Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Prémio Valmor (Visconde Valmor – Fausto Queiroz Guedes) (I)

Busto, em bronze, do Visconde de Valmor, da autoria do escultor Teixeira Lopes, datada de 1904         
       
 O Prémio Valmor vai andar por aqui uns meses a partir de 30 de Novembro. Estas novas publicações serão em parte uma reposição das publicadas no meu anterior Blogue “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” (eliminado!). Elas foram todas reescritas, com o material da nova pesquisa feita, principalmente, no que respeita às biografias dos arquitectos.
Relativamente à fotografia existirão além das tiradas anteriormente (2008), as novas (2013). Exceptuam-se dois Prémios Valmor que vou evitar fotografar porque têm guarda policial e já deu para perceber, que desta vez sem autorização não conseguirei “bater” novas fotos.
A publicação será quinzenal, e será publicitada no meu “mail/newsletter”.
A etiqueta de pesquisa será “Valmor” e ainda uma outra etiqueta que estará associada ao local geográfico desse Prémio Valmor. Exemplo: Os da Avenida da Liberdade (6) terão além da etiqueta mencionada anteriormente, uma outra, “PVLiberdade”, isto é, PV = Prémio Valmor, Liberdade = edifícios situados nesta Avenida.           
              
Palavras minhas                
            
           Porquê deixar destruir Lisboa? Ela está hoje e cada vez mais, uma cidade descaracterizada arquitectonicamente. Será que isto é um mal das cidades que são a capital? Duvido! Conheço muito pouco do estrangeiro, mas sei que em muitos países europeus e por esse Mundo, se preservam as zonas mais antigas, das urbes principais. Tristemente, como país europeu que queremos ser e que somos geograficamente, não adoptámos essa conduta cultural.
           Percebo muito pouco de arquitectura, tirando aquilo que aprendi na escola, em disciplinas como a História e o Desenho. Lembro-me do gótico, do barroco, do romano, e lembro-me da oval, da ogiva, do arco querena, da elipse, da hipérbole e da parábola. Apesar de ser leigo neste assunto, decidi investigar um pouco mais sobre o dito prémio e que melhor meio para o fazer e mostrar, do que a fotografia. Por isto tudo e durante alguns meses, no meu blogue “O Pacto Português”, mostrar-vos-ei, através da fotografia, um pouco do que se fez em termos arquitectónicos, nos primeiros 40 anos do século XX, e o que vai restando de alguma daquela arquitectura, que a sociedade moderna ainda não destruiu, na nossa maravilhosa capital que é a cidade de Olisipo.
            O meu trabalho será centrado, unicamente, entre os anos 1902 e 1943, das obras premiadas com o Prémio Valmor. Nesse intervalo de anos, foram premiadas 40 construções, entre 28 prémios Valmor e 12 menções honrosas. Dessas 40 premiadas, 11 já foram demolidas, 2 estão para venda, neste momento, e ainda 1, que se encontra em ruínas. Também nesses quarenta e um anos, existiram uma dezena de anos, nos quais não foram atribuídos prémios ou menções honrosas.
            Não vou chamar a atenção para toda a arquitectura premiada e ainda existente. Ficará nesta mostra, algo mais para descobrirem, “in loco”, se o quiserem fazer, parando e olhando com um olho mais clínico para estas obras de arte. Elas estão aí espalhadas pela metrópole mais ocidental da Europa e se calhar valerá a pena ir vê-las, enquanto estão de pé. Possivelmente, mais dia, menos dia, o dinheiro e o “poder” encarregar-se-ão de deitar abaixo as que faltam. Depois restarão somente os registos fotográficos e cinematográficos.
“…O dinheiro não compra tudo!”, mas infelizmente, muitos de nós, estamos convencidos do contrário.        
             
