Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Prémio Valmor, Ano de 1903, Rua Alexandre Herculano 57-57C

Praticamente já em pleno Largo do Rato, encontra-se do lado esquerdo quem vai da Avenida da Liberdade em direcção ao Largo do Rato.

O Prémio Valmor de 1903 foi legado pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, às Escolas de Belas Artes de Lisboa e Porto. Nela faleceu Ventura Terra, em 30 de Abril de 1919, que destinou o seu rendimento líquido para pensões a estudantes pobres das duas escolas que mostrem decidida vocação para as belas artes (placa inscrita no primeiro andar, na parte central do edifício).

Arquitecto Miguel Ventura Terra:


Prémios Valmor (1903, 1906, 1909, 1911) e Menção Honrosa (1913)

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919):

“Natural da freguesia de São Pedro de Seixas do Minho, iniciou os seus estudos na Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes, que concluiu com a obtenção do diploma de Arquitecto e, em 1886, partiu para Paris, como bolseiro do Governo, após um polémico concurso, reclamado e sanado, onde lhe foi confirmado o primeiro lugar. Nesta cidade, candidatou-se à respectiva Escola de Belas-Artes, tendo ficado entre os cinco primeiros classificados. Discípulo dos notáveis arquitectos Jules André (1) e Victor Laloux (2), durante estes estudos, obteve primeiros prémios, medalhas e menções honrosas que lhe permitiram concorrer à primeira classe dos arquitectos diplomados pelo Governo francês. Em 1895, recebeu o honroso diploma, após defesa de um Projecto do Palácio da Justiça para Lisboa que, entretanto lhe fora encomendado pelo Governo português. Nesse ano foi recebido no “Salon”.
devem-se a Ventura Terra as grandiosas obras do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, continuadas, após a sua morte, pelo Arqº. Manuel Nogueira (1883-1953), e, ainda, em Lisboa, a sinagoga israelita Schaare Tiekwa, da Rua Alexandre Herculano, que substituiu a do Beco dos Apóstolos, à Rua das Flores («A Construção Moderna» N.º 97/Ano IV/1903);
Obteve o Prémio Valmor referente aos Anos de 1903, 1906, 1909 e 1911 com as edificações situadas na Rua Alexandre Herculano, N.º 57-57C, Avenida da República, N.º 38, Rua Marquês da Fronteira, N.º 18-28, e Rua Alexandre Herculano N.º 25. Receberia ainda, respeitante a 1913, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 3-D, onde é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Louis-Jules André ou Jules André é um arquitecto francês, nascido em Paris, a 24-06-1819 e morreu, também em Paris, a 30-01-1890, foi professor de Arquitectura, Prémio de Roma e membro do Instituto de França.

(2) - Victor-Alexandre-Frédéric Laloux (Tours, 15-11-1850 - Paris, 13-07-1937) é um arquitecto francês.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

As nove primeiras fotos, a seguir à imagem do Google MAP, são de 2008 e as seguintes de 2013.


Próxima publicação dia 01-01-2014 com a primeira Menção Honrosa de 1904, na Avenida Liberdade 166, e arquitectada por Nicola Bigaglia.

8 comentários:

  1. Foi uma época gloriosa para arquitetura portuguesa, a construção nas " avenidas novas ", como eram designadas na época, as vias referidas.
    Adoro casas com estilo. É um dos meus prazeres quando passeio em Lisboa, admirar belos edifícios antigos, na maioria bem conservados. Infelizmente não é o caso deste, e os exemplos confirmam a regra: por vezes, o estado português revela-se completamente insensível ao seu património, neste caso, arqutetónico.
    Um prédio notável, representativo de uma época, com uma tristíssima valorização.

    Ricardo, congratulo-me pela denúncia desta situação.

    PS. E lá tenho eu a nota do teu Pacto, mesmo por cima deste comentário, parecendo dizer que não sou bem vinda! Está bem, eu acredito que não é o caso; mas que parece, isso parece!


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    1. Vão passar por aqui edifícios que são autênticas obras de arte, feitos com amor e carinho. Penso que todos vão gostar. A mim deu-me um gozo imenso fotografá-los em 2008 e novamente agora em 2013.
      Os portugueses têm imensa dificuldade em conseguir fazer dinheiro/comercializar arte, torná-la rentável para que os imensos olhos dos cidadãos de todo o Mundo, a possam apreciar. Tenho pena disso !
      Obrigado Maria José

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    2. Alterei a nota que se encontra no topo de quem me escreve. Penso estar mais tolerante !
      Assim acho que vou evitar de te ouvir sempre o teu comentário, no entanto, fico-me por aqui !!!

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    3. Está bem, Ricardo, "Pacto" definitivamente à parte, fiquemos leais Amigos.

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  2. Uma belíssima "reportagem" caro Ricardo ! ... Há realmente prédio lindíssimos premiados. É uma pena nem todos estarem bem conservados ! Desconhecia a importância deste Miguel Ventura Terra, na Arquitectura e em prole dela !
    .

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    1. Vão vir mais bonitas, não só pelos edifícios nelas consagrados, mas também porque as fotos saíram melhor. Eu nem tenho tripé e a máquina é segura na mão encostado às vezes a uma parede, a um candeeiro ou a um sinal. No entanto, como disse e reafirmo "Sou um amador !"
      O Ventura Terra começou o Monte de Santa Luzia em Viana do Castelo !
      Obrigado Rui

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  3. Andamos mesmo distraídos e por vezes nem damos conta da beleza destes edifícios. Belas fotos! :)

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    1. Quem está em Lisboa deve aproveitar e olhar em algumas ruas da Baixa Lisboeta, os prédios maravilhosos que por lá existem.
      Obrigado Teresa

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.