A paixão nua e cega dos estios, Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paixão Nua, in “O Nome das Coisas”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Prosia - Acendi e apaguei a luz

No sofá

Uma maneira de te manteres acordado,
É pegares num alfinete e picares-te.
Certamente assim, não serás ludibriado.
A intenção de todos os vampiros é chupar-te.

Adormeces

A redoma de vidro que reflecte o corpo.
Antigamente, existia uma varanda para a calçada.
Contemplas a terra, com um olhar absorto,
À espera da tua mulher esbelta e alada.

Essa que te libertará da prisão pessoal,
Aquela que pegará em ti e voará por cima,
Em direcção a qualquer endereço astral,
Onde farás parte, finalmente, de uma rima.

Acordas

O vento que massaja a face molhada,
A chuva forte que encharca a roupa.
A barba cresceu, branca, imaculada.
Passou a vida, um breve fechar de boca.

Uma lágrima que foi mal chorada,
Um sorriso que foi correspondido,
Uma raiva que te foi domesticada,
Um desejo que te foi querido.

No leito

Ainda pensas “como isto foi veloz !”
Há dias eras uma criança inocente.
Fizeste mal, também, a alguns de nós,
Mas afinal, querias ser feliz, somente.

2 comentários:

  1. Sim, o tempo passa... mas tu não passas pela vida assim, tu deixas marca. bjs, Maria

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  2. Obrigado pelo teu comentário. Era bom que os seres todos deixassem marca. Seria o sinal que viveríamos numa sociedade feliz.
    Bjs

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Eu fiz um Pacto com a minha Língua, o Português, língua de Camões e de Pessoa.