Breve História       
          
“…Instituído há mais de um século, o Prémio Valmor surge na sequência de indicações deixadas no testamento do segundo e último visconde de Valmor, Fausto Queiroz Guedes, diplomata, político, membro do Partido Progressista, par do reino, governador civil de Lisboa e grande apreciador de belas artes.
            Falecido em França em 1878, segundo o seu testamento, uma determinada quantia de dinheiro era doada à cidade de Lisboa de modo a criar-se um fundo. Este passaria a constituir um prémio a ser distribuído em partes iguais ao proprietário e ao arquitecto autor do projecto da mais bela casa ou prédio edificado.
            Surge assim, com o nome do seu instituidor, o Prémio Valmor de Arquitectura, cuja atribuição era da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, ficando esta sob fiscalização do Asilo de Mendicidade de Lisboa. A Câmara elaborou então um regulamento segundo o qual seria anualmente nomeado um júri de três membros, todos arquitectos, que avaliariam as várias edificações.
            Adaptando-se a mudanças, quer de mentalidade, quer no modo de fazer arquitectura, quer ainda a nível de regulamento, é um dos mais prestigiados prémios de arquitectura em Portugal.
            O Prémio Valmor continua a ser sinónimo de uma certa qualidade arquitectónica que reflecte, tanto pelos bons como pelos maus exemplos, os gostos dominantes das diferentes épocas…          
          
Bibliografia e Agradecimentos         
         
“Link” Prémios Valmor – CML (Câmara Municipal de Lisboa): http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/premios/premio-valmor-e-municipal-de-arquitetura. O “link” atrás citado serviu de base, para colectar e situar o básico dos Prémios Valmor. A restante documentação, tal como, biografia dos arquitectos, etc., foi recolhida no GEO (Gabinete de Estudos Olisiponenses, http://geo.cm-lisboa.pt/). Uma palavra de agradecimento à Dr.ª. Manuela Canedo que me ajudou na consolidação da documentação que era necessária para o trabalho que eu pretendia executar.    
    
Agradecimentos aos Bibliotecários:        
         
Fátima Coelho, da OASRS (Ordem dos Arquitectos Secção Regional Sul), que me indicou literatura disponível na Biblioteca Nacional, para consulta e que, também ajudou neste trabalho.  
 
Madalena Marques Sousa, Zélia de Sousa e Castro, Luís de França e Sá, e ainda Carlos Manuel da Graça Vences da Biblioteca Nacional de Portugal.       
      
            As publicações Prémio Valmor começam, hoje dia 27-11-2013. Abrimos com a Introdução (aqui atrás) e de seguida as construções já demolidas.
              Espero que gostem !!!

4 comentários:

  1. Boa noite,
    Encantado pela sua pesquisa, nada percebo de arquitetura, não perceber não é impeditivo de admirar, revolta-me quando em nome da evolução, destroem certas construções lindas e antigas que embelezam as cidades e conservam a cultura, em seguida nascem construções de linhas direitas com muito vidro. é revoltante o que fazem.
    Abraço
    ag

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isto ontem não correu bem e devia ter sido publicado também, depois da "Introdução", o "post" sobre os "Demolidos". Aqui está ele a seguir.
      As fotos dos demolidos não são minhas, são do sítio da CML, alguns deles, a maioria não os conheci. Com fotos minha a partir do dia 4 de Dezembro.
      Obrigado AG

      Eliminar
  2. Macau preserva as zonas antigas.
    Sobretudo as que são Património da Unesco.
    Mas afoga-as num desenvolvimento desordenado.
    Não as destrói, mas também não as deixa respirar.
    Aquele abraço!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isto ontem não correu bem e devia ter sido publicado também, depois da "Introdução", o "post" sobre os "Demolidos". Aqui está ele a seguir.
      As fotos dos demolidos não são minhas, são do sítio da CML, alguns deles, a maioria não os conheci. Com fotos minha a partir do dia 4 de Dezembro.
      Obrigado Pedro

      Eliminar

Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.