A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

domingo, 29 de julho de 2012

5MJZ (XXVIII) - Charlie Parker Quintet

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos; e ainda In Duarte, José, História do Jazz, 2ª. Edição, Editora Sextante, Novembro de 2009)            
             
Se Luís Villas-Boas é considerado o pai do Jazz em Portugal, José Duarte é também uma figura proeminente e importante na divulgação deste género musical no nosso País.
Estamos a passar, com o auxílio do “Youtube”, como é habitual, algumas das músicas, consideradas obrigatórias pelo José Duarte e constantes numa edição de três CD’s sobre o programa “Cinco Minutos de Jazz”, começado na década de 60 (1966), no “Rádio Renascença”, depois na Rádio Comercial e mais tarde na Antena 1, onde ainda hoje e há mais de 40 anos se divulga o improviso na rádio do nosso país.             
                
Charles Parker, Jr. (Kansas, Missouri, EUA, 29-08-1920 – New York, EUA, 12-03-1955) - Foi um saxofonista norte-americano e compositor de jazz. No início da sua carreira Charlie Parker foi alcunhado de “Yardbird”; Mais tarde, essa alcunha foi encurtada para “Bird” e permaneceu, como o apelido de Parker, para o resto da sua vida.
Charlie Parker é considerado um dos melhores músicos de jazz de todos os tempos. Em termos de influência e impacto, a sua contribuição foi tão significativa que Charles Mingus (contrabaixo) comentou que se “Bird” fosse vivo hoje, ele poderia pensar que estava a viver numa parede de espelhos. O talento de “Bird” é comparado, quase sem argumentos, com músicos lendários, tais como, Louis Armstrong (trompete) e Duke Ellington (piano). A sua reputação como um dos melhores saxofonistas é tal que alguns críticos dizem que ele é insuperável; o crítico de jazz Scott Yanow fala por muitos admiradores do jazz e músicos, quando sugere que Parker foi, indubitavelmente, o melhor saxofonista de todos os tempos."
Foi figura fundadora do “Bebop”, esta forma inovadora de Charlie Parker para a melodia, ritmo e harmonia que tem exercido uma incalculável influência no jazz. Varias canções de Parker tornaram-se “standards” do reportório mundial do jazz, e inúmeros músicos têm estudado a música de Parker e absorvido os elementos do seu estilo.
Charlie Parker tornou-se um ícone para a geração do Beat, e foi uma figura-chave no desenvolvimento conceptivo do jazz, como um artista descomprometido e intelectual, ao invés de apenas um mero músico popular. Por várias vezes, Parker fundiu o jazz com outros estilos musicais, do clássico (estudando com Edgard Varese e Stefan Wolpe) à música latina (gravando com Machito ou Francisco Raúl Gutiérrez Grillo, músico cubano, cantor e tocador de maracas), abrindo um caminho seguido mais tarde por outros.
Consumido pelo álcool e pelas drogas, Charlie Parker teve uma existência breve e trágica, que inspirou criadores, como o escritor argentino Julio Cortázar (que se inspirou nele para delinear o personagem central do conto "O Perseguidor") e o cineasta Clint Eastwood (que recebeu seu primeiro Globo de Ouro com o filme "Bird", de 1988, com Forest Whitaker, o qual, por sua vez, levou o prémio de melhor actor no “Festival de Cannes”, graças a este trabalho).
Na biografia de Charlie Parker existem duas tentativas de suicídio e um longo internamento num sanatório, antes de chegar ao fim, aos 34 anos, o estrago causado no seu corpo pela vida desregrada, era tão grande que o legista atribuiu ao morto a idade de 65 anos. Faleceu em 12 de Março de 1955. Encontra-se sepultado no “Cemitério Lincoln”, Kansas City, Missouri, Estados Unidos.
O estilo e de um absoluto domínio técnico de seu instrumento, Parker era um virtuoso consumado, que conseguia combinar a mais complexa organização harmónica, rítmica e melódica, com uma clareza muito rara de encontrar nos instrumentistas anteriores ou posteriores à sua actuação.
Para Charlie Parker, improvisar não era simplesmente tomar uma melodia original e construir variações sobre ela. Quando o saxofonista pegava num tema qualquer, como base para criar, o que o interessava não era a melodia, mas sim a harmonia. Era o esqueleto harmónico do tema original que ele utilizava, como ponto de partida e estímulo para as suas digressões, nas quais uma mescla cativante de garra e fantasia constituía a regra.
Foi assim que, no pós-guerra, ao lado do trompetista Dizzy Gillespie, Charlie Parker tornou-se um dos fundadores do “Bebop”, o novo estilo sofisticado com o qual o jazz se tornaria definitivamente música "para ouvir", substituindo a música "para dançar" que havia sido a marca das “Big Bands” dos anos 1940.            
              
Salt Peanuts", da década de 40 (*), e do álbum “The Quintet”, de 15 de Maio de 1953, gravado ao vivo no “Massey Hall”, Toronto, Canada.
Composição escrita por Dizzy Gillespie em 1943, com colaboração do baterista Kenny Clarke e, eventualmente, do saxofonista Charlie Parker.
A formação do álbum e que aqui vamos ouvir, era composta por Dizzy Gillespie (trompete, vocais), Charlie Parker (saxofine alto), Bud Powell (piano), Charles Mingus (contrabaixo) e Max Roach (bateria).           
              
(*) 1943 – Duke Ellington apresenta “Black, Brown & Beige” no Carnegie Hall, em Nova Iorque; Antoine de Saint-Exupéry publica “O Principezinho”; Michael Curtiz realiza “Casablanca”.              
               

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