A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1904, Avenida Liberdade 166 - Casa Lambertini


Situa-se na Avenida da Liberdade, no percurso ascendente (lado direito), para quem vai da Praça dos Restauradores para a Praça Marquês de Pombal. Dois dos actuais inquilinos são, a “ADIPA” (Associação Distribuidores Produtos Alimentares) e a “Chiado Editora”.

Menção Honrosa, Ano de 1904. Em 1904 o júri decidiu não atribuir o Prémio Valmor, por considerar que «nenhum dos prédios concluídos em Lisboa durante o ano findo reúne o conjunto de condições artísticas essenciais para ser classificado em mérito absoluto», propondo apenas duas Menções Honrosas.
Uma delas, a “Casa Lambertini”, cujo proprietário Michelangelo Lambertini exprimiu a sua revolta apelando mesmo à Câmara no sentido desta anular a decisão, localiza-se na Avenida da Liberdade, 166-168, tendo por arquitecto Nicola Bigaglia, já anteriormente distinguido, no Prémio Valmor de 1902.
Edifício concebido para cumprir as condições do testamento do Visconde, inspira-se na Renascença Veneziana, o estilo Lombardesco, com uma decoração em mosaicos, executados em Veneza, inspirada na Igreja de São Marcos. Actualmente em bom estado de conservação, destina-se a habitação e escritórios.

Arquitecto Nicola Bigaglia (1841-1908):

“De nacionalidade italiana, nascido em Veneza, veio para Portugal em 1888, na mesma época em que outros artistas  de valor foram contratados pelo Governo português, como professores das Escolas Industriais, criadas por António de Augusto Aguiar e por Emídio Navarro.
Além de arquitecto, Bigaglia, foi um aguarelista distinto, um modelador de grandes recursos e um desenhador primoroso. A sua obra está dispersa por vários pontos do nosso território, muito embora fosse em Lisboa onde ela ficou mais representada. Conhecia a fundo a arte da decoração, sendo-lhe familiares os estilos clássicos, não só de arquitectura, como também do mobiliário, da tapeçaria, etc. Regeu, durante anos, a cadeira de Modelação Ornamental, na Escola Afonso Domingues, em Xabregas, após magistério na escola Industrial de Leiria,
De entre as obras que se ficaram a dever à presença de Nicola Bigaglia em Lisboa, são conhecidas ou referidas pelas publicações da época, as seguintes: o palácio e parque de José Pinto Leitão, na Rua Marquês da Fronteira, Nº.14-16; as residências de Michel Angelo Lambertini, na Avenida da Liberdade, Nº. 166 (Menção Honrosa do Prémios Valmor em 1904), e do Dr. Gama Pinto, na Rua das Taipas, Nº.16-20; os palacetes do Conde Burnay, na Rua da Junqueira, Nº.86, do Dr. António Caetano, na Rua de Santo António dos Capuchos, Nº. 1, e do Dr. Alfredo da Cunha, no Largo de São Vicente, Nº.5, etc.
Nos finais de 1907, princípios de 1908, Nicola Bigaglia, retira-se para Veneza, onde faleceu em 8 de Outubro.
Obteve o Prémio Valmor de 1902, com o edifício construído, na Avenida da Liberdade, tornejando para a Rua do Salitre, Nº.1-3, onde é hoje a Chancelaria da Embaixada de Espanha.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

Acontecimentos referentes à década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

As seis primeiras fotos, a seguir à imagem do Google MAP, são de 2008 e as seguintes de 2013.


Próxima publicação dia 23-01-2014 com a segunda Menção Honrosa de 1904, na Avenida da Liberdade 262-264, e arquitectado por Jorge Pereira Leite.

8 comentários:

  1. Deixei algo no blogue que lhe será familiar :)))

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  2. Uma escrupulosa e excelente reportagen fotográfica.
    Fico sempre triste ao constatar a falta de zelo artístico na preservação do património arquitetónico.
    A ligeireza profissional que preside à colocação dos sinais de trânsito e a indiferença dos locatários por essas incorreções.
    Tem um bom dia, Ricardo.

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    1. O que dizes é bem verdade, é um problema grave esta falta de respeito pela cultura a todos os níveis. Mas olha eu acho que nós todos somos um pouco culpados. Nem todos somos assim, mas hoje liga-se muito a coisas muito más e sem interesse cultural algum. Ligamos muito ao mediatismo, notícias, cusquices e banalidades que não trazem ou acrescentam nada ao nosso saber e à comunidade onde vivémos.
      Obrigado Maria José

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  3. Gosto imenso desta tua rubrica porque conheço pouco da nossa capital e gostava de conhecer mais.
    Vou menos vezes a Lisboa do que o Rei faz anos... mas acho que a partir de agora quando lá puder regressar, vou passar a andar ainda mais com o nariz no ar! :)))


    Beijinhos Valmorados
    (^^)



    ps: o tema (e o vídeo) que tens estes dias no cineascope é um colosso!
    Normalmente gosto mais das versões de estúdio, mas este "Gravity" ao vivo em LA ficou uma delícia.

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    1. Se passares em Lisboa, posso servir de cicerone e dar-te a conhecer os recantos bonitos da cidade.

      Esta versão do tema "Gravity" do John Mayer é muito boa. Mas também gosto, normalmente, muito mais das versões de estúdio.

      Obrigado Afrodite

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  4. Há edifícios tão bonitos em Lisboa. Muitos a precisar de intervenção...

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    1. Luísa
      Há muita arquitectura maravilhosa, por este milenar País fora. Tanta coisa que eu vi e já se perdeu e outra que felizmente alguém deitou a mão.
      Obrigado

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.