A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Prémios Valmor Demolidos (II)

Prémio Valmor, Ano de 1907      
         
Em 1907 foi a vez de uma moradia, a chamada Casa Empis, na Avenida Duque de Loulé N.º 77, propriedade de Ernesto Empis e arquitectura de António Couto de Abreu (1874-1946). Edificado em estilo Francisco I, inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers. Foi o primeiro edifício premiado com Valmor a ser demolido, em 1954.         
           
Prémio Valmor, Ano de 1908        
            
Houve também uma Menção Honrosa, em 1908, atribuída a um prédio na Avenida da República, N.º 36, propriedade de Henrique Pereira Barreiros e arquitetura de Manuel Norte Júnior. Foi demolido nos anos 1949-1950.        
             
Prémio Valmor, Ano de 1909        
             
Menção Honrosa, o edifício da Avenida Duque de Loulé, N.º 72-74, da autoria de Adolfo A. Marques da Silva (1876-1939) para Fortunato Jorge Guimarães, teve um destino semelhante. Demolido em 1965.           
                
Prémio Valmor, Ano de 1909          
            
Menção Honrosa, o edifício da Rua Tomás Ribeiro, N.º 4-6, com projecto do arquitecto António C. Abreu, propriedade de João António Marques Sena foi demolido em 1954.      
           
Prémio Valmor, Ano de 1910        
               
Em 1910 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação, sito na Avenida Fontes Pereira de Melo, N.º 30. O autor do projecto foi o arquitecto Ernesto Korrodi (1870-1944), suíço naturalizado português. O edifício pertencia a António Macieira. Este edifício reflectia um certo gosto provinciano com a sua entrada abrindo para um estreito corredor lateral. Demolido em 1961 e no seu lugar foi erigido, o Teatro Villaret.          
              
Prémio Valmor, Ano de 1914           
              
Ainda em 1914 foram distinguidas mais três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projectos idealizados por não arquitectos e cujos edifícios já foram demolidos. Referimo-nos a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7 e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa. Os seus autores foram o "condutor de obras públicas" António da Silva Júnior e o "desenhador" Rafael Duarte de Melo, respectivamente.            
               
Prémio Valmor, Ano de 1919           
             
O Prémio Valmor, desse ano, foi mais uma vez foi atribuído a uma moradia unifamiliar, situada na Avenida Duque de Loulé, N.º 47, que pertencia a Alfredo May de Oliveira com projecto do arquitecto Álvaro Machado.
Esta moradia possuía três pisos de linhas sóbrias e era uma obra de estrutura essencialmente urbana. Demolida em 1961.             
             
Prémio Valmor, Ano de 1928             
           
Coube ao Palacete Vale Flor, na Calçada de Santo Amaro, N.º 83-85, projectado pelo arquitecto Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária. Era uma habitação isolada de estrutura ainda bastante clássica. O júri recomendou a moradia com jardim como um “modelo de um género de construções que muito conviria desenvolver nas encostas de Lisboa, para interromper com manchas de verdura a monotonia do casario banal e para multiplicar os terraços de onde se possam desfrutar os incomparáveis panoramas da cidade”. Foi demolido em 1953.         
            
Prémio Valmor, Ano de 1930              
               
O primeiro Prémio Valmor atribuído nesta década, em 1930, coube a uma moradia na Rua Castilho, N.º 64-66, um projecto do arquitecto Raúl Lino da Silva (1879-1974) para Sacadura Cabral, que não viria a ocupá-la, tendo sido vendida nesse mesmo ano a Manuel Duarte. Esta moradia reflectia as preocupações do arquitecto com a temática da “casa portuguesa”, sobre a qual se debruçou durante vários anos, traduzidos nas formas arquitectónicas portuguesas tradicionais, com jardim circundante e o uso de elementos característicos como o alpendre, os beirais, as cantarias e o azulejo. Demolida em 1982, as cantarias, colunas e portões foram posteriormente utilizados na construção do Pátio Alfacinha.
Nesse ano foi também atribuída uma Menção Honrosa a um edifício de habitação, na Avenida da República, N.º 54, com projecto de Porfírio Pardal Monteiro (1879-1957) para Isidoro Sampaio de Oliveira. Edifício de características modernistas. Foi demolido em 1962.   

Terminologia: MH = Menção Honrosa e PV = Prémio Valmor
As fotos constam no sitio da Câmara Municipal de Lisboa.        
                


Próxima publicação dia 4-12-2013 (e partir daqui já com fotos minhas), com o Prémio Valmor de 1902, no gaveto da Avenida Liberdade com a Rua do Salitre 1-3, e arquitectado por Nicola Bigaglia.

4 comentários:

  1. Não demolir, mas não deixar respirar, viver, não é também criminoso?
    Aquele abraço!!

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    1. Estamos absolutamente de acordo, O Homem vai ter muito brevemente de repensar o que é a sociedade e o que ela deve representar para a população mundial que somos todos nós. Podemos viver todos com pouco, repartir riqueza e viver todos condignamente sem nos atropelarmos e fazermos a "vida negra" uns aos outros.
      Obrigado Pedro

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  2. Um tema muito interessante e que eu muito prezo.

    Uma bela galeria, com a triste lembraça dos ausentes.

    Temos feito alguns progressos em relação à proteção dos chamados: "edifícios de interesse público"...

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  3. Penso que se têm feito muito pouco em relação a edifícios que marcam uma época arquitectónica. E tenho algumas provas fotográficas disso. Continuo a achar que a classe empresarial e política é extremamente inculta, e por isso, pecamos no campo cultural a todos os níveis.
    Obrigado Maria José

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.