A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

sábado, 21 de janeiro de 2012

5MJZ (III) – Ornette Coleman Quartet

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos; e ainda In Duarte, José, História do Jazz, 2ª. Edição, Editora Sextante, Novembro de 2009)                 
                         
Se Luís Villas-Boas é considerado o pai do Jazz em Portugal, José Duarte é também uma figura proeminente e importante na divulgação deste género musical no nosso País.
Estamos a passar, com o auxílio do “Youtube”, como é habitual, algumas das músicas, consideradas obrigatórias pelo José Duarte e constantes numa edição de três CD’s sobre o programa “Cinco Minutos de Jazz”, começado na década de 60 (1966), no “Rádio Renascença”, depois na Rádio Comercial e mais tarde na Antena 1, onde ainda hoje e há mais de 40 anos se divulga o improviso na rádio do nosso país.              
                    
Ornette Coleman (Fort Worth, Texas, EUA, 09-03-1930 – 20xx) - É um saxofonista e compositor de Jazz norte-americano. Coleman é um dos grandes inovadores do movimento do “Free Jazz” dos anos 50 e 60. Em 9 de Julho de 2009 recebeu o prestigiado “Miles Davis Award”.
Ornette Coleman nasceu e cresceu em Forth Worth, Texas, no sul dos Estados Unidos. Iniciou sua carreira tocando “Rhythm & Blues” e “Bebop” em sax tenor. Procurando sair da sua terra natal, empregou-se no espectáculo itinerante de variedades “Silas Green from New Orleans”. Uma noite, após um espectáculo em Baton Rouge foi atacado por desconhecidos e o seu saxofone foi destruído.
Mudou, então para o saxofone alto que se tornará o seu instrumento principal. Juntou-se então à banda de “Pee Wee Crayton”, com quem foi para Los Angeles. Aí teve vários empregos a par da actividade musical.
Desde o início da sua carreira que a forma de tocar de Coleman era pouco ortodoxa. Seguia mais o seu ouvido do que o bem comportado temperamento. O seu sentido de harmonia e progressão de acordes, muito menos rígido do que o dos músicos de “Swing” ou “Bebop”, era flutuante e, por vezes, apenas sugerido e não explícito. Muitos músicos de Los Angeles consideravam-no desafinado e Coleman tinha dificuldades em encontrar outros músicos que pensassem como ele. O pianista Paul Bley foi um dos seus seguidores desde o início.
Em 1958 Coleman conduziu a sua primeira sessão de gravação para o disco “Something Else: The Music Of Ornette Coleman”. Participaram também o trompetista Don Cherry, o baterista Billy Higgins, o baixista Don Payne e o pianista Walter Norris.            
                
"Eventually" do álbum “The Shape Of Jazz To Come”, de 22 de Maio de 1959 (*), com Ornette Coleman (saxophone alto), Don Cherry (cornet), Charlie Haden (contrabaixo) e Billy Higgins (bateria).
O álbum “The Shape of Jazz to Come” é um dos influentes de Ornette Coleman. Foi seu primeiro álbum para a “Atlantic Records”, que o lançou em 1959. Foi um dos primeiros álbuns de “Avant Garde Jazz” já alguma vez gravado. Foi gravado em 1959 pelo quarteto de Coleman. O álbum foi considerado chocante na época, porque não tinha estrutura de acordes reconhecíveis e incluiu improvisação simultânea pelos músicos num estilo muito mais livre do que até ali se ouvira em jazz.
Grande avanço Coleman foi deixar de fora instrumentos de corda.  Cada selecção contém uma breve melodia, assim como a melodia de uma música jazz típica, em seguida, alguns minutos de improvisação livre, seguido de uma repetição do tema principal, enquanto esta se assemelha a estrutura convencional de “Head-Solo-Head a estrutura do “Bebop”. O uso de estruturas de acordes é abandonado.               
                 
(*) 1959 – Morre a intérprete Billie Holiday; Miles Davies grava “Kind Of Blues”; Fidel de Castro assume o poder em Cuba; e Jean-Luc Godard realize “À Bout De Souffle”.          
                           

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