/ou à Praça Martim Moniz, faz esquina com o Largo do Intendente Pina Manique, no Intendente, em plena zona de prostituição de rua, agora mais escassa.

Arquitecto Arnaldo Adães Bermudes (1864-1948):

Prémios Valmor 1908 e Menção Honrosa 1909

“Natural do Porto, formou-se em Arquitectura (1885) pela Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes e um ano depois, subvencionado pelos organismos comerciais da Cidade Invicta, foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo fora do país. Regressado a Portugal, entrou num concurso aberto em 1888, pela Academia de Belas-Artes de Lisboa, para bolseiros no estrangeiro e alcançou a primeira classificação. Durante cinco anos frequentou a Escola de Belas-Artes de Paris e com o melhor proveito, as classes particulares de Paul Blondel (1). Um dos seus trabalhos de grande composição, então ali feitos, levado ao “Salon” de 1893, mereceu elogiosa crítica.
Foi o primeiro classificado, com o Arq.º António Couto Abreu (1874-1946) e o escultor Francisco dos Santos (1878-1930), no Monumento ao Marquês de Pombal, após concursos de polémica violentíssima, onde viria a prevalecer o projecto desta equipa, aquele que se ergue na Rotunda.
Obteve o Prémio Valmor de 1908 pelo edifício construído no gaveto da Avenida Almirante Reis, 2-2K para o Largo do Intendente, 1 a 10. Receberia também, respeitante a 1909, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Rua do Sacramento à Lapa, N.º 34-38, ainda hoje existente, embora com alterações (Primitivo projecto na «Construção Moderna» N.º 214/Ano VII/1906 e fotografia na «Architectura Portugueza», N.º 12/Ano II/Dez. 1909).”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM

(1) – Paul Blondel (1847-1897) foi um arquiteto francês, Grande Prémio de Roma em 1876. Frequentou a Escola de Belas-Artes, oficina “Daumet” em 1864, tornou-se professor de oficina na Escola de Belas-Artes em 1880. Primeiro Presidente de Arquitectura, da Escola Nacional de Artes Decorativas e Inspector-Geral dos Edifícios diocesanos.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

As dez primeiras fotos, a seguir à imagem do Google MAP, são de 2008 e as seguintes de 2013.


Próxima publicação dia 23-03-2014 com a Menção Honrosa de 1909, na Rua Sacramento à Lapa 34-38, e arquitectada por Arnaldo Adães Bermudes.

8 comentários:

  1. Estes edifícios "Prémios Valmor" são todos eles lindíssimos ! Estranho, é a inconstância (no tempo) da sua atribuição ! (???) ... Acho que deveria ser em períodos de tempo regulares !
    Claro que os "estilos" vão mudando, mas podemos encontrar beleza numa construção em qualquer década !
    A tua apresentação está como sempre magnífica !

    Abraço !
    .

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    1. Os edifícios são bonitos sim, mas ainda vou mostrar um que está praticamente no "chão", restam as fachadas principais de pé :((( e um que nem sei como é que ganhou o "Prémio Valmor".
      Esta minha mostra é somente desde que o PV nasceu, em 1902, até 1943.
      Depois disso há mais, obviamente. Teoricamente o prémio era/é anual, mas houve intervalos que desconheço o motivo que levou a não acontecer Valmor. Possivelmente falta de verbas, ou alguns anos falhas relacionadas com a II Guerra Mundial, não sei (???)
      A minha mostra é superficial, embora me tenha baseado em Literatura que pesquisei (http://opactoportugues.blogspot.fr/2013/11/o-premio-valmor-visconde-valmor-fausto.html). Vê aqui no primeiro artigo que deu início às minhas publicações. Existe o link da Câmara Municipal de LIsboa e um, do GEO (Gabinete de Estudos Olissiponenses), que visitei e onde fui e com a ajuda de uma técnica, do referido organismo, colectei o básico para fazer estas publicações.
      Penso que no Porto existe idêntico "Prémio". Seria muito bom se eu pudesse ir fazê-lo, aí acima, muito interessante mesmo. Sou um cidadão português, embora lisboeta, tenho alguns amigos no Norte, e recentemente adquiri aqui no Blogue, outros.
      Um abraço Rui obrigado pelos comentários

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  2. Lindíssimo, Ricardo!
    Aquele abraço e votos de boa semana!

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    1. São na realidade edifícios com história !
      Obrigado Pedro

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  3. Gostei de ler este interessante artigo sobre os edifícios "Prémios Valmor" que são todos muito bonitos.

    Interessante é também a tua resposta ao Rui.

    Abraço com os votos de uma semana fabulosa!

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    1. Maioritariamente são todos muito bonitos, mas vão aparecer uns três ou quatro mais comuns.
      Obrigado pela tua visita Teresa

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  4. ~ Um belo prédio, marcante, com um traçado harmonioso e romântico, que merece ser tratado como uma jóia da história da arquitetura, em Portugal.
    ~ A galeria de imagens está muito elucidativa. Uma boa partilha.

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    1. É na verdade um pedaço de história da arquitectura de Arnaldo Adães Bermudes. Mas dele ainda iremos ver uma menção honrosa. Precisamente na próxima publicação, e da qual, infelizmente, tenho muito poucas fotos. Depois explicarei o porquê.
      Obrigado Maria José

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.