A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

domingo, 28 de julho de 2013

Tete Montoliu – Groups & Soloists of Jazz (IV)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)       
                
Tete Montoliu foi/é um dos pianistas que mais prazer me dá ouvir tocar. Ele é um autêntico mestre do piano em toda a sua eloquência e destreza. Leiam, abaixo, a biografia deste grande músico para poderem compreender que apesar da sua deficiência, a cegueira, imprópria (?) para a prática de um instrumento musical, como o piano, a perseverança de sua mãe e dele próprio, conseguiram ultrapassar a sua “invisualidade” e tornar-se num grande pianista de jazz.
Tive o privilégio de o ver ao vivo, em 12 de Julho de 1989, no Teatro Nacional de São Carlos, num espectáculo com a orquestra "Taller de Músic" de Barcelona e este exuberante pianista.

Vicenç Montoliu i Massana - (Eixample, Barcelona, Espanha, 28-03-1933 - Eixample, Barcelona, Espanha, 24-08-1997) - Conhecido como Tete Montoliu, foi um pianista de jazz catalão. Montoliu era invisual de nascença, o que não o impediu de se tornar uma figura cimeira do jazz europeu e mesmo mundial, tendo tocado com muitos dos grandes nomes do jazz, e estilisticamente caracterizando-se por ter incorporado muitos dos aspectos estilísticos de alguns dos mais marcantes pianistas de jazz e do “Be-Bop” e “Hard-Bop” e com isso criado um estilo pessoal e próprio, marcado pela precisão técnica e sentido rítmico e melódico.
Tete Montoliu nasceu cego. Oriundo do distrito de L´Eixample em Barcelona, cidade onde também faleceu. Foi o filho único de Vicenç Montoliu, músico profissional, e de Ângela Massana, uma entusiasta de jazz, que encorajou o filho a estudar piano. A primeira experiência de Montoliu com o piano teve lugar sob a supervisão de Enric Mas, na escola privada para cegos, que frequentava, entre 1939 e 1944, onde com 7 anos, também aprendeu a ler e escrever música em Braille. Em 1944, a mãe de Montoliu tratou com Petri Palou para que este lhe desse lições formais de piano.
Entre 1946 e 1953 Montoliu estudou música no "Conservatori Superior de Música" de Barcelona, onde contactou também com músicos de jazz, e se familiarizou com o idioma em “jam sessions”. O seu interesse pelo jazz advém de dois factos, que o marcaram. Primeiro, ouvir frequentemente discos de Art Tatum e Duke Ellington, e em segundo lugar, a estadia de Don Byas, hospedado em sua casa. Durante a fase inicial da sua carreira, Montoliu foi particularmente influenciado pelo pianista americano Art Tatum, apesar de ter rapidamente desenvolvido um estilo próprio e distinto, caracterizado por uma grande sensibilidade musical e habilidade técnica. Montoliu começou a tocar profissionalmente em “pubs” e “jam sessions” em Barcelona, onde foi notado por Lionel Hampton, em 13 de Março de 1956. Assim Montoliu partiu em digressão com Hampton por Espanha e França e gravou "Jazz flamenco", iniciando uma prolífera carreira internacional.
Nos anos 60, Montoliu tocou em New York, em vários concertos, e estabeleceu uma colaboração com Elvin Jones e Richard Davis. Na década seguinte apresentou-se repetidamente na Europa, consolidando a sua reputação musical como uma referência primordial do movimento “Hard Bop”. Nos anos 80 tocou em numerosos concertos, colaborando com músicos importantes como Dexter Gordon (saxofone), Johnny Griffin (saxofone), George Coleman (saxofone), Joe Henderson (saxofone), Dizzy Gillespie (trompete), Chick Corea (piano), Hank Jones (piano), Roy Hargrove (trompete), Jerry Tilitz (trombone) e Jesse Davis (guitarra), entre muitos outros.
Montoliu fez muitas gravações, a solo e em trio ao longo da carreira, tendo mais de 60 álbuns publicados como líder, os quais, cobrem desde o jazz, o seu principal idioma, até aos boleros, aos ritmos brasileiros, como a bossa nova e ritmos cubanos. São também em número muito elevado as gravações que fez com outros músicos, publicadas em disco na sua maioria, mas também algumas ainda inéditas. Em geral Tete Montoliu gravou para etiquetas europeias, mas "Lunch in L.A." (1979), que foi o único álbum gravado para uma editora americana, apresenta-o a solo e em trio, no seu auge. O número de concertos e apresentações públicas que fez, especialmente na europa, foi também em número muito elevado.
Tete Montoliu tornou-se uma figura mundial e fundamental do jazz, tendo-se expressado com igual facilidade nos idiomas do “Swing” ao “Hard-Bop”, sem desprezar a herança da sua origem espanhola e latina. Em 1996, pouco antes da sua morte, a Espanha homenageou Tete Montoliu pela sua carreira de 50 anos de jazz, no “Teatro Monumental de Madrid”. Com a sua morte foi criado o “Bienal Premios Tete Montoliu de Jazz”.          
                
In A Sentimental Mood, para a televisão espanhola, e exibido em 1985.       
             
    
              
Sophisticated Lady      
             
            
                 
Darn That Dream, Tete Montoliu (piano), Herbie Lewis (contrabaixo) e Billy Higgins (bacteria), para a televisão alemã, em Colónia, decorria o ano 1990.            
                
            
                  
Body and Soul, Tete Montoliu (piano), Eric Peter (contrabaixo) e Peer Wyboris (bateria) para a televisão espanhola nos anos 70.          
                 

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