Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1906, Avenida República 36-38

Casa Visconde de Valmor, ex-Clube dos Empresários

Encontra-se do lado direito da Avenida da República, para quem vai da Praça Duque de Saldanha, em direcção a Entrecampos, na esquina da faixa lateral direita da Avenida da República e a Avenida Visconde de Valmor, cerca de dois quarteirões antes da Praça de Touros do Campo Pequeno. Actualmente encontra-se à venda.

Arquitecto Miguel Ventura Terra:


Prémios Valmor (1903, 1906, 1909, 1911) e Menção Honrosa (1913)

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919):

“Natural da freguesia de São Pedro de Seixas do Minho, iniciou os seus estudos na Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes, que concluiu com a obtenção do diploma de Arquitecto e, em 1886, partiu para Paris, como bolseiro do Governo, após um polémico concurso, reclamado e sanado, onde lhe foi confirmado o primeiro lugar. Nesta cidade, candidatou-se à respectiva Escola de Belas-Artes, tendo ficado entre os cinco primeiros classificados. Discípulo dos notáveis arquitectos Jules André (1) e Victor Laloux (2), durante estes estudos, obteve primeiros prémios, medalhas e menções honrosas que lhe permitiram concorrer à primeira classe dos arquitectos diplomados pelo Governo francês. Em 1895, recebeu o honroso diploma, após defesa de um Projecto do Palácio da Justiça para Lisboa que, entretanto lhe fora encomendado pelo Governo português. Nesse ano foi recebido no “Salon”.
devem-se a Ventura Terra as grandiosas obras do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, continuadas, após a sua morte, pelo Arqº. Manuel Nogueira (1883-1953), e, ainda, em Lisboa, a sinagoga israelita Schaare Tiekwa, da Rua Alexandre Herculano, que substituiu a do Beco dos Apóstolos, à Rua das Flores («A Construção Moderna» N.º 97/Ano IV/1903);
Obteve o Prémio Valmor referente aos Anos de 1903, 1906, 1909 e 1911 com as edificações situadas na Rua Alexandre Herculano, N.º 57-57C, Avenida da República, N.º 38, Rua Marquês da Fronteira, N.º 18-28, e Rua Alexandre Herculano N.º 25. Receberia ainda, respeitante a 1913, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 3-D, onde é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Louis-Jules André ou Jules André é um arquitecto francês, nascido em Paris, a 24-06-1819 e morreu, também em Paris, a 30-01-1890, foi professor de Arquitectura, Prémio de Roma e membro do Instituto de França.

(2) - Victor-Alexandre-Frédéric Laloux (Tours, 15-11-1850 - Paris, 13-07-1937) é um arquitecto francês.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

As dez primeiras fotos, a seguir à imagem do Google MAP, são de 2008 e as seguintes de 2013.



Próxima publicação dia 10-03-2014 com o Prémio Valmor de 1908, na Avenida Avenida Almirante Reis 2, e arquitectada por Arnaldo Adães Bermudes.

10 comentários:


  1. Este edifício é lindíssimo! Tem pormenores muito românticos.
    E as palmeiras, se até dão um ar imponente à propriedade, estão a embaraçar as vistas!


    Um beijinho
    (^^)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esse edifício é um dos Prémios Valmor mais bonitos !
      Obrigado Afrodite

      Eliminar
  2. Prédio lindíssimo e belíssimas fotos, Ricardo !
    Hoje em dia creio ser praticamente impossível fazer prédios deste tipo ! :(( ...

    Abraço !
    .

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O prédio é maravilhoso sim. A ideia seria que preservassem os que existem e não destruam a história das nossas cidades, sejam elas quais forem !
      Obrigado Rui

      Eliminar
  3. Preservação.
    Quantas vezes ouço isso por aqui, Ricardo!
    Umas vezes, para dizer qualquer coisa.
    Outras, justiça seja feita, para realmente cuidar de uma património único.
    Aquele abraço e votos de boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De boas vontades está o Mundo cheio, mas infelizmente isso não chega- É preciso fazer e não falar.
      Obrigado Pedro

      Eliminar
  4. Boa tarde,
    Portugal é rico em belas arquiteturas que são destruídas, em sua substituição levantam em cimento armado um edifício de linhas direita que mais parecem caixotos, primeiro de que tudo está os lucros económicos e o resto que se lixe.
    Abraço
    ag

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Conheço muito pouco da Europa e do Mundo, mas por exemplo em Paris, as zonas históricas da cidade são preservadas e mantidas tal qual como são. Infelizmente, aqui, não tem havido muito respeito pela cultura, nesse caso pela cultura arquitectónica.
      Obrigado António

      Eliminar
  5. Ainda há poucos dias passei por lá e espantei-me de ver o edifício com um ar tão abandonado. Talvez devido ao rasgão no toldo que diz restaurante...

    Mas concordo que é um edifício lindíssimo, que tive oportunidade de visitar por dentro em tempos. É uma pena se não o aproveitam para outro uso.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Teresa
      Lisboeta de Clara, como me chamo, porque nasci no Hospital de São José, não na Maternidade Alfredo da Costa, cada vez me entristece mais de quem conduz esta política camarária que pouco se preocupa com a parte arquitectónica de uma cidade com centenas de anos e com um País onde a beleza das pedras está espalhada e vê-se por todos os lados.
      Lisboa têm-na destruído a pouco e pouco, a bem não sei de quê !
      Estive uma vez para lá ir almoçar, por volta de 1980 e tal, na altura acho que teria de perder amor a 5.000$00 !
      Por fora e eu conheço, pelo exterior, todos os Prémios Valmor, desde o seu início até 1949. Já os fotografei todos em 2008 e o ano passado fiz a segunda volta, com um pouco mais de detalhe, este é um dos mais bonitos e dói muito ver o abandono a que está a ficar ! :((
      Já agora um que não é Valmor, mas que fica perto e se passares por lá, já tem tapumes nas janelas e nas portas. Faz esquina com a Praça Duque de Saldanha e a Avenida da República, do lado direito, quem chega ao Saldanha. Penso que foi sede de campanha do Mário Soares, aqui há uns anos, numas eleições presidenciais. E acho que esse vai ao chão, para mais um sobressalto do Duque de Saldanha, rodeado de vidro por quase todos os lados. Resta aí na Praça, um Valmor que não está à venda, mas que também se está a deteriorar muito rapidamente, o Nº 12. um prédio azul de esquina.
      Já me estou a alongar, mas como Lisboeta, vejo-me cada vez mais sem terra de origem e a que tenho a ser cada vez mais destruída ! :(((

      Eliminar

Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.